terça-feira, 23 de dezembro de 2008

AJUDA MÚTUA E SUPORTE EM SAÚDE MENTAL

Preciso urgente de contatos com a rede de movimentos de usuários de Santa Catarina, Florianópolis, Associação de Usuários, de familiares, técnicos, CAPS. Preciso dar apoio a alguém muito especial que mora lá. Vamos acionar a rede de solidariedade.
Agradeço
(faça uma boa ação de natal)

domingo, 21 de dezembro de 2008

IV Conferência Nacional de Saúde Mental para 2009

MANIFESTO

IV Conferência Nacional de Saúde Mental JÁ!!!!!

A última Conferência Nacional de Saúde deliberou pela realização, em 2009, da IV Conferência Nacional de Saúde Mental. Cabe ao plenário do Conselho Nacional de Saúde encaminhar o início do processo da mesma.

É momento de mobilização!!! Queremos a realização desta Conferência por muitas razões:

A Conferência representa um momento democrático, no qual é possível a participação de diversos atores sociais, no processo de avaliação e deliberação acerca das diretrizes das políticas de saúde mental. Neste processo destaca-se importância da participação do usuário que aumentou significativamente com o consequente aumento de serviços. Estas pessoas precisam debater, propor mudanças e/ ou legitimar estes dispositivos como eficientes e necessários para o fortalecimento da Reforma Psiquiátrica.

Uma série de deliberações foi tirada na III Conferência, deliberações essas relativas ao processo de implementação da Reforma do Modelo de Atenção em Saúde Mental, à execução de políticas de saúde mental, à participação dos órgãos de controle social e tantas outras. É momento de avaliar a implementação durante esses anos, de ações políticas, nos diversos âmbitos de gestão, orientadas pelas diretrizes democraticamente aprovadas pela sociedade brasileira;

A última Conferência Nacional de Saúde Mental ocorreu em 2001, alguns meses após a aprovação da Lei 10216/01. Teremos em 2009 oito anos de vigência desta. Sabemos que a rede de atenção em saúde mental é hoje muito distinta daquela que tínhamos em 2001. Temos um número significativamente maior de serviços substitutivos, porém há uma escassez de CAPS III, um dispositivo fundamental de cuidado para o atendimento à crise. Temos diversas experiências acumuladas nos serviços e ainda um número significativo de leitos psiquiátricos a serem desativados. Convivemos com críticas relativas a esse novo modelo. Queremos um processo reconhecidamente participativo, efetivo e democrático para avaliarmos essa rede e para apontarmos futuras direções, que garantam avanços no processo iniciado. Queremos a IV Conferência Nacional de Saúde Mental!!!

Assine o manifesto:


http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_081017_002.html

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

LÚCIA DE FÁTIMA MENEZES: no cimento inóspito do manicômio, planta-se flores em jarros

A rosa lilás lembra seu jaleco de um lilás mais clarinho. Lúcia de Fátima é comprometida assistente social plantonista do Hospital Areolino de Abreu e do Hospital- Dia Dr. Wilson Freitas. Dirigiu o hospital do Mocambinho, deixando inovações por lá, lutou desde 2004 pela implementação de um serviço de referência em álcool e drogas em hospital geral. Seu projeto foi aprovado pelo ministério da saúde somente agora. Espera-se que a atual direção leve a cabo sua execução, somando a rede de atenção a saúde mental. De extrema necessidade naquela área, reclama o tempo todo, Olívia Quaresma, enfermeira do programa Estratégias da Família (PSF) angustiada com a dificuldade de intervenção no território.
Lúcia de Fátima mais uma vez imprime sua marca de compromisso e mudanças: participei terça-feira, 16 de dezembro de uma vivência de Terapia Comunitária, junto a Narciso Chagas da Secretaria de Saúde, encarregado da implementação desta nos serviços de atenção básica dos municípios piauienses. Bem a estilo de "cuidando do cuidador", funcionários participaram, se auto - cuidaram e compartilharam idéias, sentimentos, problemas. Pretende-se implantar a Terapia Comunitária junto às famílias dos usuários. Um bom gestor comprometido com o bem-estar do usuário, com a autonomia e consciência que a sua frente sempre tem um cidadão de direitos faz sempre a diferença.

NÃO A CRONICIDADE DA VIDA!!!


REINVENÇÃO

A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! Tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcança...
Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só - na trevas fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
..................................................
Cecília Meireles

Paulo Amarante e a esquerda Regina Castiglioni Guidoni, assistente social, estudante de psicologia e supermãe no sentido libertário. Águia jogando o filhinho do ninho, para que ele aprenda voar. Parabéns! Fique calma. Respire. Nós passarinhos psicóticos somos capazes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CASOS CRÔNICOS: Por que se tornaram crônicos? Ou a cronicidade é apenas uma forma de olhar.

Meu leitor (obrigada!) Carlos Saraiva nos pergunta se nos casos crônicos, ou a pessoa não aceita tratamento, e a família em desgaste prende-o dentro de um manicômio, abandona-o. Eis o recente censo da cidade de São Paulo com milhares de pessoas se tornando moradoras dos hospitais psiquiátricos, apesar dos oito anos de implantação da reforma psiquiátrica, é de se imaginar que por lá predominem aqueles que defendem a psiquiatria manicomial. Professora Lúcia Rosa, autora de Transtorno Mental e Cuidado na Família, fala muitos em suas aulas, que a família não abandona, ela acredita que quem estudou está lá, ela confia de alguma maneira na função terapêutica do hospital. Espera que de algum modo seu ente querido retorne para casa recuperado. O censo de São Paulo aponta que muitos pacientes moram no hospital por pauperização, muitos sem diagnósticos psiquiátricos. Para que pessoas treinadas em artes marciais dentro de uma instituição "totalitária", que apaga identidades. Lembro de uma paciente que me dizia que lá dentro até o sol era diferente. Para separar brigas entre agudos, aí lembro, do livro Estranho no Ninho. Os crônicos já sabem as regras. Passei três anos como estagiária no plantão de urgência do HAA, o caos aparente do surto, tem uma ordem cotidiana. As pessoas estão presas, muitas judicialmente pagando suas penas ali. Só se pensa nos normais, em vez de curso de defesa e ataque poderia-se está criando quartos de encontros íntimos para os casais psicóticos que ali moram ou passam muito tempo internados, junto com orientação de sexo seguro ( uso de preservativos, etc), essas pessoas poderiam ficar mais calmas. Isto é um absurdo?
Absurdo é a cronicidade do olhar. Sempre que volto ao hospital, os olhares são bem interessantes, duas graduações, aprovações em dois concursos públicos, publicação de textos científicos e literários, depois de surtos psicóticos agudos, é difícil acreditar. Mais é possível.Defendo a loucura enquanto condição de existência, depois que li sobre reabilitação psicossocial. Só não acho interessante cultuar a crise. Se você tem problemas emocionais e toma álcool com carbolítium porque é bipolar, é complicado. Melhor cuidar das questões emocionais com psicoterapia. Então, os sintomas ficarão mais fáceis de entrar em remissão.Toma-se o álcool, e se continuar não dando certo, melhor aprender viver com essa limitação. Deixar de ser parente da Família Adans; olhar o mar maravilhoso e sentir infeliz por isso ou porque fez um sol gostoso. Não sei se te respondi amigo, mas é possível aceitar a loucura responsável do outro. Esse tipo de loucura existe.

HUMANIZA - SUS (Hospital Areolino de Abreu: Quem conhece ama)

O SURTO PSICÓTICO NÃO É ROMÂNTICO

A antipsiquiatria inglesa e americana que produziu Kingsley Hall e o Mito da Doença Mental de Szasz foram acusadas de romantizar a loucura. Mas plantaram sementes de uma nova forma de ver a loucura e suas outras formas de possibilidades além da doença. Nos tiraram dos "leprosários" da exclusão, pelo menos no plano das idéias que fabricaram sussessivas reformas na maneira de tratar o louco. Ficar completamente indignada com um curso de defesa e ataque em artes marciais para funcionários de um hospital psiquiátrico é porque já passei por lá e sei da violência e descaso como são tratados os loucos pobres, principalmente. Delirante, mas lembro vagamente de um homem negro tocava-me os seios e eu o confundia com meu pai. Não posso afirmar 16 anos depois se era um funcionário ou outro paciente. Sai dos dois manicômios da cidade com os pulsos roxos das cordinhas de amescla ou jeans que confeccionam as tiras de contenção. Passei dezoito dias apenas de crise aguda. Agredia pessoas, ficava nua. Louca clássica. Os sintomas depois das medicações se tornam moderados, leves e finalmente entram em remissão. Como plantonista de Serviço Social uma paciente me deu um tapa no rosto. Lúcida, tempos depois me encontrou na rua e me pediu desculpas.
Ora, novamente o que se tem que questionar é a função terapêutica do hospital psiquiátrico, passe um dia preso num pavilhão com grades e veja se você se manterá calmo, ocioso, só vendo paredes brancas e uma televisão velha. Observe o tempo que cada profissional passa dentro do hospital e os que mais tempo permanecem não percebem as evasões persistentes, várias vezes do mesmo paciente, como minha pesquisa mostrou. É a principal ocorrência no cotidiano do plantão do Serviço Social na urgência e emergência do HAA.
O curso que alguns deveriam está fazendo, já me informaram que já houve uma formação desta, seria da contenção humanizada. Vá hoje na emergência deste hospital que você verá pacientes chegarem amarrados com cordas ou algemados pelos parentes, com os braços para trás. Na minha época se continha na forma crucificada. Muito doloroso.
O hospital continua a produzir dupla cronicidade de um modo de ver a pessoa que vive com transtorno mental, o ser periculoso e incapaz. Crônico e violento, não se tenta nenhuma medicação nova. Desde 2001 mantenho estreita relação com o hospital, posso afirmar que alguns pacientes ainda jovens estão amadurecendo por lá. Se formos observar seus prontuários ( F.20), duvido que a medicação tenha sido mudada com continuidade de tentativas interessadas pelo médico no sentido de melhoras para essas pessoas. Psicoterapia de qualidade, nem pensar, psicólogo cognitivo por lá não conheço nem um. Se tem é invisível, porque fuço, viu!
Por experiência de "louca violenta" afirmo que com seis dias de medicação manicomial não se bate nem em uma flor... para suavizar o relato.

sábado, 13 de dezembro de 2008

HUMANIZAÇÃO DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO?

A PERICULOSIDADE DOS NORMAIS
Estive dia vinte e nove de novembro na urgência do Hospital Areolino de Abreu (HAA), pois iria viajar e estava praticamente sem medicação. Meu retorno no psiquiatra coincidia com data em que ainda estaria viajando. O médico esqueceu de carimbar com o crm, a receita do estabilizador do humor. Levei alguns comprimidos emprestados. Hoje, 13 de dezembro estive lá. Sempre sou bem tratada, tenho "identidade híbrida" sou profissional e usuária. Mas sempre saio chocada do "manicômio", é como pesquisador, não sai imune do campo, a subjetividade é sempre abalada.
De cara li no mural da recepção, um cartaz sobre um curso de defesa e ataque, somente para funcionários do HAA, com apoio da direção geral, grátis. O instrutor é um funcionário do laboratório, é uma modalidade de arte marcial, o cartaz não informa qual. Questionei com alguns funcionários do nível médio, qual seria a necessidade de tal curso. Homens e mulheres, de atendentes, agentes de portaria a técnicos de enfermagem estão fazendo. Um novato, agente de portaria, vindo do último concurso público, enfatizou com toda veêmencia que todos do hospital deveriam está no curso. Argumentava que os pacientes "podem" agredir. Então, entenda-se, é preciso aprender bater. Revidar a agressão.

Pensem, que a ouvidoria do hospital está cheia de denúncias, imagino que não apuradas a contento, de agressão física aos pacientes por parte de funcionários. Há casos que foram parar no ministério público. Triste... se havia vários funcionários em situação ilegal e o concurso público veio para organizar essa situação. Essas pessoas estão chegando sem treinamento na área da saúde mental, é lastimável que o curso grátis que encontrem seja um de defesa e ataque. Paranóia. Só oferecemos algum risco em crise aguda. Agora, gente normal é sempre perigosa em seus preconceitos.

HUMOR: Transtorno do amor bipolar


APRENDENDO COM OUTROS MOVIMENTOS: Os surdos fazem e contam muitas piadas sobre sua própria condição. É muito cômico.
Resolvo contar uma piadinha:

Amor de louco no I Congresso Brasileiro de Saúde Mental em Florianópolis:
__ Querida, quero te apresentar minha namorada bipolar. A única mulher da minha vida, a quem dedico todo meu amor e fidelidade. Não faço amor com mais ninguém!
__ Amado, eu sou sua namorada bipolar. Esqueceu? Vim do interior do Maranhão. Quatro conexões; Maranhão, Brasília, São Paulo e finalmente Florianópolis. Manezinho, sou a Maria. Trouxe presentes...
__ Nossa! Tem certeza? Sabe, tenho que ficar com ela, tá trêmula, sintomática...
__ Sem problemas. Já fiz amizade com uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga e uma psiquiatra. Tenho 500 mg de estabilizador do humor no hotel e 1 mg de ansiolítico, qualquer coisa pego uma receita de antipsicótico, com tanto psiquiatra por aqui. Vou escolher uma oficina de cuidando do cuidador: terapia comunitária, danças circulares ou outra. Posso descompensar tranquila.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ARTICULAÇÃO EM REDES SOCIAIS E SAÚDE MENTAL



O título elegante da postagem construiu-se a partir de algumas vivências recentes e pertubadoras para mim. Uma rede social de ajuda mútua e suporte em saúde mental precisa de uma sólida articulação com instituições públicas e privadas, pessoas, comunidades, convênios com políticas públicas, etc.
Na viagem ao I Congresso Brasileiro de Saúde Mental tive como parceiro de poltrona um coronel da polícia militar de Teresina, palestrante espirita e gestor em sua área, de um trabalho com dependência química. Afinidades de idéias nos levaram a pensar um projeto em conjunto quando retornássemos a Teresina. Tenho irmãos militares, um com especialização em segurança pública, sempre me falou da dificuldade da abordagem de doentes mentais na rua. O louco não pode ser preso, diz ele. Se não há acompanhante, familiar, alguém que se responsabilize, esta pessoa não pode internar-se pelo SUS em hospital psiquiátrico público. O Serviço Social do HAA ante o "desespero" da polícia que precisa manter a ordem e o bem público protegido da nudez ou pedras
de alguém em surto, sempre recebe este suposto paciente. Depois faz verdadeiro trabalho de detetive até encontrar a família ou responsável. Quando não encontra, esta pessoa se torna um morador do hospital. Hoje, não sei como estão os novos encaminhamentos para as residências terapêuticas.
Hoje pela manhã, estava no bairro Dirceu Arco-verde, zona sudeste de Teresina, num ponto de ônibus quando de repente surge uma mulher somente de calcinha (azul), sandálias bonitas, óculos escuros, cabelos bem cuidados, colar, brincos e uma extrema euforia, dançava. Segurava com bastante cuidado numa das mãos um molho de chaves. Deveria ter uns trinta e seis ou pouco mais anos de idade. Corpo bonito. Três jovens policiais correram para abordá-la, e eu para não deixar que eles a machucassem. Homens fotografavam com celulares e até câmeras digitais. Fato que eu bradava contra. Apareceu uma camiseta. Vesti-a. Nos disse nome completo, endereço e que as chaves era da casa. A viatura da polícia foi verificar o endereço acompanhada de um senhor que afirmava que a conhecia. Liguei para o Serviço Social do Hospital Areolino de Abreu, falei com uma colega. Ficando mais tranquila porque um dos policiais já havia trabalhado em um CAPS do Maranhão, percebi que tinha um certo traqueijo na abordagem. Não pude ficar mais, precisava trabalhar.
Chegando a escola que trabalho, uma das crianças muito sorridente me conta sobre mais uma doida nua que ele viu perto de casa, impressionado por ter visto tão bem órgãos genitais femininos. Disse-lhe com calma, como se não tivesse impressionada com nada daquilo, que também tinha visto uma, que era a loucura: as moças tomariam um remedinho, que faria que sentissem vontade de andar novamente vestidas. D. de oito anos, achou muito interessante esse remédio que controla a vontade.
Não temos um CAPS III, uma outra emergência psiquiátrica além do hospital psiquiátrico. Nem imagino como ela seria no sentido da escuta e acolhimento. Conversei com a moça nua e delirante, parecia alternar lucidez com delírio. Medicação, cuidado na família e alguma psicoterapia, melhor que internação integral. É a primeira vez que faço uma intervenção na rua, porque sei que o destino é o manicômio. E acredito, desafiando aqueles que defendem o manicômio que muitas vezes a rua trata melhor que o hospital psiquiátrico.

PIADINHA (PERMITIDA) DE LOUCO

Meu namorado doido saiu com outra pensando que era eu!

domingo, 7 de dezembro de 2008

I CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE MENTAL


Parabéns pela coragem aos destemidos e politizados catarinenses que sustentaram sua posição, apesar das condições adversas e sofridas pelas quais passa a região e mantiveram o evento programado para 3,4 e 5 de dezembro. Grandes nomes da academia ligadas a saúde mental no país e estrangeiros nos falaram, nos extasiaram, provocaram idéias, somaram a discussão da reforma psiquiatra brasileira, apontando seus rumos, seus acertos e suas deficiências, que precisam de correção para que os horrores do manicômios não mais se repitam.
Por lá, íntegros e iluminados de sabedoria: Eduardo Mourão Vasconcelos, Paulo Amarante, Antônio Lancetti, Benilton Bezerra, Erotildes Maria Leal e muitos outros "intelectuais orgânicos" não menos importantes no processo de construção de uma clínica ideal para a reforma, uma cidadania efetiva para as pessoas que vivem com transtorno mental.

LIMA BARRETO ESTAVA CERTO

[ ...] Na intimidade do diálogo com o mundo em que teimava em viver. Mas no conjunto da vida e obra é um implicante, replicante que "inticava" com todo mundo. E a síntese: "Ah! A literatura ou me mata ou me dá o que peço dela". Acertou nas duas pontas: matou o mulato e lhe deu tudo que ele queria dela. Acho simples assim. O reconhecimento em vida seria o fim do Lima que todos admiramos. E um detalhe: o reconhecimento por Monteiro Lobato em vida foi porque o paulistano não tinha de conviver com Lima Barreto. Um dia lhe vendo bêbado e implicante não teve coragem de se apresentar. Lobato fez de conta que não conhecia Lima. Ele já estava lendo Lima Barreto no futuro...
Não discordo aqui da escrita de si como uma literatura de urgência, como constrói com maestria a Luciana Hidalgo. Mas me atrevo a acrescentar Lima Barreto no rol dos escritores do futuro, porque não se comportavam (com todos os sentidos) na sua época. E, assim, colocaria Lima na companhia de Sousândrade, Gregório de Matos, Quorpo Santo e Torquato Neto, só pra começar e sem comparar os talentos, que cada um tem o seu cada qual.


Edmar Oliveira, o piauinauta me dar um toque. Quem quiser ler na íntegra seu artigo sobre Lima Barreto o linnk de sua coluna na CASA LIMA BARRETO, está aí ao lado. Recomendo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CIDADÃO COM TRANSTORNO MENTAL: aprendendo com outros movimentos

Realizou-se de 25 a 27 de novembro corrente, o Seminário sobre Educação e Surdez, uma organização do governo do estado, município e grande universidade particular local e empresas particulares ligadas a área da surdez e fonoaudiologia. Trouxeram equipe de técnicos do INES, Instituto Nacional do Surdo, secular escola de surdos do Rio de Janeiro. Fiquei "babando" pelo número de participação do surdo em todos os níveis. Como alunos ou técnicos também, como instrutores surdos. O nivel de conscientização de alguns, a preocupação em formar em todos os sentidos os mais jovens.
A idéia de "comunidade surda" com suas certezas, defesas e ideologias. A idéia de identidades surdas extraídas das teorias do multiculturalismo. A persistência e efetividade de se fazer valer as leis de inclusão desde a acessibilidade ao trabalho a popularização da Língua Brasileira de Sinais.
Fantástico a palestra e oficina Cidadão Surdo, realizada por um professor surdo, com mestrado, Marcos Vinícius Freitas Pinheiro, um exemplo que a comunidade surda acordou cedo para educação da criança surda e acompanhamento de seu desenvolvimento até a fase adulta, prevendo uma qualidade de vida produtiva e em todos os sentidos a esse indivíduo.
Ficamos sonhando que esse futuro de acessibilidade chegue a criança com transtorno mental, os CAPS infantis ou qualquer outro espaço que a racionalidade burocrática da saúde mental do Brasil criar, perda o aspecto de hospital e dê mais formação escolar, artística, matemática, poética. Essas crianças ficam tombando numa escola que quer se fazer inclusiva, com dificuldades e sem nenhum tipo de informação para trabalhar com o louco. Que só será percebido no primeiro grande surto e entregue às medicações psicotrópicas, internações, etc. E o potencial dele, ficou pelo meio do caminho. Até a universidade e principalmente ela, não sabe o que fazer com o aluno que surta, não há tratamento diferenciado. Ele tranca o período no surto. Uma crise aguda, com medicações, psicoterapias, geralmente não passa de semanas, sintomas mais moderado e leves com razoável apoio, este aluno se sobressairia. O diabo é o estigma, a cultura normal que não admite.
Mas fica o exemplo dos surdos, suas identidades, sua cultura surda. Seus encontros de grandes conversas usando somente mãos e expressão. Surdo quer trabalho, acredita, vai atrás de órgão que encaminha, lei que obriga a empresa contratar por percentagens. Louco, acredita no normal que não acredita nele, põe a corda no pescoço e endossa os números de suicídio. Falta a construção e disseminação de uma identidade para a pessoa que vive com transtorno mental.

TERESINA: CAPITAL DO SUICÍDIO

Dados publicados no jornal Diário do Povo em 18 de novembro.

24 pessoas morrem diariamente por suicídio, uma a cada hora. Foram 8.550 mortes ( apenas as notificadas) em 2005. O Brasil ocupa o 9º lugar no mundo. O Piauí ocupa o 8º lugar entre os Estados. E Teresina ocupa o 1º lugar em suicídios femininos e 3º lugar no sexo masculino. Em 97% dos casos caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal.

Por conta de tais números, acontecerá o Fórum Bioética e Suicídio
Dias 5 e 6 de dezembro de 2008
Local: Faculdade de Ciências Médicas - FACIME
Informações: (86) 3122-8815/3122-8814
Promoção: Sociedade Brasileira de Bioética - Regional do Piauí

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

AIDS/ COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

PROGRAMAÇÃO ALUSIVA AO DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AIDS
REALIZAÇÃO: SECRETARIA DE SAÚDE DO MUNICIPIO DE TERESINA
SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DO PIAUÍ
REDE NACIONAL DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS
MOVIMENTO NACIONAL DE CIDADÃS POSITHIVAS
CONSELHO EM DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER


DATA: 25/11/08
ATO PUBLICO PELO FIM DA VIOLENCIA CONTRA A MULHER E EXPOSIÇÃO DOS SERVIÇOS E ENTIDADES COM AÇÕES OLTADAS PARA O ENFRENTAMENTO A VIOLENCIA CONTRA A MULHER.
LOCAL: PRAÇA DO FRIPISA
HORÁRIO: 08:00hs ÁS 12:00:hs

DATA28/11/08
SEMINARIO DE PREVENÇÃO DE SAÚDE NAS ESCOLAS
LOCAL: HOTEL ÁGUA LIMPA
HORÁRIO: 08:00 hs ÁS 18:00 hS

DATA: 28/11/08
SHOW DA SOLIDARIEDADE, EM ALUSÃO AO DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS
LOCAL: MEMORIAL ZUMBI DOS PALMARES
HORÁRIO: 19:00 hs

DATA:01/12/08
VIGILIA “A LUZ DE VELA” – EM ALUSÃO AO DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AIDS E PELO FIM DA VIOLENCIA CONTRA A MULHER
LOCAL: ADRO DA IGREJA SÃO BENEDITO
HORARIO: A PARTIR DE 18:30hs



DATA: 05/12/08
SHOW DAS MUJLHERES PELO FIM DA VIOLENCIA CONTRA A MULHER
LOCAL:PRAÇA PEDRO II 9ª (CONFIRMAR)
HORARIO : A PARTIR DAS 19:00 hs


DATA: 10/12/08
VISITA AO NÚCLEO DE DEFESA DA MULHER E CONSELHO ESTADUAL DA MULHER: PELAS ADOLESCENTES GRAVIDAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE PSICOSSOCIAL DA CASA MARIA MENINA
LOCAL: DEFENSORIA PUBLICA
HORARIO: ÁS 09:00 h

DATA 17/12/08
SEMINÁRIO ESTADUAL DE CONTROLE SOCIAL
LOCAL: ÁGUA LIMPA HOTEL
HORARIO: 08:00 h ÁS 18:00 h

sábado, 15 de novembro de 2008

LEI CARRANO

Deputada Flora Isabel (PT) já legislou a favor da causa da saúde mental no Piauí, ainda vereadora em 1999. Agora propõe projeto de lei sobre a política estadual para a integração, reabilitação e inserção no mercado de trabalho da pessoa com transtorno mental, e dá outras providências. Entre estas providências a criação no âmbito da Secretaria de Trabalho e Empreendedorismo do Estado, o Núcleo de Saúde Mental e Trabalho (NUSAMT), núcleo este formado por uma equipe "clássica" de profissionais da área de saúde mental, psiquiatra,psicólogo,assistente social,enfermeiro,terapeuta ocupacional que serão responsáveis pelo cadastro ,acompanhamento e encaminhamentos a treinamentos ou ao trabalho destes usuários, desde que que ligados aos CAPS.
Problema é que o grosso da população usuária do serviço psiquiátrico público está mesmo no circuíto HAA, Hospital Dia e Sanatório Meduna e quem está nos CAPS não é quem tem uma enfermidade menos grave, como pensa ainda o senso comum. Que estaria portanto melhor habilitado ao trabalho, à produção capitalista eficiente e enlouquecedora, aqui lembrando Charles Chaplin em Tempos Modernos.
Esperemos que este núcleo não seja mais um espaço para "gente normal" ganhar dinheiro gerenciando a loucura. Sugerimos que haja processo seletivo, em vez de somente indicação, e que seja levado em conta além da análise curricular, até como pré-requisito profissionais que vivam com transtorno mental. Se é para incluir, comecemos a empoderar os loucos no comando! Duvido.

SAÚDE MENTAL E SEXUALIDADE

Já no governo de W. Dias (2005 ou 2006), a coordenação de DSTs/AIDS era gerida por Antão, salvo engano, lembro de uma reunião que participei, (nesta, representava a Âncora) junto com outras organizações da sociedade cívil ligadas a grupos considerados de risco e vulnerabilidade quanto a questão das DSTs/AIDS. Todos os grupos levantaram propostas, sugeri oficinas educativas sobre sexo seguro e distribuição de preservativos nos serviços abertos desde o hospital dia do HAA até mesmo para aqueles que ainda são moradores ou permanecem muito tempo no hospital. Ficou somente no discurso. Como muitas destas iniciativas desse governo.
Agora o governo federal, por conta do crescimento de pessoas soro positivas doentes mentais está fazendo a distribuição de insumos. Há tempos falamos e corremos atrás de parcerias com a Rede Nacional de Pessoas convivendo com HIV/AIDS, franquia piauiense e nunca conseguimos sensibilizá-los para a questão do transtorno mental/AIDS existente dentro do HAA, onde o usuário é muitas vezes discriminado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

LIMA BARRETO E A LOUCURA


“Escritor fervoroso, suburbano, negro, aguerrido, irônico, combativo, maldito e incompreendido por seus contemporâneos, Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) desceu ao inferno, conhecendo o desprezo de críticos, o fracasso como escritor e a indiferença familiar por sua vocação literária. Inquieto na dor, ríspido com os hipócritas, teve diante de si a tragédia da loucura, do alcoolismo e do preconceito”. É assim que o cientista político Marco Antonio Arantes resume a experiência do romancista carioca Lima Barreto, internado duas vezes no Hospício Nacional, em 1914 e em 1919. O olhar do escritor sobre os médicos, os loucos e a loucura – notadamente em suas obras Cemitério dos vivos e Diário do hospício – foi alvo de uma pesquisa desenvolvida por Arantes. Os resultados dessa análise estão no artigo Hospício de doutores, publicado pelo cientista político na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos da Fiocruz.

Ver o artigo de Fernanda Marques na íntegra no site http.// www.fiocruz.br

CIDADANIA DO LOUCO PÓS LEI 10. 216????

Almoço em comemoração ao dia mundial da saúde mental

No dia 10 de outubro, comemora-se o dia mundial da saúde mental. Na oportunidade comemorativa, houve um almoço no CAPS. Nesse dia, os usuários tiveram suas atividades cotidianas alteradas, não houve o grupo psicoterapêutico, n em oficinas na terapia ocupacional, tudo foi voltado para organização do almoço.

[...] No almoço em si algumas observações são cabíveis, notavelmente, o fato de os pratos serem feitos pelos técnicos e servidos aos usuários, além da ausência de facas. Seriam os usuários indivíduos perigosos que não podem manejar facas nem mesmo numa refeição?! O "prato feito" ao invés de o usuário se servir com o que quer e na quantidade que quer é facilitar o processo ou seria uma reprodução de uma tutela muito presente nos manicômios?

[...] ... onde havia uma separação da mesa de usuários para a de técnicos, onde o acesso à cozinha é restrito: fato esse que existe também no CAPS, onde havia uma separação da mesa de usuários
para a de técnicos, onde o acesso à cozinha é restrito: fato esse que existe também no CAPS II centro norte, e não é só a cozinha, mas todas as salas que contêm materiais encontram-se fechadas - cozinha, despensa, salas de materiais para oficinas da terapia ocupacional. O porquê das portas trancadas, e o acesso negado e/ ou restrito provocam uma reflexão acerca de o CAPS ser um serviço aberto e estar se fechando.

A FORMAÇÃO ANTIMANICOMIAL DO ESTUDANTE DE PSICOLOGIA E OS CONFLITOS GERADOS NO ESTÁGIO DE UM SERVIÇO SUBSTITUTIVO EM TERESINA de Lara de Souza Moura, no recém lançado livro (Con) textos em Saúde Mental: Saberes, práticas e histórias de vida, mais um organizado por Lúcia Rosa. Quem quiser saber o desfecho da história e outras, pode encontrar o livro na Âncora.



sábado, 8 de novembro de 2008

FELICIDADE

NOTÍCIAS BOAS!

Amiga tranquila, diz que a cabeça está boa que voltou a fazer coisas do dia a dia com prazer. Uma vontade de viver que voltou. Voz suave, sorriso leve. Minha cúmplice de sonhos no Ninho. Abraço forte, amiga Lucinda.


Dr. Edson mudou de endereço, o consultório está mais confortável. Mas a televisão ainda não é de plasma. Doida exigente, gente!


O pessoal que está fazendo parte das reuniões do Ninho, poderá participar de um curso de pintura em tela, oferecido pelo CSU e planejamos nos associar a uma iniciativa de" caminhadas dirigidas" encabeçada por profissionais de educação física e estagiários da área que pretende trabalhar especialmente com idosos da comunidade, não descartando a presença de demais interessados. Boas parcerias.

ENCONTRO DE BIODANÇA: 22 e 23 de novembro

NOTAS

O grande mérito do processo de reforma psiquiátrica está no fato de, em em vez de tratar doenças, trata de sujeitos concretos, pessoas reais. Lida, portanto, com questões de cidadania, de inclusão social, de solidariedade e, por isso, não é um processo do qual participam apenas profissionais da saúde, mas também muitos outros atores sociais. (Paulo Amarante, psiquiatra, doutor em saúde pública)

Bom se a maioria dos que fazem a saúde mental no país pensasse assim. Alguns gestores, parte da população talvez, mesmo acometida por uma pandemia (invisível nas notificações de doenças não transmissíveis), ainda não despertou para questão.

sábado, 1 de novembro de 2008

NOTÍCIAS BOAS!

SEDE DO NINHO

Hoje acontece a primeira reunião do Ninho em sede própria, espaço cedido pelo SASC, fica no CSU do Renascença I, em frente a praça, antiga creche Favo de Mel. Há um amplo quintal, espaço onde pretendemos plantar hortas, flores, etc. A comunidade do bairro e adjacências registra alto índice de pessoas acometidas por transtornos mentais, esperamos atingir esse público, organizando grupos de apoio e ajuda mútua e oferecendo um complemento ao tratamento medicamentoso, que são as psicoterapias, ou atividades que exerçam funções terapêuticas.
De início estaremos oferecendo Terapia Comunitária e Biodança.


PARCERIA COM A FUNDAÇÃO WALTER ALENCAR

Levamos o projeto do Ninho, Apoio Pedagógico e Psicoterapêutico para crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem, sediado na Escola Municipal Barjas Negri, a Fundação Walter Alencar que prontamente nos atendeu oferecendo atendimento com psicólogo escolar a seis de nossas crianças mais comprometidas, perto da escola, num posto de saúde mantido pela Fundação. Torcemos para que a experiência seja positiva.


PALESTRA SOBRE SEXUALIDADE E LOUCURA

Estaremos dia 07, próxima sexta-feira, proferindo palestra a estudantes de Psicologia da FACID sobre a repressão sexual imposta a pessoas que vivem com transtornos mentais, a sexualidade do louco, seus mitos e verdades, junto a luta por exercer também o direito a sexualidade e afetividade plenas.

PENSANDO COM OS POETAS

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoista que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."

Carlos Drumond de Andrade

A DISCIPLINA DO AMOR A FAVOR DA VIDA

Proferida palestra sobre Suicídio sob a visão espiríta pelo professor Esbael Emídio, da rede Anglo, no espaço Fraternidade Espiríta André Luiz. Extremamente bem fundamentado pelas teorias espirítas, científicas e um conhecimento crítico da Bíblia invejável, Isbael discorreu sobre a temática de forma didática e envolvente.
Nos últimos três meses os jornais noticiaram vários casos em Teresina, observa-se a extrema juventude de alguns suicidas, variando entre 18 a 24 anos.
Fratenidade Espiríta André Luiz é parceiro do Ninho, fazendo um trabalho de destaque no socorro aos transtornos mentais, inclui em sua equipe de trabalho uma psiquiatra e uma psicóloga. Ontem estivemos lá acompanhando pessoas que já tiveram ideação suicida e familiares que sofrem acompanhando reicindentes.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

FORUM DE DISCUSSÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE ESTRATÉGIAS SOBRE A POLÍTICA ESTADUAL DE INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO DOS PORTADORES DE TRANSTORNO MENTAL

Evento realizado pela ÂNCORA - Associação de usuários, familiares e pessoas interessadas em discutir a saúde mental no Estado do Piauí. Bom comparecer, Marta Evelyn, Alfeu, professora Lúcia Rosa e tantos outr@s companheiros na luta, por uma questão grave, que já discutimos aqui, que é a inserção no mercado de trabalho de pessoas que vivem com transtorno mental.

Local: Cine teatro da Assembléia Legislativa

DATA: 11/11/08

HORÁRIO: 08H ÀS 12H E DE 14H ÀS 18:00H

PROGRAMAÇÃO:

MANHÃ:

8:00 ÀS 8:30 – APRESENTAÇÃO CULTURAL "GRUPO CAPELA"

8:30 H - MESA DE ABERTURA :

GOVERNADOR DO ESTADO

PRESIDENTE DA ALEPI

DEPUTADA FLORA IZABEL

GILVANA RODRIGUES - SECRETÁRIA DA SASC

REJANE DIAS – SECRETÁRIA DA CEID

HÉLIO ISAÍAS – SECRETÁRIO ESTADUAL DE TRABALHO

EDNA DE MELO – GERENTE DE SAÚDE MENTAL DA SESAPI

PAULA MAZZULLO – DELEGADA REGIONAL DO TRABALHO

JOÃO ORLANDO – FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE

ALCI MARCUS – COORDENADORIA DOS DIREITOS HUMANOS E DA JUVENTUDE

LUIS ALFEU – PRESIDENTE DA ÂNCORA

CLÁUDIA SEABRA – MINISTÉRIO PÚBLICO

FRANCISCO PASSOS – DIRETOR DA MATERNIDADE D. EVANGELINA ROSA

LÚCIA ROSA – REPRESENTANTE DA UFPI

9:00 H – Palestra: A importância do portador de transtorno mental no mercado de trabalho – Dr. Francisco Passos (Psicanalista)

10:00H – Palestra: O preconceito do portador de transtorno mental no mercado de trabalho – Lúcia Rosa (UFPI)

10:30 H – Coffee Break

11:00 H – Direitos dos Portadores de Transtorno Mental e Fiscalização – Dra. Cláudia Seabra (Ministério Público)

TARDE:

14:00H – Apresentação da Sinopse do Projeto de Lei de autoria da Dep. Flora Izabel

15:00 H – Mesa de discussão do Projeto de Lei

16:30 H – Encerramento e lançamento do livro da Âncora: CON (TEXTOS) EM SAÚDE MENTAL: SABERES, PRÁTICAS E HISTÓRIAS DE VIDAS



domingo, 19 de outubro de 2008

O SER AMOROSO

Quem é o iluminado? No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os outros, que são indignos.Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação a " realidade" (convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem-vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda admirável.Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde passe. Porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor,porque sorrir e é feliz.(José Angelo Gaiarsa, psiquiatra, introdução de A Carícia Essencial, Uma psicologia do Afeto, de Roberto Shinyashiki)
Mais uma vez um obrigado especial a Ismênia Reis e seu grupo de Biodança. Um espaço de dialogicidade, de escuta e acolhimento. Onde a dança é uma carícia. O Ninho luta para oferecer esta "terapia complementar" a tantas pessoas que vivem com transtorno mental e que só tem acesso a medicação. Sonhos se realizam. Vamos acreditar, Biodança me "cura".

CARTA DE PERNAMBUCO ( portadores de Alzheimer )

Nós, do CUIDAR DE IDOSOS e da ABRAz (www.cuidardeidosos.com.br -- www.abraz.org.br) estamos fazendo uma ampla campanha em favor dos portadores de Alzheimer e de suas famílias, divulgando a CARTA DE PERNAMBUCO. É um manifesto dirigido aos nossos gestores de saúde e às autoridades políticas,com recomendações sobre o que a comunidade brasileira e, em especial, a ABRAz deseja para uma melhor qualidade de vida para os portadores.
Agradecemos de coração e estamos coletando assinturas eletrônicas, esperando chegar a 100 mil!
O endereço para assinar o manifesto é: http://www.cuidardeidosos.com.br/2008/08/15/congresso-de-alzheimer-faz-manifesto-as-autoridades-brasileiras/
Abraços,
Márcio Borges
geriatra
CUIDAR DE IDOSOS

sábado, 11 de outubro de 2008

10 DE OUTUBRO: DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL (O SILÊNCIO COMO PROTESTO)

Prática do Movimento Negro é fazer silêncio sobre o treze de maio, oficialmente conhecido como o dia da abolição da escravatura. Que a princesa Isabel assinou a lei Áurea. Festejam politicamente o vinte de novembro, dia da Consciência Negra, aniversário de morte de Zumbi, lider negro do quilombo dos Palmares. É uma forma de protesto porque o movimento considera que pouca coisa mudou para maioria da população negra desde a abolição.
O Dia Mundial da Saúde Mental foi instituído pela OMS, não encontrei a data exata. Mas ontem tudo que li oficialmente publicado por órgãos públicos que falam de transtornos mentais, seu gestores falam das dificuldades de implantação e mudanças de cultura na forma de tratar de quem vive com transtornos mentais.
Infelizmente acho que transformaram este dia, num dia de festejos para quem está internado. Aqui em Teresina e Brasil afora, todas as secretarias municipais de saúde anunciaram atividades com seus pacientes em seus CAPS, em praças, almoço, caminhadas... os hospitais psiquiátricos que não têm assessores de imprensa, mas com certeza fizeram suas festas com seus "crônicos e agudos", numa terminologia do livro Estranho no Ninho.
E felizmente o grosso da tropa está aqui fora... como diz a piada. Não se discute com seriedade e intervenção a questão do aumento da ideação suicida. A posição jurídica do louco inflator. A repressão sexual imposta aos loucos. A política capitalista da indústria do psicotrópico. O combate permanente ao estigma e a discriminação a pessoa que vive com transtorno mental.
Nós estamos aqui fora, vendo, vivendo, acompanhando situações de coação, de discriminação, abuso, descaso com muita gente, que com certeza, recebendo a ajuda médica, psicológica, espiritual, humana, necessária, viveria com maior qualidade de vida e produtivamente.
Como diz uma amiga epilética... "Caras, quando estamos bem, fora do surto, contribuímos pra caramba!"

sábado, 27 de setembro de 2008

PROCURA-SE DOÍDO COM JUÍZO!

É possível, medicados, com os sintomas em remissão. Somos capazes de estudar, e sermos bons alunos, trabalhadores competentes, pais, mães, só é necessário oportunidade e que esta sociedade nos dê também as cotas, condições também especiais, adaptadas as nossas limitações. É justo.

Mais uma eleição municipal, com vários candidatos que vêm da área da saúde, até médicos da área da saúde mental, mas não se ouve nenhuma proposta para saúde mental. Construção de mais CAPS, imprescindivelmente um CAPS- i, sem aspecto hospitalar, mais ligado a reabilitação psicossocial de crianças e adolescentes em idade escolar, CAPS 3, ainda corremos para urgência do HAA (graças a Deus!). Eu não tenho muito tempo de ver os programas eleitorais e parece que não houve comícios em meu bairro até agora. Mas não ouvi ou vi nada relacionado, ou muito menos um candidato ligado ao movimento de usuários. Gostaria de ver!

Mas essa introdução é para divulgar dois importantes serviços existentes em Teresina, que passa despercebido para muita gente que vive com transtorno mental:
APOIO PARA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA (informativo divulgado por jornais e endereçado às coordenações dos cursos na UFPI)
...O estudante com deficiência que necessitar ou desejar de um monitor para acompanhá-lo, nas atividades acadêmicas, durante três horas/dia, durante o curso de gradução. Esse monitor tem a remuneração de uma bolsa de 200, 00 reais.
Geralmente esse serviço é utilizado principalmente pelos alunos cegos. No caso do transtorno mental, o aluno tranca o curso. Acho importante uma mudança de cultura, um aluno monitor, para o transtorno mental poderia ser brevemente orientado por uma equipe de CAPS ou movimento de usuários, o Ninho se dispõe a isso.
Contatos e informações sobre o serviço:
SG 14 (referência em frente R.U) Fones:3215-5645 ou 3215-5642 E-mail:cacom@ufpi.br

SINE
Projeto:" Trabalho para todos"
Uma funcionária me informou que este projeto encaminha pessoas com deficiências para o mercado de trabalho, empresas privadas, é preciso ter alguma formação específica, ensino fundamental, médio ou mesmo superior, conhecimentos de informática, etc.
Documentos:
- CTPS
- Identidade
- Certificado de cursos, se houver.
- PCD (pessoa com deficiência), precisa de laudo médico
No caso do transtorno mental, mas uma quebra de cultura, ou luta contra o estigma e preconceito sobre a incapacidade do louco e periculosidade, seu atestado tem que constar que você está ou esteve em tratamento psiquiátrico e está em plenas condições de sanidade mental.
Fui informada que nunca houve um encaminhamento
Endereço: Av. José dos Santos e Silva esquina com Davi Caldas
Fones: 3221-3075/3221-2941/3221-2940

Épreciso acreditar que temos direitos a uma cidadania conquistada por nós. Não a uma cidadania tutelada.

domingo, 21 de setembro de 2008

ANDANÇA : com Ismênia Reis


"Minha vida é andar..."

Não é por este país, como Luís Gonzaga. Minhas andanças são pelos diversos grupos sociais de minha terra: espaços humanos, cuja geografia aguça minha intuição, na busca de desvendar o mistério do ser humano e de favorecer a expressão que se queda adormecida no fundo de cada um de nós.
Andança é um antigo projeto de relatar as experiências de Biodança e Educação Biocêntrica ao longo de 24 anos de trabalho com os mais diversos grupos de pessoas. Grupos institucionais, grupos
de pessoas com transtornos mentais, grupos de professores, de alunos, crianças da periferia, educadores sociais, estudantes universitários e grupos de terceira idade.

"Tenho visto tanta coisa neste mundo do meu Deus": da dor intensa à alegria inocente, do grito de raiva à explosão do amor, dos gestos despedaçados à dança plena de harmonia. Dentro e fora dos grupos de Biodança, mas sobretudo neste espaço destinado à indução da vivência biocêntrica.

Ismênia Reis

Mestra, trechos iniciais do seu livro, Andança pelos Caminhos da Educação Biocêntrica (EcoCópia,2008). Há pessoas que nascem com um dom, Professora Ismênia nasceu com um dom de ser fada, fada que dança. Uma dança que faz o corpo "filosofar", o cérebro vivenciar suaves expansões da consciência. Serena a mente e a alma sai levada pelo vento. Meu muito obrigada pela serenidade em meu coração, cabeça, tronco e membros, provocada pelas vivências tão bem conduzidas por sua sensibilidade, energia e vigor, neste final de semana.
Mais sobre Biodança, o link está aí ao lado.

sábado, 20 de setembro de 2008

I Congresso Brasileiro de Saúde Mental

Congresso Brasileiro de Saúde Mental
3, 4 e 5 de Dezembro de 2008 • Florianópolis • Santa Catarina

Link para I Congresso Brasileiro de Saúde Mental

http://www.congressodesaudemental.ufsc.br/

O evento tem como objetivo promover, historicamente, as aproximações necessárias entre os diversos atores sociais, os usuários, os familiares, os profissionais e os acadêmicos que fazem deste campo de práticas e saberes um dos mais vibrantes no âmbito do Sistema Único de Saúde. A realização do I CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE MENTAL atende a uma necessidade na perspectiva da consolidação de um sistema de saúde que tem como princípios a integralidade, a universalidade de acesso e a descentralização.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A DEPRESSÃO PARA ALÉM DA SEROTONINA


Na faixa do militante: A normalidade não existe.
QUANDO O CUIDADOR É PACIENTE...
Durante dois anos e meio que passei como estagiária extra-curricular, bolsista, no plantão de urgência do Hospital Areolino de Abreu, omiti o fato de ser ex-paciente, em parte para me proteger dos preconceitos, em parte porque realmente na época eu nem sabia da existência de movimentos de usuários, movimento antimanicomial, etc. Não havia em mim uma consciência de "loucura" enquanto subjetividade, que vai além da concepção de doença, elaborada por uma noosologia psiquiátrica, de difícil classificação clínica, porque ainda não há parafernália eletrônica que detecte transtornos mentais, este ou aquele. Ainda estamos nas mãos dos bons ou maus psiquiatras.
Nessas minhas experiências próximas aos profissionais atuantes na área, tenho vários fatos a relatar em relação a percepção e convivência destes com colegas "pacientes", que tomam um ansiolítico "fraquinho", aqui, acolá. Há sempre uma necessidade de esconder. Geralmente alguns colegas de trabalho são mais hipocondríacos. Observe. Tem sempre alguém dizendo que sente uma dorzinha, gastrite que piorou, sinusite, cólicas menstruais... mas ninguém diz logo pela manhã: _ Gente, tou num surto psicótico. Ou _ Acho que meus sintomas bipolares estão agindo, meu humor tá oscilando...
Marta Evelin, Terapeuta Ocupacional, corajosa mulher antimanicomial, estará na palestra, A Depressão para além da Serotonina, junto a antropóloga e psicanalista Lídia Noronha e o psiquiatra Rhalf Trajano, falando não como profissional, mas como usuária, pessoa que vive com este transtorno, no próximo dia 16, terça-feira, às 16:00 horas, no auditório Noé Mendes, na
Universidade Federal do Piaui.
O evento faz parte do projeto Cajuína Sociológica, do renomado professor Francisco Junior. Imperdível.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ESCOLA INCLUSIVA E A CRIANÇA QUE VIVE COM TRANSTORNO MENTAL


Em Teresina temos um CAPS i (Centro de Atenção Psicossocial Infantil), uma das modalidades de tratamento na comunidade, preconizado pela Reforma Psiquiatra. O CAPS i Martinneli Cavalca, foi instalado antes da implantação de outros tipos de CAPS aqui no Piauí. Pertence ao Secretaria de Saúde do Estado, em vez do município a quem cabe executar esta política. Somente em 2006, foi regularizado enquanto CAPS, antes era mais um anexo do Hospital Areolino de Abreu, o que culturamente não deixou de ser. É o único centro de referência em saúde mental destinada a crianças e adolescentes pelo SUS.
Presta um serviço ambulatorial, com acompanhamento psiquiátrico (medicamentoso), psicológico, fonoaudiológico e infelizmente, não há na equipe pedagogos, psicopedagogos, ou qualquer outro especialista em educação. Parece ainda que se trabalha na concepção centrada na doença. Esquece-se que este indivíduo está em idade escolar, que tem potencialidades e capacidades a serem desenvolvidas, levando em conta as limitações do transtorno, como no caso de quaisquer outra criança portadora de necessidades especiais, como os cegos e surdos. Diga-se de passagem que em Teresina o CAS e o CAP, centros de apoio para surdos e cegos fazem excelente trabalho. São instalados em ambientes que mais parecem escolas que hospital. E trabalham também nas limitações das políticas públicas, com voluntários, serviços prestados, etc.
Constantemente pessoas ligadas as escolas públicas, estaduais ou municipais nos procuram com queixas, indignação, desconhecimentos de onde e como encaminhar crianças diagnosticadas ou não, para um serviço psiquiátrico, que ofereça um acompanhamento terapêutico e apoio pedagógico de qualidade para que estas crianças permaneçam em sala de aula regular, com aproveitamento e qualidade de vida pessoal.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O MITO DA DOENÇA MENTAL - 2


Ao comparar a bruxaria com a doença mental, é importante lembrar que o conceito tradicional de doença baseia-se meramente na dor, no sofrimento e na incapacidade. Portanto, o sofredor, o próprio paciente, é quem primeiro se considera doente, é quem primeiro se considera doente, para depois então ser considerado doente pelos outros. Emtermos sociológicos, o papel de doente em medicina é tipicamente definido pela própria pessoa.
O conceito tradicional de doença mental, ou insanidade, baseia-se precisamente em critérios opostos. O alegado sofredor (especialmente o "psicótico") não se considera nem doente nem incapacitado. O papel do doente mental, portanto, é frequentemente imposto às pessoas contra sua vontade. Em suma, o papel do doente mental em psiquiatria é definido por outros.
[...] Em outras palavras, enquanto o papel de paciente é assumido na esperança de uma cura pessoal, quando imposto ele o é na esperança de controle social. (Szasz, p.179)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O MITO DA DOENÇA MENTAL - 1


A TEORIA DO BODE EXPIATÓRIO

Creio que a bruxaria representa a expressão de um método particular por meio do qual os homens procuravam explicar e dominar diversos males da natureza. Incapazes de admitir a ignorância e o desamparo, e igualmente incapazes de adquirir a compreensão e o domínio de diversos problemas físicos, biológicos e sociais, os homens procuravam refúgio em explicações expiatórias. As identidades específicas dos bodes expiatórios postulam que se a pessoa, a raça, a doença, ou o que não pode ser dominado for subjugado ou eliminado, serão resolvidos os problemas.
Enquanto os médicos endossam entusiasticamente a idéia de que as bruxas foram mulheres histéricas erradamente diagnosticadas, os cientistas sociais defendem a visão de que elas eram bodes expiatórios da sociedade. Concordo plenamente com essa última interpretação, e tentarei demosnstrar de que maneira exatamente a teoria do bode expiatório é superior à teoria médica. Além disso, argumentarei que não é errôneo apenas considerar as bruxas como histéricas erradamente diagnosticadas como bruxas, mas também considerar as pessoas atualmente "doentes" com histeria, ou outras doenças mentais, como pertencentes à mesma categoria das pessoas fisicamente doentes.

Thomas S. Szasz, 1974

quinta-feira, 31 de julho de 2008

CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE SAÚDE MENTAL DE UNIÃO - 18 /19/AGOSTO


O Estado do Piauí realizou a I Conferência Estadual de Saúde Mental em outubro de 2001. O município de Teresina nunca promoveu nenhuma. Fala-se que acontecerá uma Conferência Nacional em Brasília em 2009. A preocupação do movimento de usuários representados pela Âncora e Ninho é mobilizar os municípios para que realizem suas conferências, suprindo a necessidade e importância da presença de representantes numa possível conferência estadual e naturalmente um considerável número de representantes para a nacional.
O município de União sai na frente, promovendo sua I Conferência Municipal de Saúde Mental. Parabéns pela iniciativa aos guerreiros, comandados não, "orientados" pela T.O. e coordenadora do CAPS, Marta Evellin, grande antimanicomial.

Mais uma de União:
Boas leituras no livro,União em Saúde Mental (Experiências relacionadas à saúde mental no município de União - Pi)/Lúcia Cristina dos Santos Rosa; Marta Evellin de Carvalho Bona -Teresina: EDUFPI,2007. São 14 artigos com temáticas pertinentes e instigantes para quem está fazendo ou pensando a reforma psiquiátrica no Piauí.

terça-feira, 29 de julho de 2008

HUMANIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO


A CNTE - (Confederação Nacional de Trabalhores em Educação) e o LPT (Laboratório de Psicologia do Trabalho - UNB), realizaram uma mega pesquisa em todo o país, sobre as condições de trabalho e saúde mental no país: professores, funcionários e especialistas em educação da rede pública estadual. Os resultados publicados no livro organizado por Wanderley Codo, no livro Educação: carinho e trabalho/ Bournout, a síndrome da desistência do educador, que pode levar a falência da educação,1999, segundo Codo não existem na literatura internacional uma definição única para Bournout, é considerado uma espécie de stress laboral crônico. Diferente do stress comum, esse stress causado pelo Bournout, envolve atitudes e condutas negativas em relação ao tratamento ao usuário, cliente,organização e trabalho. É uma síndrome da desistência que acomete profissionais da área da saúde e educação quando veêm muitas vezes seus recursos pessoais, serem incapazes de solucionar problemas cotidianos do seu trabalho. O trabalhador não se emociona mais, não se envolve mais, não cria vínculo afetivo diante da impossibilidade de executá-lo.
Nas escolas estaduais ouve-se um burburinho entre professores, as regionais estão constantemente cheia de professores para resolver problemas relativos a questão de faltas e descontos por elas. Não é o caso de se fazer uma pesquisa para saber o porquê da ausência desse professor? Promover ações de motivações ou mesmo terapêuticas para ajudá-lo. Puní-lo com a falta e retenção do contra-cheque, apenas constrange, não dar voto e não resolve o problema.
Faça-se como na prefeitura, projeto-piloto, Terapias Alternativas para Docentes, executado pela professora e Terapeuta Naturista, Vera Lúcia Bezerra, na E. M. Barjas Negri, que tem ajudado muito no combate ao stress e o cansaço cotidiano de muitos professores. Humanização, melhor que punição.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O CANTO DOS MALDITOS



Livro que deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças

... Cada vez mais rebelde dentro do hospício, já não sabiam mais que castigo me dar. Vivia sob o efeito da Tortulina. Enfiava o pedaço de pau na boca e, mesmo sob esse efeito, eu aprontava uma briga, apanhava, ou quebrava alguma coisa. Um dia peguei uma vassoura e sai pelo corredor estourando todas as lâmpadas que via. Fui amarrado a uma cama em um dos quartos. Os enfermeiros gostavam de tirar uma casquinha. Grudavam esparadrapos nos pêlos das minhas pernas e puxavam - eu lhes cuspia e levava mãozada na cara... eu xingava, cuspia, chorava de raiva! Podiam me arrebentar, eu estava cheio de tudo e de todos. Se algum crônico me abrisse a cabeça, seria um favor. O Orlando cortara os pulsos e iria cortar de novo se sua mãe não o tirasse daquele lugar nojento. Esquecidos pelos psiquiatras cometas. Sua mãe o tirou. Eu também iria fazer algo semelhante!
Sedavam-me ao máximo.
Carrano

quinta-feira, 24 de julho de 2008

HGV & HUT (ENQUANTO ISSO NA SAÚDE MENTAL)


Toda a imprensa hoje em Teresina, nos jornais e telejornais se mobilizava, entrevistava médicos e gestores sobre a transferência imediata do pronto socorro do HGV (Hospital Getúlio Vargas) para o "histórico, esperado e recém-inaugurado" HUT (Hospital de Urgência de Teresina), ou pronto-socorro da prefeitura. Para nós população, fica as variadas falas: não tem estrutura, do jeito desumano, em cochonetes no chão, no corredor, paciente "comprando" maca no PS do HGV e os leitos recém construídos confortáveis é que não pode ficar. Os médicos não aceitam as condições de pagamento da prefeitura, o prefeito não quer pagar os médicos como deveria. Eles já abriram mãos de muitas vantagens, em assembléia geral da categoria (???). E o ministério público avisa que omissão de atendimento é crime. E daí, o parente já morreu, perdeu a perna, etc.

... ENQUANTO ISSO NA SAÚDE MENTAL
. Estive ontem no meu psiquiatra, o de sempre, consultório pequeno, lotado, mais de 20 pacientes para nove cadeiras na ante-sala de espera.
. Estive hoje com minha filha surda numa clínica de otorrino. Pertence a quatro donos, tem vários ambientes climatizados, decorados com o bom gosto da fotografia de Antônio Quaresma, até no banheiro. Um parquinho infantil com vários brinquedos, internet (dois computadores), jogos eletrônicos, uma lanchonete de boa qualidade, várias televisões de plasma espalhadas pelas paredes dos ambientes, jornais do dia. E um excelente atendimento por parte das funcionárias. Que inveja! Minha filha só precisa repetir a audiometria uma vez por ano.

.Uma amiga ontem, outra hoje, me falam de certa colega nossa, com duas graduações, que está em crise psicótica, delirando (falando besteira) segundo elas. Me pedem segredo. Perguntam sobre o que fazer. Ora, santo desconhecimento, sobre as questões de saúde mental! Se alguém está delirante, fazendo coisas bizarras, tirando a roupa em qualquer lugar, com mania de perseguição, é necessário uma intervenção psiquiátrica. Só ter pena de alguém que "era bom do juízo" e perdeu a sanidade não resolve. O que nós gostaríamos é que essa intervenção fosse feita por uma boa equipe de CAPS. Aí, eu lembro de apaixonante texto dos italianos Giuseppe dell Àcqua e Roberto Mezzina, psiquiatras do Serviço de Saúde Mental de Trieste, Resposta à crise: Estratégia e intencionalidade da intervenção no serviço psiquiátrico territorial.
Eles dizem no tópico O Contato, que muitas vezes "não se consegue ativar os mecanismos que poderiam aliviar a carga dramática da situação e isso, de modo geral, diz respeito a quem é mais sozinho, com menores recursos, com menores meios cognitivos e de relação com o mundo externo. Pode então acontecer que a pessoa, de maneira obstinada, recuse a contato e tenda a isolamento maior. O serviço deve, a este ponto, multiplicar as "banais" estratégias de aproximação: telefonemas, envio de mensagens por baixo da porta, envolvimento de outros sujeitos (como amigos, o padre, o guarda civil, o encanador, etc.) ou mesmo buscar o encontro em locais diversos." Poderíamos até ser mais criativos, importante é que a amiga da amiga, intelectual, com família pequena, possa receber ajuda que amenize seu sofrimento psiquíco. Nesse momento sonho com a construção de um movimento de usuários pautado no suporte e ajuda mútua. Sem rabo preso aos serviços.

. A imprensa não falou mais sobre o fechamento ou não do Sanatório Meduna, que continua com seus leitos lotados. O Hospital Areolino de Abreu está reformando o espaço da urgência/emergência. Não consegui identificar quem serão os maiores beneficiados, funcionários que agora terão proteção de vidro e telas em todas as situações de contato com o paciente ou se tem alguma coisa que esteja sendo reformada para o conforto dos que ali adentram em situação de emergência. Preciso voltar lá no final da obra. Preciso saber de o Ministério Público tomou conhecimento? Se a obra está de acordo com normas de humanização preconizadas para urgências/emergências, previstas pelo Humaniza-SUS.

. Pois é...

terça-feira, 22 de julho de 2008

KINGSLEY HALL


Com base na noção de que a psicose é uma realidade semelhante ao estado de viver em sonho, não é simplesmente uma doença a ser eliminada através dos choques elétricos e psicotrópicos da tradição ocidental, mas, como em outras culturas, um estado de transe que poderia até mesmo ser valorizada como místicas ou shamântica, esforçou-se para ser um espaço em que permitisse que as pessoas esquizofrênicas explorassem a sua loucura e caos interno.
Foi uma experiência da antipsiquiatria inglesa, uma comunidade terapêutica "progressista... ninho de reflexão, onde continua sendo chocado o ovo de uma nova psiquiatria." (O que é psiquiatria alternativa, Alan Indio Serrano, coleção primeiros passos)

VIAGEM ATRAVÉS DA LOUCURA - I

AS pinturas e a merda de Mary

Mary lambuzava merda com a habilidade de um calígrafo zen. Ela liberava energias com uma de suas muitas pinceladas naturais, espontâneas e não-conscientes do que a maior parte dos artistas expressa, em toda uma vida de trabalho. Eu me maravilhava com a elegância e eloquëncia de sua imagística, enquanto os outros enxergavam apenas seus cheiros.
Seria a pintura a estrada real para o inconsciente de Mary? Poderia ela fornecer um meio de revelar os mistérios de seu mundo interior? Eu estava decidido a descobrir. Enquanto esperava até Mary está suficientemente firme, antes de sugerir que ela experimentasse crayons papel branco, além dos produtos de seu corpo e as paredes da sala de visitas, lembrei-me das palavras de John Thompson: "Esteja atento para as maneiras através das quais os homens se revelam!" John ilustrara esse conselho com um relato de como conseguira comunicar-se com um rapaz que passara muitos anos com "esquizofrênico catatônico" no pavilhão dos fundos de um hospital de Nova York.

Mary Barnes & Joseph Berke,1977 (Sobre a experiência de Kingsley Haal)


domingo, 20 de julho de 2008

DIÁRIO PÓS-CRISE



Nilo Neto mantinha em seu blog Antimanicomial a frase "Um surto sempre é possível"... eu acho que andamos sempre sobre o fio da navalha, nós psicóticos. Há um medo constante de passar para o lado de lá, ou seja, o lado que a insanidade está calma, te esperando. Havia na minha caixa de mensagem um pedido de ajuda (infelizmente antigo, não tenho tido tempo de acessar), um jovem esquizofrênico dizia que após seis anos de tratamento, o médico lhe informava que ele estava apto para o trabalho. Então, angustiado ele pedia ajuda: se os sintomas voltassem mais fortes, outra crise, se... se... que medo temos dessa mente que constantemente nos engana, que dribla o poder das medicações, das psicoterapias, da fé. E assustadoramente nos incapacita não só para o trabalho, mas para o amor, se um surto sempre é possível, o único amor possível, cheio de medos e auto-piedade e piedade pelo outro. Talvez ser cuidado, mas há um auto decreto da incapacidade de cuidar do outro. Normal, da norma racional da vida. Dois doidos é uma loucura!
Viver constantemente com a previsão da possibilidade de um surto é "paranóia" ou um auto cuidado? Pessoas que vivem com transtornos mentais, trabalham, criam filhos, estudam, enfim que se expõe o stress da vida cotidiana, evidentes que terão uma possibilidade maior de adoecerem. Agora dá para entender as preocupações do rapaz, vivemos numa sociedade que ainda não está preparada para aceitar nossas limitações, principalmente o mundo do trabalho.
Nos últimos anos criou-se uma cultura da diversidade e inclusão de pessoas com necessidades especiais. Rampas para cadeirantes, sinal de trânsito sonoro para cegos, popularização da língua brasileira de sinais, etc... Na área da saúde mental, talvez porque infelizmente, historicamente somos tutelados, não protagonistas de nossa própria defesa, o preconceito, auto-preconceito prevalece e o medo. Um medo que nos congela, "pânico" de não sermos capazes, mesmo que tenhamos talento, criatividade, iniciativa, mas estamos cá, do lado da normalidade, ansiosos ( tomando nosso santo ansiolítico ), esperando a vida passar. Quem sabe depois do quarenta consigamos casar?


terça-feira, 10 de junho de 2008

DIZEM QUE SOU LOUCO... mas juro que é melhor não ser um normal.


Estou aqui há meia noite, "intelectual braçal", num trocadilho sartreano. Mas preciso denunciar. Qualquer dia saio nua na rua, dessa vez sem surto, só em forma de protesto. Não será uma visão muito agradável, doida nua, depois dos quarenta.

Minha bronca:
Dia 23 de abril na perícia médica do IAPEP, o perito, clínico geral, pergunta o que sinto. Olha para o atestado, pergunta pela última receita. Falo que esqueci, mas estando em tratamento desde agosto de 2007, tenho em mãos, a receita de outubro de 2007. Ele insinua que sem receita, meu médico, poderia ser apenas um amigo meu, me ajudando a fraudar o sistema. Nega a licença de 60 dias, me dá apenas um atestado de 15 dias.
A direção da escola não quis nem saber. Voltei ainda em crise aguda bipolar, trêmula. A vice diretora insistiu que eu estava de licença, eu afirmando que não. Não entregou meus vales transportes do mês de maio, informou os dias do atestado como faltas, que foram descontadas. Trabalhei quinze dias do mês de maio com limitações, chegou a greve, aderi. Por está doente e por acreditar no movimento que reinvindicava mais que a questão salarial, mas melhorias de condições de trabalho e qualidade na educação.
Voltei ontem (09/06, segunda) a greve acabou quinta. Novamente me deparo com a intolerância e patologia da maldade dos "normais". De novo me negaram os vales transportes, pior, arbitrariamente formularam um documento afirmando que eu havia abandonada a escola, não havia dado uma aula no mês de maio e para assumir minhas turmas já havia sido designado um estagiário . E novamente houve um desconto maior no contracheque do mês de maio. Ainda bem que tenho as chamadas assinadas e testemunhos dos alunos. Surtei de indignação. Me sentia sem sintomas. Tive uma crise de pânico diante dessa situação limite, e o tremor voltou ao corpo.
O colega e também professor marido da vice-diretora, fez uma cirurgia no joelho e gozou de três meses de licença médica. É maravilhoso quando nossos direitos são repeitados. Ele paga imposto de renda, eu também. Mas não posso adoecer da mente, da emoção, ainda é doença fingida.

Bronca 2:
Dias 29/30/31 realizamos o II Encontro Piauiense da Luta Antimanicomial, dias antes, de 19 a 24 Associação Piauiense de Psiquiatria fez um "contra-movimento", com palestras gratuitas num shopping da cidade, afirmando está esclarecendo a comunidade sobre transtornos mentais e combatendo preconceitos e estigmas. Já falei e torno afirmar a comunidade que frequenta o shopping vai a um consultório (desconfortável como clínica de aborto clandestina), paga psicoterapia e busca um atestado de normalidade, o controle e a cura. É um "mutante" desprezível. Nas periferias, nas escolas públicas, no seio dos trabalhadores em educação e saúde é que é preciso fazer prevenção, monitorar a síndrome de Bournau. Diagnosticar com precisão e acompanhar crianças filhas de pais psicóticos. Que haja uma psiquiatria infantil resolutiva que impeça que psiquiatras manicomiais só os aguardem para internação integral aos dezoito anos.

Bronca 3:
Acredito que ainda por desconhecimento, não descaso, não quero acreditar nisso. Porque respeito muita gente dos movimentos sociais, não conseguimos ainda sensibilizá-los dentro de suas causas próprias para o ativismo em saúde mental. Não compareceram a contento. Mas continuaremos a provocá-los a interlocução: movimento negro, negro enlouquece, numa incidência sugestiva para uma pesquisa, mulher enlouquece e usa mais medicação psicotrópica que o homem, também merece pesquisa. É trágico a situação das pessoas soro positivas nos serviços psiquiátricos, infelizmente, pela segunda vez não conseguimos conversar com alguma entidade representativa. No desespero da crise, a família em sua busca de aliviar seu sofrimento e do ente amado, costuma levar sua dor, às casas espíritas ou umbandistas, também não conseguimos ouvir relatos dessas experiências, que podem ser somadas a redes de apoio e suporte.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

II ENCONTRO PIAUIENSE DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM: Trabalho em Enfermagem: Construindo uma nova prática social"



De 21 a 24 de Maio está acontecendo esse encontro, que me surpreendeu pelo número de participantes de estudantes dos municípios do interior e de outros estados. Estive lá, numa roda de conversa sobre movimentos sociais e saúde, representando o movimento de usuários em saúde mental adeptos da luta antimanicomial. Infelizmente de dez segmentos de entidades ligadas ao movimento social em saúde, somente nós e o MORHAN estivemos presentes. Os movimentos sociais perdem excelente espaço de atuação, quando desperdiça oportunidades como essas de levar o debate para estudantes sequiosos de aprender com a realidade, que a formação acadêmica não oferece o bastante, senão nos campos de estágio ou pesquisa. Esses futuros profissionais entre outras coisas, queriam debater com os movimentos sociais as questões de saúde coletiva, a concepção do Sistema Único de Saúde (SUS), sua viabilidade num sistema capitalista, de estado neoliberal e cidadãos sem consciência de direitos. Queriam entender como se articulam as políticas sociais e as questões de saúde, as questões da formação em saúde e real atuação nos serviços após formados. Senti saudade da época de centro acadêmico e diretório central dos estudantes.
Falamos, discutimos saúde mental, hanseanise e a saúde do trabalhador. Falas mais politizadas, mais próximas da realidade, falas mais ingênuas (talvez na sala houvesse uns 50 estudantes com menos de 27 anos), mas uma palavra velha conhecida nossa, era a ordem: Luta.

domingo, 18 de maio de 2008

18 DE MAIO: DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL


Diário da Crise

Hoje dia 18 de maio é um dia de denúncias e comemorações para aqueles que têm consciência política e consciência que vive com transtorno mental sem esconder-se e assume a causa da luta antimanicomial no Brasil.


Meus sintomas agudos parecem finalmente estarem em remissão. Tento voltar a escrever a monografia, mas ainda há um certo desconforto mental após um esforço de concatenação de idéias. Tento me acalmar e continuar. Os problemas cotidianos e a maternidade me extenuam o que acentua o aparecimento dos sintomas, menos psicóticos, mais oscilações do humor. Mas leve, como impaciência, irritabilidade, sem ansiedade. Acho que estão num padrão normal a reação aos eventos, reações que qualquer pessoa sem o transtorno demonstraria.
Reafirmo que minha melhora é resultante da busca da medicação que mais se ajusta a meu organismo (mesmo levando em conta os efeitos colaterais), e a associação com terapias complementares. Dessa vez, a orientação correta do psiquiátrica que diante dos sintomas psicóticos não se adiantou, apenas refez o ansiolítico que havia acabado e manteve o estabilizador do humor e as sessões de terapia auricular, as últimas com acumputura.
Estou com quase impeceptível "desordem mental", característica das crises, mais serena e produtiva.
Hoje é um domingo de sol, não vou à piscina, volta a minha rotina da escrita. Graças a Deus.

terça-feira, 13 de maio de 2008

DIÁRIO DA CRISE: 3

"Os homens
pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui"
"Há pessoas que amam o poder,
e outras
que tem o poder de amar"
Bob Marley

Acho que os sintomas psicóticos entram em remissão. O psiquiatra tinha razão, quando o ansiolítico começou a agir. Reduziu minhas reações de desespero antes as situações limites, que se apresentavam no meu dia a dia me causando o stress, que puxavam os sintomas bipolares. Tenho estado serena, triste por conta do término de um relacionamento, mas não deprimida. Na mão coloca-se outros anéis. E põe-se óculos coloridos. Faz um sol e um perfume silvestre maravilhoso, dos arbustos perto da escola. É meio dia e meio. Esperamos terminar o dia bem, ainda trabalho à tarde e noite. A perícia médica me negou licença médica e ainda insinuou fraude, minha e de meu psiquiatra. Não tive forças para discutir no momento. Depois na militância pegarei de cheio aquele médico. Há momentos que só você pode domar sua loucura, senão não volta mais a lucidez.
13 de maio

segunda-feira, 12 de maio de 2008

DIÁRIO DA CRISE: 2


12 DE MAIO

Desde ontem me sinto menos frágil, o aumento da dosagem do ansiolítico e manutenção da mesma de estabilizador, junto com as psicoterapias parecem finalmente ajustar minha emoção. Meu espírito parece se fortalecer. Apesar que ainda ontem a noite, a mente bastante inquieta, reproduzia as vozes que ouvira durante o dia. Tentei relaxar para calá-las e dormi razoavelmente bem.
Hoje fez uma manhã de maio linda. Parou de chover e o sol de Teresina brilhou como nunca, cheio de vento, nuvens brancas e o azul do céu. Lucidez!
Com 300mg de estabilizador mais 2mg de ansiolítico, eu diria que tive hoje uma vida produtiva média. Tive paciência e alguma sorte em resolver alguns negócios e algumas coisas muito boas me aconteceram, que superaram alguns dissabores afetivos. Me sinto uma árvore forte, de muitos galhos, numa floresta densa entre outras. Vento fraco e nem vento forte nos derruba, pertinho corre um rio que nos cumprimenta as vezes sereno, outras vezes agitado. É a vida.

DIÁRIO DA CRISE:1

09 de maio

Aniversário do meu amigo Ciro. O estabilizador e o ansiolítico fazem a parte deles, mas parece não ser suficientes. De manhã fui a terapeuta naturista, que também é pessoa que vive com transtorno e produtivamente... fiz a terapia auricular chinesa, segundo ela, com as sementinhas e do in. No final da manhã realmente a inquietação mental era bem menor que ontem. A tarde fiz massoterapia com relaxamento. Resolvi coisas do dia a dia, mais calma hoje. A noite tomei passes espiritas, sempre nas crises ajudam no meu reequilíbrio. Foi um dia de me cuidar. Filha pequena ao lado. Comprei um vestido azul.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A LUTA PELA SANIDADE; não perder noção de realidade, continuar produtiva e razoavelmente feliz.


"Não sei....se a vida é curta
Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que escorre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida
É o que faz com que ela
Não seja nem curta nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira....pura,
Enquanto durar."

Cora Coralina

Uma bela amiga diagnosticada como boderline, me retorna uma mensagem dizendo que eu teria me tornado uma referência para que ela não desistisse da luta constante contra os sintomas... outra linda amiga me manda este scrap com este poema de Cora Coralina, amputada, anjinha de uma asa só, escreve só com um braço. Minha filha surda é uma talentosa bailarina. Me preocupo com o stress de uma amiga terapeuta, correndo, literalmente para os CAPS do interior. Diversidade humana...
Passo mais um dia afastada do trabalho. O psiquiatra (me acompanhou no "grande surto" na antiga pré internação do Hospital Areolino de Abreu, não lembro dele) me explica que o fato da ausência do ansiolítico, que acabara a uns cinco dias atrás, talvez estivesse provocando o aparecimento de sintomas psicóticos. Que são os mais incapacitantes: vozes, alucinações, delírios, impaciência exarcebada , agressividade, e ou outros.
Que a vida seja longa, como foi a vida da poetisa acima. E a lucidez, a capacidade de perceber, de criar, fazer arte, amar, se indignar e lutar. Luta boa de heróis cotidianos. Viva a Marta. Viva a Sandra. Viva a Liza. Viva a Mirra. Viva o Humberto.Viva o Nilo. Viva o Carrano. Viva meu pedreiro, que não tem nenhum cabelo no corpo, por conta de uma febre (?), ele me diz: Pavio longo, não esquente ainda, pavio longo...

terça-feira, 6 de maio de 2008

O MEDUNA FECHOU: VIVA O DR. CLIDENOR!

http://180graus.brasilportais.com.br/geral/sanatorio-meduna-vai-encerrar-atividades-5547.html

Conheci de perto Dr. Clidenor, idealizador e criador do Meduna. Na sua época,1940, dirigindo o atual Hospital Areolino de Abreu, foi considerado o Pinel Piauiense..."enfilerou os seus doentes e foi com eles para a rua, para uma praça, depositar 1450 quilos de correntes de ferro ao sol, num testemunho de repúdio e de desafronta. Aquela tonelada de ferro ficou como um monumento marcando a divisão da era da ciência psiquiátrica no Piauí:antes e depois de Clidenor." (citado em Panorama da Assistência Psiquiátrica no Piauí)
Estávamos num fórum sobre saúde mental no auditório Mestre Dezinho, em 1997. Ele me cumprimentou e falou:" Você fala bem. E foi paciente do Meduna. Tá vendo, como dá certo."
Apaixonado por Dom Quixote, consta que há uma biblioteca sua com um acervo de trezentas edições nas mais variadas línguas, dessa obra. Sem falar na estátua de bronze na entrada do sanatório, com Rocinante e tudo. É isso, os homens fazem história.

domingo, 27 de abril de 2008

DA NECESSIDADE DE RESIGNIFICAR A VIDA TODOS OS DIAS: MAIS TARDE COMPRAREI CEBOLAS...


Longos anos de convivência com o transtorno, como paciente, como cuidadora, na militância incisiva em defesa de um melhor atendimento nos serviços psiquiátricos em Teresina. Acordei hoje com esse termo caro a clínica da reforma psiquiátrica: a necessidade que temos, nós que convivemos constantemente com a instabilidade dos sintomas (acredito que não só os bipolares), mas com esse bicho de sete cabeças, multi facetado, do qual somos hospedeiros, o transtorno mental. Uma amiga soro positivo diz que tem o bichinho da maçã. Quando a conheci era início da década de noventa, ela continua muito bem, casou novamente, se tornou avó e tem um lindo sorriso. Militante cidadã positiva. Um desses exemplos que nos permite olhar acima do nosso umbigo.
As crises ciclícas (bipolares) que me acometem há quase um ano me reensinam a cada dia que as estratégias de convivência com a doença que me deixaram fora de crise por dezesseis anos, precisam ser reatualizadas, como se reatualiza um antivírus para o computador. O que parece é que as manifestações dos sintomas estão mais resistentes a medicação, trocadas várias vezes e as terapias complementares que sempre fui adepta... ou de uma forma mais pessimista ainda: transtorno mental e o stress da vida moderna, são realmente incompatíveis. Vivemos em uma sociedade que cria novos loucos a cada dia. Produz pânico, fobia social, e como naqueles filmes de ficção, que as pessoas não se tocam mais para o coito sexual, alguns fazem somente sexo virtual, para em hipótese alguma ceder, ao amor romântico, à idéia de família, à mesa com os filhos e a preocupação em dar uma infância feliz para eles. Chamem-me de bucólica, é disso que nesse momento preciso. Uma bela paisagem verde, com bichos ruminando, velhos e crianças suaves, humanos.
Depois do "grande surto" de 1991, já famoso nestes meus escritos, decidi nunca mais ser infeliz todo dia, cada dia de lucidez, que a roupa me fica ao corpo, que uso o banheiro e uso o caixa eletrônico, sendo dona do meu dinheiro, começo e termino namoros sem passar por uma internação integral, porque infelizmente amor é emoção de risco para nós psicóticos. Sendo que na nossa cultura pós-moderna as relações de gênero constituem-se a meu ver, uma das piores relações interpessoais. Não há escola que se aprenda senão a do caráter e da bondade.
Mais tarde irei ao mercado comprar entre outras coisas que faltam na cozinha, cebolas brancas, porque são mais baratas que as roxas...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

AGONIA E MORTE DE UM MONSTRO SOCIAL: FECHAMENTO DO SANATÓRIO MEDUNA


"Para que as cabeças dos internados sejam mantidas limpas, e para que o seu possuidor seja facilmente classificado, é eficiente raspar seus cabelos, apesar do dano que isso causa à aparência. Com fundamentos semelhantes, alguns hospitais para doentes mentais verificaram que é útil extrair os dentes dos "mordedores", fazer histerectomia em mulheres com tendência para promiscuidade sexual, e realizar lobotomias em briguentos crônicos." Erving Goffman, Manicômios, prisões e conventos, livro de 1961. Onde chama o manicômio de animal social e os pacientes de objetos humanos.

O Sanatório Meduna foi inaugurado em 1954 e consta como um dos mais importantes fatos ocorridos no século XX no Piauí. Logo à entrada encontramos uma grande estátua de bronze de Dom Quixote. Em crise aguda em 1991, delirante, vestida de lençóis azuis, porque era a própria Nossa Senhora Aparecida, com um monte de terços na mão, de madrugada, quase morri de medo do próprio diabo montado naquele cavalo. Tudo negro à noite... durante o dia, me molhei horas debaixo de uma bica, me parece, e dancei numa roda de mulheres loucas que giravam, giravam, molhadas sob o sol. Um desorientado, não conta os dias, nem localiza-se no espaço. Só sabia que estava presa, numa enfermaria escura, chamada de porão, onde ficam as mais agitadas. Lembro das grades, das camas fedorentas e de mulheres idosas amarradas à cama, contidas na línguagem da enfermagem. Como Santa Teresinha, precisava aliviar o sofrimento delas. Alguns minutos na posição do crucificado, era como continham àquela época, o antipsicótico e outros medicamentos associados no coquetel psi que aplicam, fazem sua boca ficar seca, muito seca, dói... então eu enchia minha boca de água e rapidamente molhava os lábios dela, já que não me deixavam dar água a elas. Interpretando que eu beijava aquelas mulheres, e realmente chegava a desamarrar alguma delas, me continham no lugar delas, para que eu aprendesse a lição.
Mesmo no delírio se alguém houvesse me explicado onde eu estava e o motivo das contenções, acredito que teria entendido. Sai bem machucada desse pavilhão. Pra minha casa, amigos me resgataram, convenceram minha mãe que eu não era louca (?), pediram minha alta e me levaram para casa, impregnada, babando.

A uns dois anos atrás visitei uma amiga lá. Passou a mão no cabelo e os piolhos andavam sobre os dedos dela. Exigi que o serviço de enfermagem aplicasse medicação e me deixasse usar um pente fino. O que não me deixaram que fizesse.

Fiz um pouco mais por outra amiga, consegui com o Serviço Social a transferência dela do "porão"
das agitadas para uma enfermaria mais calma.

Ambas orientadas, mantidas em internações longas, um mês ou mais, porque a família acredita que o hospital cura e vai devolver o paciente são ou o mantém lá como uma espécie de punição.

O fechamento do sanatório na atual conjuntura da reforma psiquiátrica, conclui-se: a loucura não é mais bom negócio, o grupo empresarial que está com intenções de compra não pretende gerir o hospital. Seu 200 leitos irão, na política da SESAPI, via Gerência da Saúde Mental, dividir-se em leitos em hospitais gerais, serviços de referência em álcool e drogas também em hospitais gerais e finalmente se o município não fizer, o Estado se ver na obrigação de abrir os CAPS III, serviço substitutivo aberto 24 horas.

Que o prédio se transforme no que de melhor tem o capitalismo, de beleza, assepsia, deslumbramento consumista aos olhos: um shopping center.



PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.