domingo, 30 de outubro de 2011

GERENCIANDO SINTOMAS

Todos os meses tenho um pré-surto no período pré-menstrual. Nem o psiquiatra e nem o ginecologista nunca deram jeito. Acho que estou sintomática com todo o pavor que sentimos a uma crise aguda. E de repente a menstruação desce e é como o cérebro tivesse sido destampado. Alívio.
Fazer a medicação rotineira. Sair para passear, a qualquer custo, disposta a relaxar, ajuda. Ou fazer outra atividade em grupo, acolhedor de preferência, tenho  tendência a fobia social, fico com vontade de ficar quieta dentro de casa. Sozinha, os monstros tomam forma. Então lá vou eu com filhinha comer quaisquer coisa nos bares, pizzarias, lanchonetes ou sorveteria e vou parando pelo caminho. Deixo a logorréia solta e o botão ligado, do ouvido que diz também: escutar. Filhinha encontra amiguinhas em todo lugar. As pessoas exclamam que estou saudável. Volto mais "resiliente", com menos mau humor. Tomo chá para digestão. Penso em dormir. Até mais amigos do Ninho.
Falando em relaxar a Mostra de Direitos Humanos com entrada franca é uma boa tentativa. Bom escolher o documentário ou filme lendo a sinopse, quase todos são baseados na realidade, bom observar se seu humor suporta, se vai melhorar ou piorar seu ânimo, mas geralmente tenho gratas surpresas, com abordagens temáticas que só enriquecem a todos como seres humanos e cinema de qualidade sempre é bom, seja pela história em si ou pelos recursos os mais diversos usados pelo cineasta, sem necessariamente ser recurso especial.

6ª MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL

TERESINA


Theatro 4 de Setembro - Sala Torquato Neto
123 lugares
(86) 3222.7100
R. Álvaro Mendes, S/Nº - Centro
ENTRADA FRANCA



03/11 - QUINTA-FEIRA
19h00 - Sessão de Abertura
DOCE DE COCO - Allan Deberton (Brasil, 20 min, 2010, fic).
TEMPO DE CRIANÇA - Wagner Novais (Brasil, 12 min, 2010, fic).
MÁSCARA NEGRA - Rene Brasil (Brasil, 15 min, 2010, fic).
Classificação indicativa: 14 anos
04/11 - SEXTA-FEIRA
14h00
TEMPO DE CRIANÇA - Wagner Novais (Brasil, 12 min, 2010, fic).
ARQUITETOS DA NATUREZA - Cléa Lúcia (Peru/ Brasil, 25min, 2011, doc).
TAVA - PARAGUAI TERRA ADENTRO - Lucas Keese/ Lucía Martin/ Mariela Vilchez (Argentina/ Brasil/ Paraguai, 70 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: 10 anos

16h00
BALA PERDIDA - Maurício Durán Blacut (Bolívia, 52 min, 2010, doc).
NO FUTURO - Mauro Andrizzi (Argentina, 60min, 2010, fic).
Classificação indicativa: 10 anos

18h00
ORQUESTRA DO SOM CEGO - Lucas Gervilla (Brasil, 13 min, 2010, doc).
POLIAMOR - José Agripino (Brasil, 15 min, 2010, doc).
CAMPONESES DO ARAGUAIA - GUERRILHA VISTA POR DENTRO - Vandré Fernandes (Brasil, 73 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 10 anos

20h00
ARAGUAYA - A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO - Ronaldo Duque (Brasil, 105 min, 2005, fic).
Classificação indicativa: 12 anos
05/11 - SÁBADO
14h00
DOCE DE COCO - Allan Deberton (Brasil, 20 min, 2010, fic).
CORTINA DE FUMAÇA - Rodrigo Mac Niven (Brasil, 88 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 12 anos

16h00
CABRA CEGA - Toni Venturi (Brasil, 107 min, 2005, fic).
Classificação indicativa: 14 anos

18h00
BICHO DE SETE CABEÇAS - Laís Bodanzky (Brasil, 74 min, 2000, fic).
Classificação indicativa: 14 anos

20h00
CENTRAL DO BRASIL - Walter Salles (Brasil, 112 min, 1998, fic).
Classificação indicativa: 16 anos]
06/11 - DOMINGO
14h00
SOBRA UMA LEI - Daiana Di Candia/ Denisse Legrand (Uruguai, 36 min, 2011, doc).
PEQUENAS VOZES - Óscar Andrade e Jairo Eduardo Carrillo (Colômbia, 76 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 10 anos

16h00
CHUVAS DE VERÃO - Carlos Diegues (Brasil, 93 min, 1977, fic).
Classificação indicativa: 16 anos

18h00
MORANGO E CHOCOLATE - Tomás Gutiérrez Alea/ Juan Carlos Tabío (Cuba/ México, 110 min, 1993, fic).
Classificação indicativa: 14 anos

20h00
A TERRA A GASTAR - Cássia Mary Itamoto/ Celina Kurihara (Brasil, 6 min, 2009, animação).
OS INQUILINOS (OS INCOMODADOS QUE SE MUDEM) - Sérgio Bianchi (Brasil, 103 min, 2010, fic).
Classificação indicativa: 14 anos
07/11 - SEGUNDA-FEIRA
14h00 - Sessão Audiodescrição
DIÁRIO DE UMA BUSCA - Flávia Castro (Brasil/ França, 105 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 10 anos

16h00
CAFÉ AURORA - Pablo Polo (Brasil, 19 min, 2010, fic).
CONFISSÕES - Gualberto Ferrari (Argentina/ Brasil/ França, 90 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: Livre

18h00
A GRANDE VIAGEM - Caroline Fioratti (Brasil, 15 min, 2011, fic).
AVÓS - Carla Valencia Dávila (Equador/ Chile, 93 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: Livre

20h00
DAMA DO PEIXOTO - Allan Ribeiro/ Douglas Soares (Brasil, 11 min, 2011, doc).
QUEM SE IMPORTA - Mara Mourão (Brasil, 96 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: 10 anos
08/11 - TERÇA-FEIRA
14h00 - Sessão de Audiodescrição
DOCE DE COCO - Allan Deberton (Brasil, 20 min, 2010, fic).
TEMPO DE CRIANÇA - Wagner Novais (Brasil, 12 min, 2010, fic).
MÁSCARA NEGRA - Rene Brasil (Brasil, 15 min, 2010, fic).
A GRANDE VIAGEM - Caroline Fioratti (Brasil, 15 min, 2011, fic).
GAROTO BARBA - Christopher Faust (Brasil, 14 min, 2010, fic).
O PLANTADOR DE QUIABOS - Coletivo Santa Madeira (Brasil, 15 min, 2010, fic).
Classificação indicativa: 14 anos

16h00
ACERCADACANA - Felipe Peres Calheiros (Brasil, 20 min, 2010, doc).
A OCUPAÇÃO - Angus Gibson/ Miguel Salazar (Colômbia/ EUA/ França, 88 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: 12 anos

18h00
GAROTO BARBA - Christopher Faust (Brasil, 14 min, 2010, fic).
ASSUNTO DE FAMÍLIA - Caru Alves de Souza (Brasil, 13 min, 2011, fic).
COPA VIDIGAL - Luciano Vidigal (Brasil, 75 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 12 anos

20h00
D.O.R - Leandro Goddinho (Brasil, 4 min, 2010, doc).
SILÊNCIO 63 - Fábio Nascimento (Brasil , 23 min, 2011, doc).
E A TERRA SE FEZ VERBO - Erika Bauer (Brasil, 77 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: 12 anos
09/11 - QUARTA-FEIRA
14h00
BARRAS E BARREIRAS, RETRATO DE KELLY ALVES - Riccardo Migliore (Brasil, 38 min, 2011, doc).
QUATRO LITROS POR TONEL - Belimar Román Rojas (Argentina/ Venezuela, 70 min, 2010, doc).
Classificação indicativa: 12 anos

16h00
DO OUTRO LADO DO MURO - Eleonora Menutti (Argentina, 12 min, 2010, doc).
ENTRE VÃOS - Luísa Caetano (Brasil, 20 min, 2010, doc).
VOCACIONAL, UMA AVENTURA HUMANA - Toni Venturi (Brasil, 77 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: Livre

18h00
O PLANTADOR DE QUIABOS - Coletivo Santa Madeira (Brasil, 15 min, 2010, fic).
MÁSCARA NEGRA - Rene Brasil (Brasil, 15 min, 2010, fic).
UMA NOVA DANÇA - Nicolás Lasnibat (Chile/ França, 23 min, 2010, fic).
Classificação indicativa: 14 anos

20h00
GRAFFITI QUE MEXE - Coletivo Graffiti com Pipoca (Brasil, 13 min, 2011, animação).
LICURI SURF - Guilherme Martins (Brasil, 15 min, 2011, doc).
CÉU SEM ETERNIDADE - Eliane Caffé (Brasil, 70 min, 2011, doc).
Classificação indicativa: 10 anos
http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2011/html/apresentacao.html

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

POLITICA DE SUPORTE A ATENÇÃO BÁSICA: OS NAIFs

Começou o desmonte da Saude Mental em relação a atenção ad:. Até acho que essa junção deveria ocorrer no futuro. O problema é a pressa. A espertisse ainda é nossa. Não sei se os NASFs darão conta.
Opinião de Edmar Oliveira



25/10/2011
Núcleos de Apoio ao Saúde da Família devem crescer cinco vezes

Com as mudanças, cerca de quatro mil municípios poderão estruturar estas unidades. Investimento do governo federal será superior a R$ 400 milhões por ano
 Com o objetivo de fortalecer a rede “Saúde Mais Perto de Você”, o Ministério da Saúde definiu novos critérios para que as secretarias municipais de saúde estruturem novos Núcleos de Apoio ao Saúde da Família (NASFs). Além da ampliação das categorias e especialidades profissionais que poderão atuar nos NASFs, o governo federal simplificou os critérios para a implantação dos Núcleos. A partir de agora, os Municípios que tiverem mais de duas Equipes de Saúde da Família poderão aderir ao NASF. “As novas regras vão permitir que mais de 3,9 mil municípios possam contar com os NASFs. Com previsão de implantação de pelo menos um Núcleo nos municípios que anteriormente não poderiam aderir ao programa, prevemos um impacto financeiro por ano de cerca de R$ 403 milhões”, explica o diretor da Atenção Básica do Ministério da Saúde, Hêider Pinto.

A nova portaria que institui a Política Nacional de Atenção Básica foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (24). A classificação e a forma de composição dos Núcleos também sofreram alterações. Serão duas modalidades de unidades: NASF Tipo I, em que a soma das cargas horárias semanais dos profissionais que atuam no apoio às Equipes de Saúde da Família (ESFs) deve acumular, no mínimo, 200 horas semanais; e NASF Tipo II, em que os profissionais acumularão, no mínimo, 120 horas semanais. Nas duas modalidades, nenhum profissional poderá ter carga horária semanal inferior a 20 horas.

Com os novos critérios, a estimativa do Ministério da Saúde é que a quantidade de NASFs em todo o país salte de 880 podendo chegar a 4.524. Os Núcleos são constituídos por equipes multiprofissionais que trabalham afinadas atreladas, vinculadas às ESfs. Nos Núcleos, os profissionais desenvolvem atividades como consultas conjuntas, educação permanente, discussões de casos e ações de educação em saúde com a população. Com a ampliação das competências dos Núcleos, o Ministério da Saúde aumenta em até quatro vezes a capilaridade de resolutividade da Estratégia Saúde da Família. “As ESFs passam a contar com a retaguarda de vários profissionais. Como conseqüência, amplia-se a capacidade de assistência à população”, observa Hêider Pinto.

Os municípios que aderirem ao NASF Tipo I receberão, do Ministério da Saúde, R$ 20 mil para a implantaçao do Núcleo e mais R$ 20 mil mensais para o custeio das equipes. A modalidade Tipo II contará com R$ 6 mil para implementação do NASF e mais R$ 6 mil mensais de custeio. Os recursos serão repassados do Fundo Nacional de Saúde para os fundos municipais de saúde.

AMAZÔNIA LEGAL – Outra novidade instituída pela nova Política Nacional de Atenção Básica são as Equipes de Saúde da Família para o atendimento à população ribeirinha da Amazônia Legal e do Pantanal Sul Matogrossense. Além da composição básica, as ESFs Ribeirinhas e Fluviais deverão contar com um microscopista (nas regiões endêmicas) e um técnico de laboratório e/ou bioquímico.

“É uma modalidade diferente das atuais Unidades Básicas Fluviais porque as novas ESFs Ribeirinhas e Fluviais serão equipes fixas, que atenderão populações que vivem ao longo dos rios”, afirma Hêider Pinto. Elas deverão prestar atendimento à população por, no mínimo, 14 dias por mês (carga horária equivalente a 8 horas por dia) e, durante dois dias, realizar atividades como educação permanente, registro da produção e planejamento das ações.

CONSULTÓRIOS DE RUA – A nova portaria também transfere para a Atenção Básica o atendimento à população em situação de rua a partir da atuação de equipes de Consultórios de Rua, até então inseridas na Política Nacional de Saúde Mental. O objetivo do governo federal é ampliar o acesso aos SUS para essas populações e ofertar, para esses usuários, atenção integral à saúde.

As equipes dos Consultórios de Rua deverão cumprir carga horária mínima semanal de 30 horas e o período de atuação delas deverá ser adequado à demanda das pessoas em situação de rua, podendo ocorrer em período diurno e/ou noturno e em todos os dias da semana. “Estamos seguindo a determinação da presidente Dilma Rousseff de levar o serviço à população que tem mais dificuldade em acessar as Unidades Básicas de Saúde”, destaca Hêider Pinto. Outra mudança é na forma de financiamento destas equipes, que passa a ser feito por meio de repasses financeiros do Fundo Nacional de Saúde para os fundos municipais de saúde (e, não mais, por meio de editais). “Isso dará mais segurança aos gestores locais do SUS e maior sustentabilidade ao programa”, completa o coordenador de Atenção Básica.

FINANCIAMENTO – A nova Política Nacional de Atenção Básica prevê, ainda, possibilidades de aumento dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde. A base de cálculo continua sendo per capita; mas, o município poderá receber recursos financeiros complementares estabelecidos a partir da análise de especificidades regionais. “Serão levados em conta, por exemplo, indicadores de saúde e necessidades da população e da região. Os municípios que comprovarem maior necessidade vão receber mais recursos, cuja variação será de R$ 18 a R$ 23 anuais por pessoa”, afirma Hêider Pinto.

Os gestores do SUS também poderão ter acréscimo nos recursos repassados pelo Ministério da Saúde a partir de melhoria na infraestrutura dos NASFs e Equipes de Saúde da Família; da implantação de estratégias e programas prioritários na Atenção Básica; da qualificação das equipes, por meio da adesão ao Programa de Requalificação das Unidades Básica de Saúde; e também a partir de resultados da avaliação do acesso e da qualidade, tal como o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ). “Esse é o maior aumento de recursos que foi dado à Atenção Básica desde que ela foi criada, em 2006. É um investimento importante totalmente vinculado ao desempenho das equipes”, reforça o coordenador.

SAÚDE DA FAMÍLIA – O Brasil tem 32.029 mil Equipes de Saúde da Família, responsáveis por uma cobertura de mais de 101 milhões de pessoas em todo o território nacional. Cada equipe é responsável por uma população de 2,4 a quatro mil habitantes (entre 700 e mil famílias). As ESFs desenvolvem ações de promoção da saúde, prevenção, cuidado continuado e reabilitação. Com atenção básica de qualidade, cerca de 80% dos problemas de saúde da população podem ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde.


Por que o município de Teresina não tem NASF? Consultório de Rua eu não sei quem é? Onde encontrar?É  um serviço da FMS não divulgado. Mistérios desta cidade...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NORMALIDADE NÃO EXISTE!

Saudade de Nilo Neto, companheiro de Floripa.
Conversando com Ailton falamos de conhecido psiquiatra por quem temos carinho e tememos por sua saúde mental. Lúcia Rosa em sua nova pesquisa trabalha com o sofrimento psiquico do trabalhdor nesa área. Algumas profissionais do Serviço Social, acredito por ficarem com a função de viabilizar na equipe a solução das questões sociais, questões maiores de inclusão que independem delas individualmente numa sociedade que ainda nega uma identidade positiva para a pessoa com transtorno mental, estigmatiza e discrimina, parecem-me bem mais afetadas na sua saúde que psicomatizam, conheço algumas que adoecem fisicamente com mais frequência, pode até ser resultado de estresse crônico do contato direto numa nova clínica que exige mais que um "paciente colaborativo", mas que ele esteja integrado na comunidade.
Deveremos cuidar do cuidador, seria bem interessante a oferta de várias práticas integrativas e complementares pelos gestores para estes profissionais, desde a yoga, Biodança, danças circulares, práticas da medicina chinesa, caminhadas orientadas a um spa em Parnaíba. Não é delirio leitores, reconheço andando pelos  serviços o cansaço, o estresse que pode ocasionar outras doenças a este trabalhdor (a).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TARJA PRETA NA TESTA: SEM PRECONCEITO!!!

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011.

Assembleia Legislativa lembra Dia Mundial da Saúde Mental

A Assembleia Legislativa do Piauí homenageou hoje, com uma sessão solene, o Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado no último dia 10 de outubro. Foi a primeira vez que o Legislativo piauiense lembrou a data. A sessão, bastante prestigiada, contou com a presença de vários deputados, autoridades e diretores da Secretária de Estado da Saúde, além da secretária Lilian Martins. Antes da abertura dos trabalhados foi realizada uma apresentação do coral do Centro de Atenção Psicossocial de União.

O deputado estadual Tadeu Maia Filho, autor do requerimento da sessão, disse que a Assembleia Legislativa deu mais um passo significativo ao lembrar a data pela primeira vez.
“Só o fato de estarmos pela primeira vez abordando essa temática, já é uma data histórica. Estamos aqui hoje reunidos para ressaltar a importância da saúde mental em nossas vidas. A saúde mental é fundamental para manter nosso equilíbrio emocional, tomar decisões. Quando falamos em saúde mental visualizamos uma pessoa com doença mental, mas é justamente o oposto”, afirmou o parlamentar.

Para Tadeu Maia, a população e poder público devem dar as mãos por esta causa. “O Piauí hoje está com uma grande política positiva para a saúde mental. Hoje já são 44 Caps em todo o Piauí. É uma noticia que nos deixa bastante animado”, afirmou.

Leda Trindade, gerente da Coordenação de Saúde Mental da Sesapi, disse que a sessão realizada pela Assembleia mostra que a causa não é solitária. “Muitos de nós se perderam no meio do caminho por falta de um suporte. Outros foram jogados à margem, vitimados pelo preconceito e pela tarja preta afixada na testa. Estamos fazendo a nossa parte”, afirmou.

De acordo com a gerente, o Piauí possui hoje 44 Caps, sendo que a meta é chegar a 54 até fevereiro de 2012. “Estão em processo de implantação, a liberação de leitos psiquiátricos nos hospitais gerais, sendo dez no Getúlio Vargas, como também nos hospitais regionais de Picos, Parnaíba, Floriano, Campo Maior, Piripiri, Piracuruca, Amarante e Água Branca”, afirmou.

A secretária de estado da Saúde, Lilian Martins, lembrou os 10 anos da Lei 10.216, que institucionaliza a Política Nacional de Saúde Mental. “Essa lei é a construção do SUS na Saúde Mental, ou seja, ela dá uma base de apoio para tratamento. Hoje o tratamento tem uma base de apoio mais comunitário, na sua cidade. É um modelo de atenção aberto com base nos serviços na comunidade. O paciente fica mais inserido no contexto social em que ele vive”, declarou.


Para Lilian Martins, a sessão realizada pela Alepi proporcionou um momento que serve de alerta para a população.  "Estamos tratando de forma diferente a Saúde mental. A saúde pública tem que estar atenta a esse quadro. No mundo hoje são 420 milhões de pessoas com transtorno mental”, destacou a gestora.


Após o encerramento de seu discurso, Lilian Martins entregou um certificado com uma arte feita por um paciente de CAPS, ao presidente da casa, Themistocles Filho, como forma de agradecimento pela iniciativa de comemorar a Dia Mundial da Saúde Mental.


Graças às políticas adotadas pela Sesapi, atendendo ao que determina a reforma psiquiátrica, em 2011 o Hospital Areolino de Abreu reduziu em 50% o número de internações. Atualmente, três residências terapêuticas acolhem 30 pessoas com transtornos mentais. A Secretaria de Saúde já concluiu o projeto do Centro de Referência Feminino em tratamento e recuperação AD- Álcool, crack e outras drogas. Estão sendo implantados três CAPS AD III, 24 horas, em Teresina, Floriano e Parnaíba. O Piauí é o quarto do Brasil a instalar CAPS nesta modalidade.

Não conheço o deputado Tadeu Maia Filho. Será que ele conhece um CAPS? Interessante como este governo "atrai" estranhos para o ninho da saúde mental. Não entendi, falar em saúde mental e só visualizar gente normal, equilibrada emocionalmente. Eu hem? E as pessoas que vivem e convivem com transtornos mentais, usuários e seus familiares. Doença mental existe.
O coral maravilhoso de União (cheguei já no final da solenidade, estava com minha filha na terapia fonoaudiológica, não a deixo mais para militar pela saúde mental neste governo), a regente foi logo me contando que tinha sido sumariamente demitida pelo prefeito de União. Que também não sei quem é. Uma pena. Enviei email para a gerência, prefeito chato sô!!!
Mas minha politica é manter minha saúde. Militei pelas beiradas. Consegui conversar com Dr. Carlos Alberto e Dr. Edwirton, o primeiro é um apaixonado pela saúde mental infantil e o segundo, jovem psiquiatra, trabalha também em CAPS e preside a APP, pedi ajuda destes para o fortalecimento da luta pela implantação dos ambulatórios infanto- juvenis nas periferias, sonhando com equipes multiprofissionais: psiquiatra, psicólogo escolar de preferência e psicopedagogo clínico pelo menos. Agradeço sempre a atenção de ambos, acredito que sinceras, sinto que não é aquela coisa "de vamos ouvir a louca, pra não contrariar". Quanto ao CAPS i a secretária já bateu o martelo, vai reformá-lo, sem obedecer o MP, sobre a retirada deste do espaço hospitalar, entreguei para Nossa Senhora Aparecida. Agora é entre Dra. Lilian e a santa, vença a mais poderosa.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

GERÊNCIA DE SAÚDE MENTAL: TEMPORARIAMENTE NO HAA

Nossa nota de solidariedade a todas e a todos trabalhadores da SESAPI. Deus dê luz a secretária. E recomendo um remedinho com o psiquiatra, a cabeça para de zuar e não faz vergonha nenhuma, chorar é que  dá aflição nos outros, comoção rima com descompensação. As perdas com o incêndio serão recuperadas a longo prazo. O importante é recomeçar.
Mais ou menos em 2006 escrevíamos que o HAA colaborava com o processo de reforma psiquiátrica no Piauì. Foi muito significativa a experiência de adaptação dos usuários que sairíam para as primeiras residências terapêuticas, destacando-se o trabalho de técnicas dedicadas como Fátima Alves e Marta Evelin. E tantos outros momentos "históricos" seus técnicos, seus espaços fizeram parte, vide toda a obra de Lúcia Rosa e companheiros coordenados por ela.
Enviamos email a equipe sugerindo que temporiamente poderiam se instalar no HAA. O que será excelente para vários técnicos da gerência que nunca trabalharam diretamente com paciente psiquiátrico. E reconheçamos que estamos em um momento de muita concordância e harmonia entre GSM e HAA, que sob direção de dois psiquiatras que também tem a experiência dos CAPS, acredito que teriam muito a contribuir nesse recomeço também para SESAPI/Gerência de Saúde Mental.

domingo, 23 de outubro de 2011

LEDA TRINDADE

Nossos sinceros agradecimentos a pessoa de Leda Trindade, gerente de saúde mental da SESAPI a nos ajudar na articulação de ajuda a Luana, moça de Santa Filomena. O contato com Leda fez muito bem para Aurenísia fortalecer-se e voltar ao movimento de saúde mental. Aurenísia ficou realmente feliz.
O caso do CAPS de Ipiranga, tendo seu processo novamente estimulado em conjunto com Inhuma, deixando Carleide, secretária de saúde do município mais tranquila e esperançosa em resolver suas demandas.
E outros casos,  não citados por falha de memória, senão resolvidos, mas encaminhados para rede, agradeço a porta sempre aberta e a tolerância elegante depois de nossas brigas. Agradeço as outras amigas da equipe, que nossa parceria continue. Só tem uma pedra no caminho, a reforma do CAPS i . Por que as melhorias que virão com esta reforma não podem ser fora do endereço do HAA? Mais territorializado perto de uma grande comunidade periférica? Por que não concretizamosa a luta contra o estigma, a marca invisível que somos marcados desde criança e precisamos está sendo atendidos num complexo de um hospital psiquiátrico? 
Obrigado pelo convite para solenidade na ALEPI alusivo ao dia da saúde mental. Mas a vontade é passar no MP e pedir a execução definitiva do cumprimento do TAC que obriga a saída do CAPS i das dependências do HAA que venceu em 15 de janeiro.
Vejamos como amanhecerá meu humor: bom para ouvir político ou advogados.

ESTRESSE E SAÚDE ESPIRITUAL NO TERREIRO

Acabei de chegar da FEUBRA ( Federação Umbandista Brasileira) e Rádio Comunitária Itamarati, fui a um programa de entrevista falar sobre estresse e saúde espiritual no terreiro. Programa Voz da Umbanda com mestre Itamar, mestre por gentileza, esforço, paixão pela causa. Pessoa leve e destemida. Grande parceiro nas redondezas.

sábado, 22 de outubro de 2011

UM TELETON PARA CRIANÇAS COM TRANSTORNOS MENTAIS

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL NA ALEPI


A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) realizará na próxima segunda-feira (24), às 10h, uma sessão solene alusiva ao Dia Mundial da Saúde Mental. A iniciativa partiu da secretária de Estado da Saúde, Lilian Martins, e teve proposição aprovada através de requerimento do deputado estadual Tadeu Maia Filho.
Será a primeira vez que a Assembleia Legislativa irá destacar a data. Na oportunidade, será promovido um debate entre os parlamentares estaduais, enfermeiros, médicos e assistentes sociais, sobre os rumos da Saúde Mental. A sessão celebrará os 10 anos da Lei 10.216, que institucionaliza a Política Nacional de Saúde Mental.
Na oportunidade, também será lançado um catálogo com trabalhos realizados por usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O trabalho é considerado pela gerência de Atenção à Saúde Mental como a primeira mostra de arte insensata do Piauí.
Para a gerente responsável, Lêda Trindade, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), juntamente com os deputados, reconhece a importância dos serviços desta área para o tratamento dos pacientes. “Nada mais justo de que o nosso Legislativo reconhecer o destacado serviço que estamos realizando: são seminários, capacitações e, principalmente, o atendimento nos CAPS espalhados pelo Piauí”, destaca.
Participarão da mesa de honra da sessão solene psiquiatras, diretores de hospitais psiquiátricos, pacientes e representantes de movimentos ligados à saúde mental.
Modernização dos CAPS
Com um atendimento médio mensal de 1.872, o CAPSi (Infanto-juvenil), mantido e gerido pelo Governo do Estado, através da Sesapi, é referência no quesito de atendimento e atenção à saúde mental, à criança e ao adolescente, no Piauí.
A unidade está localizada no bairro Primavera, zona Norte da capital, atendendo a população de Teresina, de cidades vizinhas e até do Maranhão. “Agora, o CAPSi passará por uma grande reforma de ampliação e adequação, que já foi autorizada pela secretária Lilian Martins”, ressaltou Telma Evangelista, diretora da Unidade de Vigilância e Atenção à Saúde.
Com o apoio da Sesapi, outros CAPS serão inaugurados ainda neste semestre. Até agora, o Piauí conta com 39 CAPS, dos diversos tipos, e passará a contar com 54 CAPS, até o fim deste ano. “Floriano, Parnaíba e Inhuma, por exemplo, são algumas das cidades que receberão reforço na atenção à saúde mental, com a chegada dos novos CAPS”, destaca Leda Trindade.
Em Teresina, três Residências Terapêuticas realizam um trabalho intenso de acolhida a pessoas com transtornos mentais. As casas funcionam nos bairros Memorare (1), Porenquanto (1) e Vermelha (1), com uma coordenação e cuidadores treinados. Em cada residência cerca de seis a 10 pessoas que perderam vínculos sociais e familiares são acolhidas e assistidas.
180 Graus 


Hoje fui fazer visitas como assistente social de uma escola do município. Uma delas a familia (mãe) de um menino de 11 anos, aluno do sexto ano, antiga quinta série. A escola me enviou porque dois professores, conversei com eles, relataram o comportamento estranho do garoto: falar sozinho, fazendo ameças de enfiar caneta  na barriga de alguém... (inexistente?), de soltar uma bomba na escola, do nada solta gritos altos, escreve coisas desconexas nas respostas de provas, coisas que nada tem a ver com a disciplina e outros comportamentos atípicos.
A mãe muito armada, de cara, mesmo sem que eu tocasse em patologia mental, foi logo negando qualquer associação. Pedi que ela fosse a escola e ouvisse os professores, nada relatei, mas tentei fazer uma anamnese, a própria já "teve" depressão e usou remédios por três anos e tem um sobrinho doente mental. Então, saio de lá com uma sensação que começaremos um longo trabalho de conscientização da familia que aquela criança precisa de ajuda especializada e esbarra onde toda chance desse garoto não psicotizar aos 16, 17, ou antes ao usar alcóol ou drogas num local tão propicio onde mora? Esbarra nesse caps i/HAA, com um único psiquiatra atendendo, sem carros e a cultura da visita e acompanhamento domiciliar e aqui também escolar. Esse menino não tem nenhuma chance de diagnóstico e reabilitação precoce, será o louco incapaz de amanhã, com essa visão da medicina tradiconal, não digo, nem psiquiatria que a enfermeira Lilian Martins tem. Reformar  fisicamente o CAPS i não reformará sua cultura hospitalar.
Os técnicos da prefeitura não se dispõe a elaborar pelo menos um projeto de um CAPS i, os técnicos da GSM/SESAPI são questionam essa realidade já nas suas mãos através de mapeamento da SEMEC da existência por escola destas crianças, departamento de Educação Inclusiva, poderiam está buscando outras soluções mais efetivas em conjunto com a SMS que poderia ser o ambulatório de saúde mental infantil com psiquiatra, psicólogo escolar e psicopedagogo, na dificuldade ou falta de interesse, de sensibilização, para abertura de CAPS para crianças.
Sinto apenas uma imensa tristeza e uma saudade do meu primeiro psiquiatra, dos nove anos aos 18, Dr. Bezerra, não havia CAPS i, usei valiun (Diazepan), 5 mg desde criança., foi a escola que percebeu minhas primeiras crises, era uma menina nervosa e chorona. Tenho sequelas, claro, sou totalmente dependente de benzoadiazepínico, mas tenho funcionalidade, contribuo para produção, pago impostos e político ainda tira onda a hora que quer com o sofrimento do meu povo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A GRANDE INTERNAÇÃO DO SÉCULO XXI

SOBRE A AÇÃO CIVIL DE OBRIGAR O ESTADO DO TOCANTINS A
INTERNAR DEPENDENTES QUÍMICOS (Jornal do Tocantins 07/10/2011)

Eu entendo a seriedade com que o Ministério público, a Defensoria e a OAB se movimentaram para que uma ação civil, obrigando o Estado a internar dependentes químicos, viesse à tona. Entretanto, trata-se de uma atitude desesperada e até ingênua, isso é importante que se diga.
Desesperada, pois há muito se sabe que a internação, além de ser apenas uma etapa do tratamento, em lugar algum do mundo traz estatísticas animadoras no que se refere a recuperação do dependente, se vista de forma isolada.
Importante dizer também que ela é consequência de uma total desarticulação e falta de diálogo entre os segmentos da máquina pública, pois sabemos que a única forma de um combate mais efetivo ao problema das drogas é realizada através de ações conjuntas entre os diversos órgãos: Segurança Pública, Saúde, Cidadania e Justiça, Educação, Trabalho, Assistência Social, etc.
O que acontece, entretanto, é que com a ação pública em questão corre-se o risco de priorizar uma forma de tratamento que tem indicações técnicas específicas e que não atinge a necessidade de grande parte dos usuários, além de onerar tanto o estado que tornará o problema ainda mais agravado. Sinto profundamente pela falta de memória que temos enquanto cidadãos, uma espécie de amnésia histórica, tipicamente brasileira, pois há pouco mais de vinte anos esse era exatamente o modelo de tratamento mais usado para dependentes de álcool, cocaína e maconha, entre outras drogas, mas que não deu certo. Internava-se com a máxima facilidade e simplesmente nunca houve resolutividade, já que após 6 ou 9 meses internado, logo ao sair da clínica, lá estava o usuário se drogando de novo, perpetuando um ciclo de recaídas. Tratar da dependência de drogas sem uma rede constituída que trabalhe globalmente, inclusive com a família e a comunidade, é perda de tempo e de dinheiro público.
E isso por quê? Porque o problema das drogas é multifatorial e depende de inúmeras ações conjugadas que vão muito além de uma internação. Se antes não havia políticas específicas, hoje, o que não existe é o cumprimento delas. Atualmente contamos com uma ampla gama de portarias e projetos, temos verbas e incentivos variados, mas incrivelmente, ainda assim, agimos como desesperados correndo de um lado a outro sem nos comunicarmos adequadamente, trazendo o risco de reproduzirmos a mesma coisa que no passado já foi feita e não trouxe resolutividade.
É importante que se considere a internação, como disse, parte do tratamento e não o foco principal. Nesse sentido, medidas como essa da ação pública do MPE do Tocantins e como aquela do Rio de janeiro (de retirar à força os menores das ruas) são infantilizadas e demonstram a ingenuidade que citei. Falo infantilizadas porque é assim que uma criança faz quando não quer que um problema exista, isto, é, põe suas mãos sobre os olhos e simplesmente não vê mais o que está à sua frente. Não vendo, passa a crer que o problema também desapareceu. Estamos prestes a fazer a mesma coisa. Tirar o dependente químico de circulação causa uma falsa sensação de alívio à sociedade, pois parece que algo eficaz está sendo feito. Todavia, sem uma rede de ações estruturadas, nada de eficaz está sendo feito, salvo protelando para um futuro próximo o mesmo problema.
Pois bem então, e daí? O que efetivamente pode ser feito? Talvez a primeira coisa realmente efetiva a ser feita é o Ministério Público, a OAB, a Defensoria Pública ou o Judiciário, ao invés de obrigarem a internação de dependentes químicos, cobrarem, através de medidas legais, que os dirigentes do executivo (nas esferas estadual e municipal), cumpram portarias, leis e resoluções já existentes.
Que esses dirigentes, para isso, convoquem seus técnicos, secretários, diretores, superintendentes, a criarem grupos intersetoriais com poderes deliberativos para pensarem, discutirem e executarem ações interligadas, fazendo com sejam realmente cumpridas.
Cito aqui o exemplo de algumas dessas ações já previstas e priorizadas pela política nacional do Ministério da Saúde: ampliar os leitos de retaguarda para desintoxicação nos hospitais gerais (e alguns em clínicas especializadas para os casos indicados), implantar CAPs-ad III em cidades estratégicas (são serviços que internam usuários por vários dias), implantar as casas de acolhimento transitório (CATS) para moradores em situação de rua, incentivar as políticas de redução de danos, consultórios de rua e aquelas geradoras de renda (economia solidária), mapear a cidade, entendendo a dinâmica de fluxo que a droga tem naquela comunidade, investir na capacitação permanente dos profissionais da rede pública, fortalecer a repressão (diminuição da oferta), fortalecer políticas de prevenção através dos meios de comunicação, etc. Isso é eficaz e já existe, por que não se cumpre?
Curiosamente não são medidas de grande complexidade, dependem sim de vontade política e compromisso social, pois além de haver verbas federais destinadas a diversos programas, já há lugares que se utilizam amplamente de uma rede pública que dialoga entre si (o estado de Sergipe, as capitais Recife e Belo Horizonte, entre outros), sendo inclusive uma das pautas principais da meta de governo da nova presidente, o combate efetivo às drogas através de medidas intersetoriais.
O problema parece estar em desfazer uma espécie de Torre de Babel, onde ninguém entende ninguém e cada segmento tenta idealizar de forma individualizada ‘feitos espetaculares’, ‘programas salvadores’ isolados e fragmentados que, assim como essa ação civil, mesmo estando apoiada na legitimidade de órgãos sérios e competentes como o Ministério Público, Defensoria e a OAB, longe de resolver o problema, só irá criar outro ainda maior à medida que estourar os cofres públicos e se mostrar ineficaz (uma
vez mais na História).
Que ao menos essa ação pública sirva para demonstrar sua própria ineficácia e a incrível falta de comunicação que todos temos tido, estimulando, mesmo que de forma compulsória, o enfraquecimento de ideologias sectárias, (boa parte delas com interesses mercadológicos e que dominam secularmente a saúde mental), promovendo então, quem sabe, uma interlocução efetiva entre os diversos segmentos sociais.
O momento é grave e operacional, não ideológico, momento de unirmos forças com toda a sociedade, esquecendo inclusive divergências ideológicas, sejam elas científicas religiosas ou filosóficas. Que cada uma contribua com sua parte, suas idéias, reconheça seu lugar, mas não aja mais isoladamente como se detivesse a posse de alguma verdade. Juntos, ainda somos poucos para enfrentar essa dramática situação, porém, isoladamente somos verdadeiramente nada.

Lincoln J.C. Almeida
Médico psiquiatra e diretor técnico do CAPS-ad/Palmas

A polêmica da internação compulsória de dependentes químicos parece tomar conta de várias partes do país. Numa reedição da grande internação de século XVII,  citando Michel Foucault ( Historia da Loucura, ed. Perspectiva), deu início ao hospital e sua primeira especialidade médica, a psiquiatria. E agora, que bicho nascerá desse ovo de serpente? Segundo Foucault o grande internamento foi um caso de policia, policia como todo um ordenamento baseado numa sociedade do trabalho, onde não há espaço para o ocioso. Novamente a internação é um caso de policia, e como a observação foucaulteana "nossa filantropia bem que gostaria de reconhecer os signos de uma benevolência para com a doença, lá onde se nota apenas a condenação da ociosidade", página 64. Complemento: e o espanto paradoxal de uma sociedade que produz seus indesejáveis ADs, com a ausência de politicas sociais nos bolsões de pobreza do país, com a corrupção generalizada e ausência de familias mais felizes.

O texto nos chega por email da companheira Nercinda Heidrich, do Espirito Santo
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

UM DIA DE LOUCA PELA VIDA

DENÚNCIAS

Constantemente recebemos denúncias de situações de dificuldades passadas pelo nosso povo. Ainda não é senso comum a existência dos CAPS nos "territórios", parentes, vizinhos não tem por hábito ainda procurar estes serviços mesmo numa crise aguda. Ainda é comum deixar a crise ir se agravando até o pico e então chamam o SAMU junto com a policia e o destino é a urgência do HAA. A sorte de uma boa equipe de plantão, ETAC (enfermaria de crise) e encaminhamento para os CAPS. Tomando a função do CAPS, de regular porta de entrada, o velho hospital puxa a rede. De sexta-feira, 07 até hoje 15, foram exatamente dez casos, oito adultos e duas crianças. Nosso poder de intervenção é mínima: cárcere privado, crianças em escolas em situações possiveis de crises que não temos como trabalhar com a familia, bom seria se tívesses ambulatório para crianças nos bairros também junto à psicólogos e psicopedagogos na rede da atenção básica. Por que não? Medicina assistencial e preventiva.
Enviamos nossos tão "inoportunos" emails para as gestões do Estado e do municipio. Únicos ganchos institucionais para armar esta rede que precisa embalar tanta gente.

CONTENTAMENTOS

Ficamos contentes hoje com a presença do Ministério Público na conferência de saúde mental, Cláudia Seabra de saúde reabilitada e a serenidade característica junto com a firmeza de sua personalidade e autoridade que exerce. Conversamos sobre o CAPS i.
Contentamento também por saber que incisiva profissional Gisele Martins, ex gerente de saúde mental está prestando serviço na secretaria de justiça, no hospital de custódia, lá temos os graves casos do louco infrator, com penas cumpridas e sob medida de segurança presos indefinidamente.

Bastante comentada a exposição de fotografias da Âncora na casa da cultura.


Mais um curso de Terapia Comunitária, coordenado por Narcizo Chagas, temos algumas vagas pagas pela FMS. É preciso cuidar do cuidador, alguns técnicos de CAPS foram contemplados.


Desde sábado, 08/10 um estado depressivo anunciava-se: desânimo, perca de vitalidade, morbidez ( sem ainda ideação suicida), mais uma vez reforço  a disciplina na automonitoração dos sintomas, o poder das práticas integrativas, por conta de uma cirurgia ainda não posso fazer Biodança ou Yoga que são fantásticas na remissão de um quadro deste, recorri a acupuntura, florais de Minas, prefiro-os aos de Bach, fiz bionergia ( passe) no centro espirita. Duas horas depois já me sentia viva. Evitando confrontos que podessem tirar-me este reequilibrio, andei de chapéu na conferência ontem e hoje mas evitei quaisquer dissabor. Militei pelas beiradas, ouvi muito a palavra neoliberalismo e não entendi a discussão da saúde dentro da seguridade, dos palestrantes pessoas somente da saúde. Hoje a politica não contributiva da seguridade social tem o Sistema único de Assistência Social (SUAS) regulamentado oficialmente este ano pela presidenta Dilma, financiamento tripartite como o SUS e importante politica intersetorial para atuação com a saúde.

Bem, hoje tive um bom e suave dia. Alegre.

BIODANÇA E SAÚDE INTEGRAL

smênia Reis
Facilitadora de Biodança

Olá, gente, vamos participar do encontro em São Luís?
O grupo é excelente e o tema é esse abaixo, acrescido de outros exercícios reguladores, afetivos, prazerosos, criativos e transcendentes.
Ficaremos em uma casa de praia (do Aziz e Raquel)
O valor da maratona, incluindo hospedagem e alimentação: em torno de 70,00
Passagem de ônibus convencional 64,00
Portanto, com menos de 300,00 você vai vivenciar de um final de semana incrível, investindo em você mesmo, crecendo afetivamente, espiritualmente e transcendendo ao cotidiano massacrante da vida moderna
Facilitadores - processo coletivo, com os failitadoresdo Piauí, do Maranhão e do Pará
Dias 5 e 6 de novembro

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

TERREIROS: ESPAÇOS DE PRODUÇÃO DE SAÚDE COMUNITÁRIA

De 27 a 30 de novembro ocorreráem São Luis, Maranhão, a I Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para Povos Tradicionais de Terreiros. O evento, idealizado pelo Ministério da Cultura, tem o objetivo de subsidiar a construção de políticas culturais para o segmento, com vistas à proteção, promoção e consolidação de suas tradições, reconhecendo seus ritos, mitologias, simbologias e expressões artístico-culturais. Convém ressaltar que o ano de 2011 foi declarado pela ONU como o ano internacional dos povos afrodescendentes.
As inscrições poderão ser realizadas no mês de outubro pelo site do Ministério da Cultura, mediante preenchimento de formulário. No ato da inscrição, deverão ser anexadas cópias dos seguintes documentos: comprovante de residência, CPF, RG, currículo (ou breve histórico de vida) e carta de indicação da liderança do terreiro ao qual o candidato pertence (quando for o caso de candidatar-se à categoria “Representante de Povos Tradicionais de Terreiros”). A inscrição será validada apenas se forem preenchidos todos os campos solicitados. Os inscritos serão avaliados e selecionados pela Comissão Nacional Organizadora.
Serão abertas 140 vagas exclusivas para representantes de Povos Tradicionais de Terreiros, sendo 40 para participantes do Estado do Maranhão e 100 para participantes de outros Estados. Há, ainda, vagas destinadas a Gestores Públicos e Acadêmicos/ Movimentos Sociais/ Entidades Afins, mas apenas os selecionados na categoria Povos Tradicionais de Terreiros terão suas despesas de viagem custeadas pelo Ministério.
A Oficina é uma realização da Secretaria de Cidadania Cultural-SCC/MinC, da Fundação Cultural Palmares (Palmares), do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) da Comissão Nacional de Povos de Terreiros, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECMA), a Secretaria da Igualdade Racial do Maranhão (SEIR/MA) e a Prefeitura de São Luis (FUNCMA).
Aguardem a publicação da chamada pública e acompanhem as demais novidades pelo site www.cultura.gov.br
(Texto: Ana Cecília Paranaguá, SCC/MinC)

MAIS DO QUE NUNCA PRECISAMOS DE NOVOS TÍTULOS QUE PENSEM O MOMENTO ATUAL DA REFORMA

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

FELIZ DIA HIPERATIVO DAS CRIANÇAS

Este personagem infantil da turma da Mônica chama-se Zé Lelé, é um caipirinha primo do Chico Bento. Imagina, sem CAPS i no interior do Piauí, acaba numa APAE, porque os CAPS I, tem por dever atender, mais no máximo fazem o ambulatório, quaisquer outra intervenção encaminham para uma APAE se houver na cidade. Percebam, são crianças psicóticas, não deficientes mentais. Não tem nenhuma chance com um único CAPS i, no Estado, anexo do HAA, culturalmente manicomial. Neste dia da criança, faço uma promessa com Nossa Senhora Aparecida ( o Estado só laico no papel) que nossas gestoras se sensibilizem quanto a gravidade do problema da existência destas crianças, que a escola percebe que há algo diferente com elas: falam sozinhas, dizem que vão matar, escalam muros e paredes, só suportam ficar até o recreio na escola... enfim agem como se estivessem numa crise de uma patologia mental.
Vivo no SPC da santa, mas prometo que se a FMS abrir mais dois CAPS i, e ou um serviço em parceria com a SEMEC e SEDUC ( Centro de Referência em Educação Inclusiva para Saúde Mental) com acompanhamento  a familia pelos órgãos da assistência social CRAS e CREAS, levantar fundos todos os anos para uma festa para crianças atendidas nestas instituições. Não é fácil cumprir esta promessa. Criança louca não comove tanto as pessoas.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

POLITICA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL E FINANCIAMENTO

Subfinanciamento e crack na pauta da saúde mental
ENSP, dia 10/10/2011
Nesta segunda-feira (10/10), Dia Mundial da Saúde Mental, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a necessidade de investimentos em serviços de prevenção e tratamento de doenças mentais, neurológicas e de distúrbios associados ao uso de drogas e outras substâncias. O aviso da organização vai de encontro ao alerta do pesquisador da ENSP e presidente Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), Paulo Amarante, que aponta um retrocesso no financiamento e a preocupação com um tema que deve ser inserido com urgência no campo da saúde mental: o crack.

A estimativa da OMS é de que mais de 450 milhões de pessoas sofram de distúrbios mentais em todo o mundo, e a falta de recursos financeiros e de profissionais capacitados é ainda mais grave em países de baixa e média renda - a maioria deles destina menos de 2% do orçamento para a área da saúde mental. "Precisamos aumentar o investimento em saúde mental e destinar os recursos disponíveis para formas mais eficazes e mais humanitárias de serviços", reforçou a OMS em comunicado neste 10 de outubro.

O discurso da organização vai de encontro às palavras de Amarante. De acordo com o pesquisador, 2011 é um ano que requer maior preocupação dos profissionais de saúde, pois houve retrocesso ideológico e de financiamento no campo. "Até o ano passado (2010), tivemos o que comemorar. Mesmo de uma forma não tão adequada, ampliamos o número de serviços de atenção psicossocial, os projetos culturais, como o Loucos por Música e o Loucos pela Diversidade, além de projetos de geração de renda com cooperativas sociais da saúde mental. Este ano estamos apreensivos com um certo retrocesso, justificado na questão do crack e do credenciamento pelo SUS de comunidades terapêuticas para tratamento aos usuários da droga. Essas comunidades terapêuticas não são instituições de saúde, não cumprem com certos requisitos da Anvisa e não possuem rotina e procedimentos médicos adequados", argumentou. Outra preocupação citada por Amarante está relacionada à internação compulsória de usuários de drogas, que fere os direitos humanos, além dos princípios da reforma psiquiátrica e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Apesar de o financiamento estar voltado para as comunidades terapêuticas, Paulo Amarante, que coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP), afirma que há uma proposta revolucionária de cuidado com o usuário, os chamados Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps - AD). "Cabe a nós, da saúde mental, questionar o por quê de os recursos estarem voltados para as comunidades terapêuticas enquanto temos experiências exitosas nos Caps - AD. Eles são raros no Brasil, mas possuem experiências exitosas em cidades como Salvador, Vitória, Santo André e São Bernado", argumentou.

Dia da Saúde Mental

Na Fundação Oswaldo Cruz, o Dia da Saúde Mental (10/10) foi celebrado em 8 de outubro, com evento cultural na Colônia Juliano Moreira, e apresentação do Grupo Harmonia Enlouquece. No entanto, ainda de acordo com Amarante, há a intenção de promover mais um debate sobre o crack na instituição (a ENSP já realizou um Centro de Estudos sobre o tema em maio de 2011, onde foi debatida a necessidade de mudanças na legislação brasileira sobre drogas), com o objetivo de discutir o financiamento das comunidades terapêuticas e o papel da saúde mental no campo.

*Com informações da Agência Brasil
 
Parece que não procedeu  em êxito da coordenação nacional de saúde mental/álcool e outras drogas o esforço para que o financimento para as CTs viessem do sistema SUAS, não do SUS, o que seria mais procedente já que estas não são equipamentos legais de saúde, senão de apoio e produção de saúde comunitária, quase todas vinculadas a tendências reliosas. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LOUCO DE PALESTRA: MUITO CÔMICO!!!!!

Em dezembro passado, o escritor gaúcho André Czarnobai, o Cardoso, publicou um diário na piauí intitulado “Pasfundo calipígia”. Salvo engano, foi a primeira vez em que se utilizou em letra impressa o termo “louco de palestra”. Imediatamente, a expressão ganhou densidade acadêmica e popularizou-se nos redutos universitários nacionais, encorajando loucos latentes e chamando a atenção da saúde pública para o problema.

O louco de palestra é o sujeito que, durante uma conferência, levanta a mão para perguntar algo absolutamente aleatório. Ou para fazer uma observação longa e sem sentido sobre qualquer coisa que lhe venha à mente. É a alegria dos assistentes enfastiados e o pesadelo dos oradores, que passam o evento inteiro aguardando sua inevitável manifestação, como se dispostos a enfrentar a própria Morte.

Leia o texto integral. Uma pérola catada por Edmar Oliveira postada no faceboock.

sábado, 8 de outubro de 2011

CANÇÕES PARA DILMA ROUSSEFF DEIXAR DE SER NORMAL

PICICA - blog do Rogelio Casado: "Balada do Louco", para Dilma Rousseff e para os c...: PICICA: Aos loucos companheiros da luta antimanicomial brasileira que insistem em ser felizes, mesmo com uma espinha atravessada na garga...


Eu ofereço a emblemática Pavão Mysteriozo de Ednardo... [ não tema minha donzela nossa sorte nessa
guerra... eles são muitos mas não podem voar.]

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL DA SESAPI

Para celebrar o Dia Mundial da Saúde Mental, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) organizou uma programação com diversas atividades para todo o Estado. Com o tema “Grande impulso: investir na saúde mental”, as comemorações terão início neste domingo (09) no Hospital Areolino de Abreu.
Será celebrada uma missa, em seguida os participantes poderão conferir a matinê animada pela banda forró Três Contigo no pátio do HAA, além de uma apresentação cultural de teatro, feita pelos pacientes do HAA e outra de dança, realizada pelo Balé da cidade.
Na segunda-feira (10) acontecerá uma mesa redonda sobre o andamento da política nacional de saúde mental. Essas discussões acontecerão no pátio da Sesapi. Em todos os dias acontecerão exposições de telas com trabalhos artísticos produzidos pelos usuários do HAA e dos Caps. A noite, a exposição acontecerá na Casa da Cultura, onde ficará disponível para visitas até o dia 14 de outubro. Além das telas, o grupo Âncora fará exposição fotográfica intitulada II Mostra de Arte Dobra da Loucura.
No dia 26 de outubro ocorrerá uma sessão solene na Assembléia Legislativa do Piauí. A sessão, realizada no plenário da Alepi, terá início às 9 horas e celebrará também o dez anos da Lei 10.216, que institucionaliza a Política Nacional de Saúde Mental. Na oportunidade, também será lançado um catálogo com trabalhos realizados por usuários dos CAPS na qual a coordenação Estadual de Apoio a Saúde Mental considera ser a primeira mostra de arte insensata do Piauí.

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL DA FMS

Para celebrar o Dia Mundial de Saúde Mental, comemorado dia 10 de outubro, os Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, administrados pela Prefeitura de Teresina, por intermédio da Fundação Municipal de Saúde (FMS), realiza, durante a manhã da próxima segunda-feira (10), atividades para os usuários no Clube Social dos Subtenentes e Sargentos, a partir das 8h.
A comemoração vai contar com aula de forró, capoeira, gincana com os usuários de todos os CAPS de Teresina, lanche e sorteio de brindes. A coordenadora do CAPS Sul, Ivana Pereira, destaca que as atividades visam, além de lembrar a data, promover uma socialização entre os usuários.
"Cada patologia tem sua característica e sua medicação específica; e com os transtornos mentais não é diferente. Os usuários são pessoas como qualquer outra e se tiverem tomando remédios vão estar com o transtorno controlado. Promover atividades para os usuários é dar a eles a oportunidade de ser inseridos na sociedade", informa a coordenadora.
Ivana Pereira afirma ainda que no CAPS, os usuários têm acesso a psiquiatra, psicólogo, enfermeira, terapeuta ocupacional, assistente social e uma equipe de apoio, que oferece atendimentos individuais, em grupo, atividades comunitárias, oficinas terapêuticas e atendimento para a família (visita domiciliar, grupo de familiares).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DÚVIDAS: DIAGNÓSTICO EM SAÚDE MENTAL

Uma resenha de "O Livro Negro da Psicopatologia Contemporânea", sobre o caráter inclassificável do sofrimento psíquico:


Nomeando o sofrimento



Em 1992 Richard P. Bentall escreveu um artigo para o Journal of Medical Ethics, seu intuito era propor que a felicidade fosse reconhecida como um transtorno psiquiátrico e enquadrada nas futuras classificações. Afinal, segundo ele, esse estado é estatisticamente anormal, sendo acompanhado por alguns sintomas, entre eles uma disfunção cognitiva, no sentido de uma percepção distorcida da realidade. As pessoas afetadas apresentam um quadro caracterizado pelo estado de euforia sem uma contrapartida real, o que pode ser uma desvantagem adaptativa. Não raro, nota-se uma relação elevada desse estado com comportamentos maníacos, obesidade e ingestão de álcool. Talvez, argumenta o doutor, seja reflexo de uma anomalia do sistema nervoso central, um estado neurobiológico de desinibição. O fato dessas pessoas não se considerarem doentes é irrelevante, pois é assim em muitos casos, nos quais os pacientes geralmente não têm crítica de seus estados patológicos. Por fim, exorta seus colegas a encontrar tratamento adequado a esse estado mórbido que quer chamar de: major affective, pleseant type.

Bentall utilizou em sua argumentação, para enquadrar a felicidade como distúrbio, o mesmo método que funda as categorias psiquiátricas que estamos acostumados a usar. Talvez esse artigo irônico seja o melhor meio para contestar a fragilidade conceitual que alicerça a nosografia que usamos.

            As classificações das doenças mentais surgiram para que os profissionais das áreas da saúde mental pudessem falar entre si sobre os pacientes e para, de alguma forma, poder prever certa evolução. Ou ainda porque um raciocínio dessa natureza se tornou necessário para efeitos sociais: como para fazer estatísticas, pensar políticas públicas, ou ainda normatizar coberturas por planos de saúde. O dilema é que essa busca por uma classificação científica inclinou os esforços da psiquiatria numa direção pouco produtiva no sentido da evolução da cura.

De fato, atribuir um nome ao sofrimento não necessariamente ajuda a combatê-lo. Embora seja fundamental que o profissional de saúde mental esteja sempre atento ao quadro com o qual está lidando e trabalhe em consonância com suas hipóteses clínicas, um diagnóstico preciso (considerando que isso seja possível), ao contrário de todos os quadros somáticos, não é imprescindível para um bom tratamento. Um diagnóstico aproximado é uma bússola suficiente, até porque deixa o profissional mais atento para sutilezas e mudanças bruscas. E por uma outra razão central: é simplesmente impossível enquadrar e classificar descritiva e meticulosamente as formas de sofrimento humano, podemos apenas ter aproximações, nada mais.

Esse espírito classificatório induziu, mesmo que os idealizadores dessas descrições não pensem com essa estreiteza, para uma visão essencialista da doença mental: passa a idéia que se alguém tem certa doença está fadado a um funcionamento daquela ordem; que o quadro seria uma forma de ser daquele sujeito, que cada sofrimento teria uma forma standard de se manifestar. Os diagnósticos na verdade são aproximações provisórias de formas de funcionamento mental, e não raro são mutantes. Embora muitos pacientes mantenham certa lógica por um tempo, outros funcionam de uma maneira agora e outra amanhã e o quadro de ontem não necessariamente era um desses dois. Um diagnóstico seria mais uma forma de “estar” não de “ser”, por isso a fluidez faz parte. O melhor é usar um diagnóstico como se usa um andaime numa obra, aquilo não faz parte realmente e será retirado no fim. Apenas ajuda (ao terapeuta, e raro ao paciente, enquanto uma direção medianamente confiável) durante o processo de cura em curso.

Atribuir um nome ao sofrimento acarreta ainda outro efeito colateral negativo: quem sofre geralmente passa por uma crise de identidade, portanto se alguém, numa posição de poder social, diz que ele é tal coisa, é bem provável que ele adira ao rótulo independente da adequação deste à sua realidade. Afinal, é melhor ter um nome para uma doença do que nada. Embora a nomeação forneça um ganho rápido aplacando a angústia, a falta de significação para sua dor, logo após faz resistência aos outros passos, ancorando o paciente numa formação imaginária de sentido, e acaba atrapalhando a evolução da cura. Já a recusa a dar um nome ao sofrimento, quando isso é possível, lança o sujeito numa busca própria por definir quem é, o que de fato está acontecendo, e qual seu caminho para sair da crise.

As formas do sofrimento são diferentes porque os humanos são extraordinariamente diversos, o que torna a empresa classificatória desanimadora. Não obstante, certos profissionais seguiram em frente, mas para conseguir lograr uma lógica operante tiveram que retirar variáveis dessa equação, especialmente os vetores históricos e sociais. Por exemplo, pense em entender o sofrimento atual sem levar em conta os fatores como a mudança no equilíbrio de poder dos sexos e das formas de gozar, que retirou todas as (falsas) certezas que nos apoiavam até meados do findo século XX; a família, fonte ancestral de apoio psíquico, sofreu uma revolução que esfarelou as formas tradicionais em apenas duas gerações; o outro arrimo que era a religião perdeu muito de sua força, ou ainda a invenção da adolescência que tomou a sua forma no pós-guerra e coloca num limbo provisório, e em pé de guerra, uma parte da população. Sem falar do culto ao corpo e à saúde, ou ainda a busca da felicidade a qualquer preço, que se constitui no andar debaixo do momento de forte drogadição que vivemos. Suprimindo variáveis como essas, o resultado é uma visão de homem onde ele se parece a uma máquina neural, como se fosse possível uma forma de ser atemporal, apenas uma natureza básica imutável que apenas adapta-se à força das ondas. Visando a objetividade apagou-se a fala, pergunta-se apenas por comportamentos, humores, por sintomas visíveis e dessa massa de informações tenta se extrair um diagnóstico.

Desnecessário lembrar que esse tipo de raciocínio tende a ser fortemente adaptativo, pois, se perdemos a crítica da sociedade e das instituições onde estamos inseridos, é como se todos devêssemos ou pudéssemos nos adequar a qualquer sociedade em qualquer momento. Longe de ser um desvio epistemológico, esse ethos classificatório é a expressão direta da forma utilitarista e mercantilista de pensar o homem, ou seja, ele que se adapte e seja útil, que cumpra sua função na engrenagem social.

O elo que falta dessa lógica é a medicação. Reduzido a doença mental a um cérebro problemático, ela foi traduzida como um déficit químico, portanto basta descobrir um remédio específico para cada quadro. Recém começa a ser desvelada a verdadeira força da indústria farmacêutica nesse atual panorama, vendida como ciência de ponta, o envolvimento dos pesquisadores com tal indústria deixa muito a pensar o quanto se expressa a força de um lobby e onde começa mesmo a ciência. A medicação trouxe benefícios inestimáveis para todos, mas seus verdadeiros benefícios são superdimensionados. Aliás, se o ganho com as medicações fossem realmente revolucionários, viveríamos um momento de declínio dos quadros de sofrimento, quando estamos constatando é um aumento de todas patologias. Algo não anda bem nas nossas estratégias e no setor de armamentos, estamos perdendo a guerra.

Começaram sair livros e artigos que desafinam o consenso da psicopatologia atual. Destaco o livro recém lançado cuja leitura resumo nas linhas acima: O Livro Negro da Psicopatologia Contemporânea (Ed. Via Lettera, 2011) de Alfredo Jerusalinsky e Silvia Fendrik (orgs.) Nove autores brasileiros, nove argentinos, uma mexicana e uma francesa, trazem sua experiência com as categorias psiquiátricas. Entre outros, escrevem Maria Rita Kehl, Ricardo Goldenberg, e aqui, de Porto Alegre, contribuem Nilson Sibemberg e Ana Costa. O sofrimento humano dá muito que falar, mas nem sempre a minúcia descritiva e classificatória lança luz sobre um campo obscuro.


http://wp.clicrbs.com.br/terradonunca/2011/09/24/nomeando-o-sofrimento-por-mario-corso/--
Diana Lichtenstein Corso
www.marioedianacorso.com<http://www.marioedianacorso.com/>


Agradeço a meus caros, psiquiatra Edmar Oliveira e psicólogo Anderson Lima por ambos terem enviado-me o texto acima junto a alguns outros com a temática da dependência química. Acho oportuna e saudável as discussões sobre a dúvida diagnóstica em saúde mental e a defesa de uma abordagem psicossocial mesmo às questão do álcool e da droga, contra as internações compulsórias e a tomada de consciência que há toda uma sociedade que produz as cracolândias por omissão de outras alternativas de construções de vidas: esporte, lazer, escola pública de qualidade e inserção mais fácil do jovem no mercado de trabalho, por exemplo. Postarei todos por aqui.

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.