terça-feira, 6 de julho de 2010

SENHA: LOUCO TAMBÉM VOTA!!!


A audiência pública sobre o fechamento do Meduna e saúde mental em Teresina saiu na "imprensa quente". Convocada pelo vereador, ex prefeito e ex secretário de saúde do municipio, recentemente afastado para concorrer a novo pleito. Sua assessoria de imprensa trabalhou danado.Não faltaram jornalistas. Sua figura pessoal nunca me chamou maior atenção, desde o TAC de 15 de janeiro no Ministério Público, ainda gestor, esperou todos falarem, duro nas negociações, cedeu apenas em pontos que não deixassem seu sucessor empenhado a busca de recursos, a tal comissão municipal de saúde mental puxada por Dr. Alexandre, já existia em lei, promulgada pelo próprio Firmino enquanto prefeito. Não encontrei uma cópia, para citar o número, mas é anterior a nacional 10216/001. Resumindo, penso que o político acossado por seu colega vereador Luiz Lobão, obstetra, irmão de Anfrisio Lobão, psiquiatra que já dirigiu o HAA e ex aluno de Dr. Alexandre propôs essa audiência mais para provar que a transição do modelo hospitalocêntrico para o tratamento com bases comunitárias, que veio acontecendo em períodos de suas gestões como prefeito ou secretário de saúde aconteceram com responsabilidade. Excluindo os psiquiatras da APP, muitos funcionários do HAA e CAPS, gerência de saúde mental, enfim o conjunto de trabalhadores, como eu previa, os vereadores presentes, pouquissímos, não entendiam nada de política de saúde mental. Uma vereadora repetiu em seu discurso várias vezes que os "doentes mentais não pensam (sic)". Entendi agora a expressão "raposa velha" da política, no final, depois de ouvir todos, levantar várias vezes para entrevistas. Firmino, sacode as luvas de pelica, ou dois pequenos papéis em suas mãos, agradecendo aos presentes o excelente debate. Doutora Cláudia Seabra, MP, deve ter sido a oradora de sua turma, sutilmente vai mediando e apascentando os ânimos, convida a APP a auxiliar no treinamento das equipes de CAPS, o que reitero na minha fala, precisamos dos psiquiatras envolvidos na equipe. Acredito que através do convencimento feito através de seus pares ,nossas relações com essa categoria poderiam melhorar na perspectiva da atenção psicossocial.
Como sempre há dois times bem definidos na platéia, e como bem disse Ailton Hermesson, cada um defende seus interesses. Os defensores da reforma aplaudem as falas de denúncias de maus tratos dentro dos hospitais. Os que apóiam os hospitais (defendendo seus empregos), aplaudem as denúncias de mau funcionamento dos CAPS. Se ficar no hospital não tem liberdade, nos CAPS ainda podemos correr atrás de Direitos Humanos, sermos protagonistas e fazer associações, grupos de apoio, denunciar no MP. No hospital tem contenção e grades, no CAPS as grades mentais dos trabalhadores que ainda não reconhecem nossa subjetividade, que somos híbridos (termo meu, aprimorado por Ailton), temos várias identidades, não somos só doentes mentais como o veterano professor Alexandre Nogueira colocou, somos pessoas vivendo com transtornos mentais sim, mas também somos trabalhadores, da própria saúde, estudantes, mãe e eleitores como Bia disse. Firme: louco pensa sim, louco quer emprego, louco vota!

Um comentário:

Ediwyrton disse...

Boa noite! Queria ter escrito ontem, mas o cansaço não permitiu. Gostaria de agradecer a oportunidade de diálogo - direto, sincero e responsável - que tivemos ontem. Esperamos, como sempre, contribuir para a melhoria progressiva da assistência aos pacientes/usuários da saúde mental. Acreditamos que quanto mais serviços, nas suas mais diversas formas e complexidades, com resolutividade e reinserção de verdade, melhor para todos. Não concordamos com qualquer medida que demande desassistência. Estamos todos do mesmo lado, embora nem sempre percebamos isso.
Só gostaria de esclarecer dois pontos: 1.Não lutamos por empregos, visto que somos todos concursados e estáveis no hospital. Aliás, os CAPS pagam bem melhor para um trabalho menos extenuante. 2. O que magoou não foi o Coisa, mas ser genericamente taxado de DESUMANO. Isso dói muito em quem tem compromisso ético, moral, pessoal, profissional e religioso com a vida.
Enfim, parabenizo por sua luta e empenho.
Um abraço de quem lhe respeita profundamente, Ediwyrton

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.