segunda-feira, 19 de março de 2012

MILITÂNCIA ANTIMANICOMAIL



Nestes últimos meses estou muito envolvida com com meu trabalho de Serviço Social numa escola do município, acompanhamento a minha filha surda pré adolescente que ler as primeiras palavrinhas, a luta pela garantia de seu bilinguismo, o domínio da língua de sinais e o português oralizado. Sou bastante criticada na comunidade surda, onde visivelmente há uma supervalorização da mudez e o uso de sinais. Bem, tenho idéias e as defendo, concretizo-as. Mirra Camille está oralizando, usando as LIBRAS e finalmente lendo, mesmo que pouquinho ainda.
O ativismo na luta antimanicomial precisou de uma certa parada. Mas, para tomar fôlego, não adoecer com excessos de atividades e  exposição a situações de estresses. Definitivamente não há um movimento de usuários forte, resistente, capaz de encarar o governo atual e sua forma de fazer saúde mental, populista, de promessas que não se cumprem e distância total da vocação psicossocial da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Apesar de ter super poderes resolvi não mudar o mundo sozinha, afinal sou socialista.

Tornando-me por força das circunstâncias, uma cuidadora "integral", as senhoras me procuram até porque sentem dores nas pernas. E hoje passei no MP para tentar viabilizar exames da medula ossea, os quais o SUS não paga em alguns laboratórios teresinense para uma amiga do Ninho. Dra. Cláudia Seabra gentilmente sai de sua sala e vamos lá esmiuçar talvez mais de cem páginas de processos relacionados a saúde mental, processos administrativos instalados a pedido do Ninho: tomei ciência formalmente, mas continuo não concordando com a reforma do prédio do CAPS i, em vez de sua retirada de dentro do HAA, só memorizei rápido na planta baixa, a construção de um muro de separação e a construção de play ground. Imaginei meus "mateuzinhos" sapecas com diagnósticos de retardo mental, mas que lêem, são curiosos, inquietos, adoram  subir em árvores, muros, voar literalmente numa bicicleta sem dono ... um playzinho é bobagem!!! O restante da planta, para não me considerarem sempre do contra, é de um serviço médico psiquiátrico tradicional, com espaço para terapia ocupacional, consultórios e até repouso, não lembro se havia de dois tipos: para profissionais e usuários.
Não só critico, procuro fazer buscando as parcerias sensíveis a causa do diagnóstico e reabilitação precoce às crianças TGDs, dentre elas as psicóticas. Tentamos mais uma vez em 13 de abril mais um encontro intersetorial entre educação, assistência social e saúde. O encontro acontecerá no auditório da SEMEC. Mais uma vez enviaremos convite a saúde mental do Estado  ( CAPS i) que não compareceu ainda a nenhum destes diálogos.


Dr. Edwirton, diretor clínico do HAA e presidente da Associação Piauiense de Psiquiatria, jovem profissional, também trabalhador da atenção psicossocial me informa por email entre outras preocupações comuns sobre a capacitação às equipes de hospitais gerais sobre a implementação de leitos psiquiátricos em seus espaços, segundo nova portaria 140/12, a qual não conheço o texto. Mas desde a IV Jornada de Saúde Mental de 2002, a temática já era sobre a implantação destes leitos, numa época que os CAPS ainda não haviam chegado por aqui. Ele me afirma que alguns profissionais "híbridos", do HAA e CAPS é que comporão a equipe multiprofissional de treinamento. Só questiono e acho que todos nossos bons profissionais sairiam ganhando seria com a vinda de um técnico do MS que pensou a portaria.
O profissional pelo qual tenho bastante respeito e carinho tem se esforçado para tornar mais "confortável" a estadia integral do usuário no HAA. Aceitarei o convite para conhecer algumas melhorias nas enfermarias. E apoio sua tenacidade em questionar junto ao MP a questão da internação compulsória, via documento expedido por juízes fazendo do hospital verdadeiro manicômio judicial. Nó da Reforma Psiquiátrica, o que fazer com o louco infrator?


Por último, lembrando de ações que não fazemos mais, por falta de voluntários ou seja profissionais capacitados para a intervenção: Onde anda Caroline, socióloga, ex paciente do Meduna, que ela adorava ( tem que aceitar), delirante todas às vezes que a visitei. Perdi-a de vista. Que esteja bem, estabilizada, junto aos familiares, amigos cuidadores... que o Deus que protege os loucos, a acompanhe sempre.

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PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.