quarta-feira, 15 de maio de 2013

LUTA ANTIMANICOMIAL NO SUL (COPIA PIAUÍ!)

Arte e loucura nas ruas aproximam população da luta antimanicomial

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Rachel Duarte 
Apesar dos esforços de alguns setores para acabar com o modelo dos manicômios que surgiram no início do século 19, autoridades brasileiras ainda defendem o uso de instituições de confinamento total para tratamento de dependentes químicos e pessoas com problema de saúde mental. Contra este pensamento, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Criado em 1987, quando ocorreu a primeira Conferência Nacional de Saúde Mental, a data auxilia no avanço da reforma psiquiátrica no país. No Rio Grande do Sul, uma extensa agenda pretende sensibilizar a sociedade sobre o tema por meio de debates, audiências públicas e intervenções urbanas que misturam arte e loucura.
Nesta segunda-feira (13), quem passou pelo Largo Glênio Peres foi provocado a participar das atividades organizadas pela Secretaria Estadual de Saúde em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e entidades parceiras. Sem precisar fazer nenhum convite direto, a estrutura montada no Centro de Porto Alegre atraiu desde os curiosos que apenas espiavam de longe até os que faziam questão de entrar na brincadeira.
Ex-usuário da Saúde Mental diz que se libertou do sofrimento psíquico por meio da arte | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Um grupo voluntário de artistas se encarregou de estender faixas enormes no chão do Largo e pintou ao vivo palavras relacionadas à luta antimanicomial. Ainda sujo de tinta, o artista Alexandro Monteiro, disse que por meio da arte se libertou de seu sofrimento psiquiátrico. “Fiz tratamento no CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) de Canoas. Sou natural do Rio de Janeiro, onde descobri uma bipolaridade. Agora estou retomando a minha vida com calma, tranquilidade e um pouco de ansiedade, pois todo mundo tem. A arte ajuda a libertar o paciente que está no grau de estresse, ansiedade e loucura. A arte é isso”, falou, estourando um balão em frente à reportagem.
Monteiro é ex-usuário do serviço estadual de Saúde Mental e esta semana trabalha como voluntário do grupo de artistas que realizará uma série de intervenções urbanas por meio da arte. O grupo de atores foi convidado pela funcionária da Coordenação Estadual de Saúde Mental, Carolina Pomer para desenvolver a agenda da Semana de Luta Antimanicomial do RS. “Pensamos em ocupar a cidade com a loucura, que tem tudo a ver com a arte. O isolamento nas instituições é o mesmo princípio da lógica de higienização das ruas, de retirar das nossas vistas aquilo que não queremos ver. Estamos vendo isso neste debate sobre a internação compulsória em discussão no Congresso Nacional. Esta é, de certa forma, uma realidade vivenciada na prática pelos atores que sofrem repressão por realizar intervenções urbanas ou manifestações artísticas nas ruas”, compara.
Jogo de vôlei no meio do Largo Glênio Peres atraiu público que passava pelo Centro de Porto Alegre |  Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
‘Consultório’ na calçada descontroi lógica convencional das instituições 
Pessoas passavam pela rua e se sentiam provocadas a ‘fazer uma consulta’. Sem medicamentos ou médicos, os artistas conversavam e davam chocolate aos ‘pacientes’ | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Além das oficinas teatrais, ações simples estimulam as pessoas nas ruas a deixar de lado a correria e dedicar alguns minutos à própria alegria e lazer. O que era visto como ‘papo de louco’ por alguns que circularam pelo Largo Glênio Peres. Os mais abertos rebatiam uma bola arremessada pelos atores no primeiro que cruzava o espaço em que jogavam vôlei. Alguns, mesmo com maletas e bolsas, se esforçavam para rebater. Outros acharam tudo muito esquisito.
Por meio do grupo de voluntários do grupo Espaço Liso, coordenado por professores da Ufrgs, um pseudo-consultório psiquiátrico foi montado no meio do Largo. Artistas e psicólogos usavam jalecos e sentados a uma mesinha realizavam consultas na hora. Os pacientes não eram convidados e mesmo assim, fizeram do espaço um dos mais requisitados da oficina. “Eu vi o pessoal da medicina aqui e sentei para conversar um pouco”, relatou Jorge Adroaldo Marques da Silva que parou para um ‘atendimento’.
Sem saber que não se tratavam de médicos ou psiquiatras, o senhor de 59 anos parou e realizou longa conversa com as ‘doutoras’. Ao final, recebeu um receituário especial que na verdade o recomendava seguir falante e animado com a vida, além de alguns pequenos chocolates coloridos, para simular medicamentos. “A ideia de utilizar estes instrumentos é para desconstruir a lógica convencional da instituição, com receituários e remédios controlados. É uma brincadeira que tenta desmitificar o encontro com o psiquiatra e mostrar que outras coisas podem fazer bem para as pessoas, como tomar mais sol, conversar, fazer um passeio”, explica a professora Eleonora Valenzuela Graebin.
As intervenções urbanas antimanicomiais seguirão acontecendo pela manhã e à tarde até o próximo sábado (18), Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Nesta terça-feira (14), a ação ocorrerá a partir das 17 horas, na frente da Escola de Saúde Pública, na Avenida Ipiranga. Na quarta-feira (15), o foco será um debate com autoridades ligadas à saúde mental, na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A audiência pública está marcada para as 09h40min no Plenarinho e também debaterá a internação compulsória de dependentes químicos. A partir das 18 horas, ocorrerá o lançamento do Clube de Cinema São Pedro Cidadão, com sessões comentadas de filmes relacionados ao tema.
Peça teatral faz integração entre usuários da saúde mental brasileira e italiana 
Coordenadora do grupo de usuários-artistas, a funcionária Carolina Pomer diz que histórias reais de usuários são verdadeiros espetáculos em cena |  Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Já na quinta-feira (16), a oficina ocorrerá às 17h30min na Praça do Planetário e a partir das 19h30min no Hospital Psiquiátrico São Pedro, onde também ocorrerá show artístico com o grupo Lá Fora. Na sexta-feira (17), as atividades também serão focadas na instituição. O ponto alto da programação será no sábado (18), com a apresentação do espetáculo teatral ‘Azul como Liberdade’, uma parceria da academia italiana de teatro Della Follia com a Secretaria Estadual de Saúde.
“São usuários de uma instituição manicomial extinta na Itália. Os nossos usuários do São Pedro e da rede de saúde mental estão ensaiando (para atuar com eles) há três meses. Eles têm o corpo institucionalizado. São vidas de quase 40 anos dentro de uma instituição. Alguns tomam medicação psiquiátrica que deixa o corpo todo enrijecido. Nosso desafio é trazer, com um olhar de fora, um corpo presente, fazendo os que não falam voltar a falar, puxando a voz interior ou mesmo o silêncio de quem não falava mais, porque não tinha mais com quem falar”, revela Carolina Pomer, que ensaia o grupo. Segundo ela, o espetáculo, marcado para as 20h no Hospital São Pedro, deve emocionar o público. “As histórias de vida deles já são peças inteiras, quase filmes que colocamos em cena. Se tu colocas isso em peça, alguns acham exagero, mas é a pura realidade”, conta.
Além da programação de sensibilização por meio da arte, a Semana de Luta Antimanicomial pretende aproximar as pessoas de algo que não lhes é tão distante, ao contrário do que muitos acreditam. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 10% da população global tem sofrimento mental e 3% terá sofrimento psíquico grave persistente em algum momento da vida.
“Lutamos pelo cuidado em liberdade”, diz funcionária da Saúde Mental do RS
Saúde Mental do RS gasta em média R$ 5 mil/mês por leito psiquiátrico. São quase 1,3 mil leitos reservados em hospitais do estado | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Para a representante da Coordenação de Saúde Mental do RS, Ana Carolina Rios, a semana também pode fortalecer o movimento contra o tratamento de pacientes em instituições fechadas. “É um debate antigo. A Lei da Reforma Psiquiátrica já tem 20 anos e na década de 80 esta luta foi mais próxima da população. Não temos como transformar sem envolver a população. O debate de hoje envolve os usuários de drogas, com discussão de iniciativas retrógradas de internação compulsória e instituição total. Estamos trabalhando junto ao governo federal por melhores condições de trabalho contra as privatizações na saúde para melhor atendimento na rede e na ampliação da estrutura”, conta.
A rede pública de saúde do Rio Grande do Sul conta com 167 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para atendimento em saúde mental. Há também 1.245 leitos psiquiátricos reservados nos hospitais do RS. Para mantê-los, o estado desembolsa mensalmente uma média de R$ 5 mil por leito. Nos municípios com menos de 20 mil habitantes, os Caps são substituídos por equipes do Programa de Saúde da Família. “Lutamos pelo cuidado em liberdade e queremos mostrar que existe uma rede pública de cuidado, que as pessoas contrárias a esta ideia desconhecem”, fala.
Segundo Ana Carolina, o importante é aproveitar o evento lúdico organizado nesta semana para conscientizar as pessoas que o fundamental neste debate é não retroceder no que já se conquistou ao longo dos anos. “Acreditamos que envolve todos. Nosso modo de viver contemporâneo tem vários motivos que podem nos levar a sofrimento mental. A nossa vida super acelerada, os problemas de acesso às políticas públicas, os abusos nas relações trabalhistas, enfim, em algum momento precisaremos de algum cuidado, seja da rede especializada ou da rede familiar e de solidariedade. É algo que diz respeito a todos, portanto tem que ser uma luta de todos”, diz. E complementa: “Se nós cederemos às pressões das posições mais conservadoras de que o cuidado em saúde mental só pode ser feito por especialista dentro de uma unidade fechada e com longa permanência, qualquer hora dessas um de nós pode estar lá dentro sendo privado de direitos e de sua liberdade”.

SUL 21

sexta-feira, 10 de maio de 2013

PREVALECE O ASPECTO MANICOMIAL EM NOVA LEI DE SAÚDE MENTAL NA CHINA


Nova lei da saúde mental na China longe de cumprir padrões europeus na proteção dos doentes

A nova lei de saúde mental na China, em vigor desde 01 de maio, está longe de cumprir os padrões da União Europeia de proteção dos direitos dos doentes e é "improvável" que solucione os inúmeros casos de internamento forçado, alertam ativistas.

Um comunicado da Chinese Human Right Defenders (CHRD, na sigla inglesa), refere que a nova legislação continua a permitir que "familiares próximos, trabalhadores ou a polícia" enviem para hospitais psiquiátricos "suspeitos de sofrerem de algum distúrbio mental e que tenham provocado danos graves ou haja perigo de que o façam contra si ou outros".
Para o grupo CHRD, o problema é a indefinição de termos como "risco", "dano" e "grave" que determinam a decisão que recaia sobre um suspeito de demência, pelo que uma pessoas suspeita de tal desordem pode ser internada imediatamente, mesmo sem o seu consentimento.
Além disso, acrescentam, as pessoas internadas "possuem acesso limitado a um advogado ou contacto com familiares", o que agrava o problema.
A CHRD considera, por isso, que a lei é ineficaz no momento de fazer frente a problemas reais das doenças mentais, ainda muito estigmatizadas.
Cerca de 800.000 pessoas são anualmente internadas em centros psiquiátricos na China, grande parte de forma forçada, ao mesmo tempo que as autoridades usam aquele mecanismo para deter ilegalmente ou castigar ativistas, dissidentes ou membros da Falun Gong, ilegalizada na China desde 1999 quando contava com mais de 60 milhões de seguidores.
A nova lei admite que o paciente possa requerer alta médica depois de realizar os exames necessários, mas o processo não será, de acordo com a CHRD totalmente transparente.
Esta semana, o diário oficial China Daily dava conta de 52 casos de doentes que, animados pelas novas notícias, solicitaram alta, mas esta não foi concretizada dado terem sido rejeitados pelas famílias e não possuírem habitação.
Em muitos casos, os familiares venderem ou arrendaram as casas dos pacientes e recusaram a sua saída, um mecanismo que ainda se mantém em vigor no novo articulado.

Manicômio em qualquer lugar do mundo é a mesma coisa. Imagino os cenários de terror destes hospicíos chineses. Aqui no Piauí tenho fotos de vários cárceres privados, entregues ao Ministério Público ainda em 2011, o Estado (Gerência de Saúde Mental da cota do PMDB, apenas enviou relatórios explicando que estas pessoas eram atendiadas por CAPS locais e equipes ESF. E nada mais foi feito,  nem uma troca de medicação, nem uma familia autuada, nem um Direitos Humanos tomou a fente para mudar alguma coisa a favor destes penitenciado a reclusão perpétua.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA EM CRISE

Há algum tempo  não escrevo notas para este manual e talvez hoje nem seja um boa noite para isto. Com panes de memória esqueci meu óculos no trabalho a tarde. Passei três dias sem usar medicação, esqueci, cansada da rotina diária, um tanto estressada, na fase de alerta, resolvi parar. Parar algumas atividades, tentar relaxar, parar de militar, de fazer intervenções de socorro no Ninho. 
Sem sede, as mulheres me procuram na minha casa, telefone e vamos tentando acolher como podemos, intermediando, puxando a rede, estimulando a autonomia. Algumas usuárias em crise aguda na rede institucional, medicadas demoram dar respostas às medicações, outras não aceitam a doença crônica e nem a medicação.
Algumas familias são grande entraves à nossa intervenção, a idéia de louco ajudar louco é inconcebível para alguns, até porque os preconceitos de alguns familiares são maiores que nossas doenças. Cansa. Os loucos deles não são loucos, "tem problemas", "tem depressão apenas", como se a depressão fosse menos grave, esse auto diagnóstico que hoje é um eufemismo para loucura.
Na nossa comunidade, eu, louca clássica ( corri na rua ) há uns vinte anos atrás, numa época que não havia tantas informações e medicações atípicas, fundamos o Amigo no Ninho em 2007, com a vocação de socorrer a crise e lutar por direitos, por acessiblidade, contra o preconceito e discriminação da pessoa que vive com patologias mentais, convidando alguns ex pacientes de hospitais psiquiátricos, já ouvi muitos familiares pedir que "não colocasse idéias" na cabeça de seu parente, porque naquele momento ele estava "bom", semi intensivo ou ambulatorial no CAPS. Dou um sorriso, triste. Encontrei algumas destas pessoas internadas integralmente no HAA ou intensivo nos CAPS, delirantes, com aquela voz empastada de medicação. A idéia de apoio e suporte em saúde mental em rede funciona com uma dificuldade inexplicável após a internalização da idéia de tratamento na comunidade.
Desligando os celulares, saindo do faceboock, recuperando energias. O foco é a prevenção de recaídas. Produzindo intelectualmente, mas sem grandes exigências, valorizando pequenas conquistas ( colocar o carro na garagem, tirar foi mais fácil aprender), só dirijo até a escola que trabalho, uns cinco minutos. Ainda estou na auto-escola.
Consegui minha medicação este mês pelo SUS, dei-me o direito de um presente extravagante adorável: a autobiografia de Arnold Schwarzenegger, que leio em pequenas doses, abraços, nada de coices no cérebro. Penso em voltar a fazer outro idioma, li que a aprendizagem de nova língua estimula o cérebro a produção de novos ramas neurais, no caso do TABs, na minha idade, acredito que é recomendável.
Sem a mordoma Alfred que tinha, agora com a nova lei das domésticas não posso mais tê-las. Serviços domésticos: nomei-os de Monstros Sanguinolentos, Aliens do Mal, sem rostos ou sentimentos. Pior é que tenho certa mania de limpeza e organização. A guerra dos mundos está sempre acontecendo na minha casa, venço algumas batalhas e sou contaminada em outras.
Sobrevivendo. Amanhã e depois serão outros dias.

FORMAÇÃO EM SAÚDE MENTAL NO MARANHÃO: PIAUÍ DEVERIA IMITAR!

Maranhão prorroga inscrições para capacitação em Saúde Mental

A UNA-SUS/UFMA e a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Maranhão prorrogaram para o dia 08 de maio, as inscrições para o processo de seleção dos candidatos à primeira Turma do Curso de Capacitação em Saúde Mental.
As inscrições são gratuitas, pela internet, através do endereço eletrônico http://www.unasus.ufma.br/inscricao
 
Poderão fazer as inscrições todos os profissionais da área saúde, que atuam nos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, nas Estratégias Saúde da Família - ESF, nos Núcleos de Apoio a Saúde da Família - NASF e nos demais dispositivos da Rede Assistencial à Saúde Mental do SUS.
 
O processo seletivo será realizado por uma comissão a ser constituída pela Coordenação Geral dos Cursos da Área de Saúde Mental da UNA-SUS/UFMA e constará, unicamente, da avaliação curricular do candidato. 
 
O Edital completo, com todas as informações, pode ser acessado abaixo:
 

 

http://www.unasus.gov.br/node/308 

 Por muitos anos pacientes de alguns municipios do Maranhão chegavam em ambulâncias ou não, contidos ( amarrados) para atendimento nos dois hospitais psiquiátricos de Teresina existentes. Não sei quantos CAPS e equipes de NASF o Estado possuí hoje. Mas fico invejada da iniciativa da Universidade Federal do Maranhão, no inicio de 20011 havia previsão de alguns projetos que passaram no Ministério da Saúde para formação em conjunto com a UFPI. Exceto o interesse e luta da professora Doutora Lúcia Rosa, a saúde e ciência social, feita nesta universidade não se interessa pela temática, parece haver um entrave baseado ainda no preconceito num espaço onde encontramos discentes e docentes vivendo e convivendo com patologias mentais.

 

 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

AVALIAÇÃO DE SAÚDE MENTAL INFANTIL ATÉ 18 MESES PELO SUS

17/04/2013 - 13h50 Comissões - Assuntos Sociais - Atualizado em 17/04/2013 - 13h52

SUS poderá ser obrigado a avaliar saúde mental de crianças até 18 meses

Enviar notícia por e-mail Imprimir
Iara Farias Borges

Angela Portela, autora do projeto

SUS poderá elaborar protocolo ou utilizar instrumento já desenvolvido
O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ser obrigado a aplicar instrumento de avaliação psíquica em todas as crianças, até seus primeiros 18 meses de vida. Projeto de lei com esse objetivo, de autoria da senadora Ângela Portela (PT-RR), foi aprovado nesta quarta-feira (17) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
A matéria já passou pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e recebeu decisão terminativa da CAS. Se não houver recurso para que seja examinada em Plenário, a proposta seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados.
De acordo com o projeto de lei do Senado (PLS 451/2011), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/1990) será alterado para exigir a adoção de sistema de avaliação psíquica, em consulta pediátrica de acompanhamento da criança. Ângela Portela disse que o SUS poderá criar um instrumento de avaliação próprio ou aplicar o Protocolo de Indicadores de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDI), desenvolvido por pesquisadores brasileiros para avaliar e identificar de forma precoce eventuais riscos.
A relatora da proposta na CAS, senadora Ana Rita (PT-ES), observou não haver informações precisas sobre a ocorrência de distúrbios mentais na infância. No entanto, conforme ressaltou, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um percentual entre 10% e 20% das crianças nessa faixa etária sofrem transtornos no desenvolvimento mental.
- Apesar da alta magnitude, o problema dos transtornos mentais na infância não tem sido alvo da merecida atenção por parte dos serviços de saúde. O diagnóstico precoce e a possibilidade de instituição imediata de medidas terapêuticas efetivas poderão contribuir para a promoção do desenvolvimento saudável da criança, o que é fundamental para a constituição plena do sujeito - disse Ana Rita.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)



De 18 a 22 de março  deste ano, o Ministério da Saúde promoveu uma semana de prevenção a hanseníase e verminose nas escolas, as equipes acompanhados por médicos do PSF adentraram as escolas olhando manchas e dando remédio para vermes. Numa das escolas que trabalho foram identificados casos suspeitos de hanseníase, estas crianças estão sendo acompanhadas desde então.
Minha filha usa óculos desde os seis anos, problemas também identifcados por campanhas de saúde na escola. Por que não uma campanha em saúde mental nas séries iniciais ou mesmo entre os adolescentes?
Há poquissímas pesquisas sobre a questão da saúde mental infantil no Brasil, o que ainda se encontra produzido nos últimos cinco ou seis anos é material bibliográfico sobre o autismo, nada das psicoses infantis, confundidas com retardo  e deficiências mentais. O Amigo no Ninho articula parcerias para publicação de um livro com artigos sobre saúde mental infantil na escola.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

ENCONTRO DE USUÁRIOS DE SAÚDE MENTAL EM PARNAÍBA


III ENCONTRO DE FORMAÇÃO POLÍTICA PARA USUÁRIOS E FAMILIARES DE PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS
TEMA: “Quem sabe faz à hora, não espera acontecer”
PROGRAMAÇÃO:
DIA 23/05/13 (QUINTA-FEIRA)
12:00 ás 13:00 – Almoço
14h00min ÀS 17h00minH – Credenciamento
17h00minH - Mesa de abertura
·         Prefeito de Parnaíba
·         Prefeita de Luis Correia
·         Gerente Estadual de Saúde Mental do Piauí
·         Gerente de Saúde Mental de Parnaíba
·         Presidente do Encontro
·         Representante dos usuários e familiares de Parnaíba
18h00minH – Mesa Redonda: Experiências de autonomia e empoderamento em saúde mental
·         Representante do Piauí / Maranhão/ Ceará / Rio Grande do Norte e Campinas
19h00minH – Desfile de Camisetas: Resgate da história da Saúde Mental do Piauí
19h30minH – Jantar
20h00minH – Sarau Poético / Sociedade dos Poetas Por Vir

DIA 24/05/13 (SEXTA-FEIRA)
07h00minH – Café da Manhã
08h00minH - Palestra: Autonomização, empoderamento e participação política de usuários e familiares de saúde mental
·         Eduardo Vasconcelos – Psicólogo /RJ
09h00minH - A experiência do grupo de gestão autônoma da medicação –GAM
·         Rodrigo Pressoto – Psicólogo/ SP
10h00minH – Coffee Breack
12h00minH- Almoço
14h00min ÀS 16h00minH – Roda de Conversa
·         Espaço 1 - Empoderamento de familiares – Peixoto /SP
·         Espaço 2 - Gestão Autônoma da Medicação – Nilson/ SP
·         Espaço 3 – Enfrentamento do uso de álcool e drogas por familiares – Lúcia Rosa/PI
16:00H - Coffee Breack
16:30H- Oficinas: Fotografia /Poesia/ Estamparia
19h00minH - Jantar
20h30minH- Atividade Cultural
DIA 25/05/13 (SÁBADO)
07h00minH – Café da Manhã
08h00minH - Palestra: No dia que adentrei os portões do manicômio para deixar o meu filho
·         Peixoto – Familiar/SP
09h00minH - Mesa Redonda: Transtorno e trabalho: estratégias e desafios para a manutenção no mercado de trabalho
·         Arlete – União/PI
·         Calebe Abreu – Parnaíba/PI
·         Mamede – Teresina/PI
·         Fabrício – Teresina/PI
10h00minH – Coffee  Breack
12h00minH- Almoço
14h00min ÀS 16h00minH – Roda de Conversa
·         Espaço 1 - Ajuda e suporte mútuos em saúde mental - Eduardo Vasconcelos /RJ
·         Espaço 2 - Vencendo o aperreio e arrochando o nó - Rosaura Braz/RJ
·         Espaço 3 - Ampliando diálogos e reduzindo danos –  Ricardo Cruz /PI                                                   
16h00minH - Coffee Breack
16h30minH-  Trabalho em grupo : Avaliação do Encontro
19h00minH - Jantar
20h30minH- Atividade Cultural


O encontro é promovido pela ÂNCORA, grupo de usuários, familiares e pessoas interessadas em saúde mental. Com bastante experiência nestes eventos, o grupo mais uma vez promete boas discussôes trazendo grande nome nacional na área da luta antimanicomial, professor doutor Eduardo Mourão Vasconcelos. O Amigo no Ninho agradece as duas vagas cedidas a nosso grupo.





PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.