sábado, 29 de junho de 2013

MUITAS PESSOAS EM CRISE MENTAL EM TERESINA

Deus não me poupa, já disse. Os loucos sempre fizeram parte da minha vida desde criança. Cresci indo ao médico psiquiatra ( graças a Deus não havia CAPS i), doutor Bezerra, senhor magrinho, com um tique nervoso que faz seu pescoço virar todo para trás ao mesmo tempo que dá pequenas cuspidinhas (não lembro muito bem, mas acho que cuspia), mas me divertia, nunca tive nenhum problema em tomar medicação e ser um tanto estranha ou conviver com gente parecida comigo. Na adolescência, ia visitar meu avô paterno no extinto sanatório MEDUNA, não entendia bem, os adultos diziam que ele ia repousar.


Agora, se alguém do bairro está em crise, uma pessoa sempre vem até mim e me conta. Se for homem, não posso fazer muita coisa senão informar a família sobre a rede de serviços, municipal e estadual. Optamos por trabalhar somente com mulheres, por falta de estrutura da ONG, sem sede, atendemos em nossa própria casa. Nesse momento estou preocupada porque eles ou elas estão sempre informando sobre falta de medicação e não são bem tratados nos CAPS. Dá uma tristeza para quem acompanhou a concepção teórica do que seria a rede substituta do hospital psiquiátrico, antimanicomial, ou seja desinstitucionalizadora da doença mental, não mais espaços de tratamento onde as pessoas perderiam sua identidade para a doença, sua liberdade física, mas espaços de reabilitação para reinserção na comunidade.
Uma psiquiatria sem hospício. Inclusão no mundo do trabalho, em projetos de inclusão digital, chega desse negócio que todo louco é artista, pode até ser, mas como os normais não ganha dinheiro aqui no Piauí, vivendo só da arte. Não vemos nenhuma iniciativa institucional de geração de emprego e renda para aqueles com sintomas em remissão. Não vemos infelizmente um número significativo de desvinculação destes usuários dos CAPS, para rede ambulatorial, nos ambulatórios não temos psicólogos, mal encontramos em alguns ambulatórios municipais e hospital dia do HAA, o atendimento com o psiquiatra, voltamos a clínica somente medicamentosa, a psicoterapia volta ao terreno do sagrado e inacessível aos usuários do SUS. Alguns psiquiatras dizem que por isso os mantém semi intensivos nos CAPS, pela existência da equipe multidisciplinar. Mas penso, se não estou mais numa crise aguda, não me faz bem está constantemente convivendo com outros neste estado. Se preciso de um pronto socorro ou fazer uma cirurgia que exija internação só ficarei no hospital geral o tempo necessário. Imagina, ter que voltar para trocar curativos no HUT por meses ou até anos. Por que não se racionaliza que a doença mental pode ser tratado igualmente, saiu da crise aguda: consultas de manutenção ao psiquiatra como prevenção de recaídas, psicoterapia, se houver necessidades, nem todo psicótico tem problemas emocionais, o máximo fatores extressores externos como problemas de falta de trabalho, enfrentar o estigma e preconceito, etc podem provocar a volta de sintomas e acesso a práticas integrativas e complementares que auxiliam na estabilização dos sintomas por mais tempo junto à medicação.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

AMIGO NO NINHO: NICHO DE RESISTÊNCIA DO MOVIMENTO ANTIMANICOMIAL DO PIAUÍ

Cárcere privado em Cocal , a usuária não aparecer porque está nua

Cárcere privado em Barras, ex paciente do HAA, atendida pelo CAPS

Cárcere privado em Teresina, ex paciente do Meduna e HAA. Território do CAPS  sudeste.
Meus telefones estão a disposição na frente da página para que familiares e pessoas como eu, que vivem com patologias mentais, tem crise, são discriminadas, consideradas incapazes e não tem sua subjetividade respeitada pela sociedade possam ligar, para um encaminhamento, uma palavra amiga, uma informação da rede de serviços, não tenho  muito a oferecer. Nossa ONG conseguiu registros por reconhecimento de nosso trabalho na comunidade, tudo foi doado, a Federação Brasileira de Umbanda ( FEUBRA) e o cartório Temistócles Sampaio, nas pessoas bondosas de Dona Elizabeth e a querida Darlene e mestre Itamar.
Ontem recebi uma ligação de uma voz feminina, pedindo informações sobre o Ninho, dizia querer ou ter pessoas que precisam de ajuda em saúde mental. Quando falei que temos uma roda de cuidado, ou seja meu Evangelho no Lar, prática espírita kardecista na minha casa todos os domingos, único encontro possível de nossos poucos membros, todas mulheres, espaço de harmonização interior e ajuda mútua. A voz do outro lado  mostrou seu lado "científico técnico". Mantive minha postura professoral, terapêutica acolhedora, fingi que não percebi e continuei falando das práticas integrativas e complementares que considero imprescindível para saúde mental. Se não podemos pagar sessões de acupuntura e outras mais ou menos caras, os espaços de quaisquer crença se constituem em produção de saúde comunitária. A OMS considera uma das saúdes humanas, a questão da espiritualidade.
No final, não me esforcei muito para entender quem era e o que queria a pessoa. E esta um tanto especulativa em excesso, não me pareceu está sofrendo com alguém em crise aguda, pareceu-me mais alguém querendo deixar algum recado ameaçador, coisa do gênero, ou foi apenas paranoia minha. Besteira se a intenção foi esta!
A familiar da paciente do CAPS sudeste acaba de informar que a respiridona, o carbolítium e agora a cabarmazepina em falta,  talvez cheguem amanhã ou segunda-feira. Não tenho tempo de andar em gabinetes, Ministério Público, uso meu telefone e meu tempo escasso para militar. Adoeço, como agora, com uma criança de dez anos em crise, na escola e não há para onde encaminhar com retorno positivo para que esta criança possa continuar sua vida discente. E tantos outros casos. Muitos extremamente positivos, medicação, prática integrativa, autonomia e retorno a vida. Vários me ligam, conversam horas, numa logorréia linda ( de saúde mental, de vontade de compartilhar o bem-estar), que tenho que está bem para ouvi-los, avaliar a necessidade ou não de possíveis novas intervenções. Hoje uma que já tentou suicídio duas vezes, conversou horas e sorria de coisas simples, nos deu bastante trabalho nas crises agudas, que já aprendeu cognitivamente as estratégias de escapar das ciclagens.
O Ninho tem trabalho, não reconhecido, mas valoroso para quem precisa, usuários e familiares, nossa "clínica ampliada doméstica" tem dado resultados. Temos técnicos amigos, mesmo medrosos de se mostrarem, mas sempre nos ajudam na rede, bons ganchos, abraços felizes para estes. E pedimos a Deus a coragem de continuarmos denunciando, cobrando do poder público o mínimo do que temos direitos.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

NOVIDADE: DIREITOS HUMANOS PARA LOUCOS

31/05/2013 - 13h38

Projeto criminaliza preconceito contra portadores de deficiências mentais

Arquivo/ Gustavo Lima
Eliene Lima

A Câmara analisa projeto que transforma em crime o preconceito ou a discriminação contra os portadores de transtornos ou deficiências mentais. A pena prevista é de reclusão de um a três anos e multa.
A proposta (Projeto de Lei 5063/13), do deputado Eliene Lima (PSD-MT), acrescenta dispositivo à Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
O autor argumenta que a criminalização do preconceito contra portadores de deficiências mentais é uma demanda da Associação Brasileira de Psiquiatria. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 46 milhões de brasileiros têm transtornos mentais ou psicológicos, o equivalente a aproximadamente a 25% da população. Conforme a Associação, essas pessoas são discriminadas pela sociedade e veem a doença se agravar, pela falta de políticas públicas específicas dirigidas a elas.
Ainda de acordo com a associação, nas cadeias brasileiras estão presos pelo menos 60 mil doentes mentais, sem atendimento especializado. A associação afirma também que a coordenação de saúde mental do Ministério da Saúde extinguiu 93 mil leitos psiquiátricos e não criou a rede adequada de serviços para atendimento dessas pessoas.
Tramitação
O projeto será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania e, em seguida, pelo Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Lara Haje
Edição- Mariana Monteiro
PUBLICADO ORIGINALMENTE EM:
 
 
Vou mandar prender muita gente. Mas seria mais interessante mudanças na lei que caracteriza as deficiências ou criação de uma nossa, porque não somos considerados deficiente, sendo assim não temos acesso às políticas destinadas a essas pessoas, assenco nos conselhos destes, etc.

GRITO DAS RUAS: CADÊ O REMÉDIO?

25/06/2013 - 08h50

Comissão debate política de atenção à saúde mental

A Comissão de Seguridade Social e Família promove audiência pública hoje para discutir a política de atenção à saúde mental no Brasil. O debate está marcado para as 10 horas, no Plenário 7.
Foram convidados o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, e a diretora-substituta do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), Adelina Maria Feijão.
A deputada Erika Kokay (PT-DF), que sugeriu a audiência, defende a ampliação da cobertura dos Centros de Atenção Psicossocial e o incentivo à abertura de leitos integrais para atendimento hospitalar em unidades não-manicomiais.
“Além disso, é necessário aprofundar também a discussão quanto ao formato do modelo de custeio e às fontes de financiamento dessa política a fim de que sejam garantidos estímulos à formação de redes integrais de atenção psicossocial”, afirma Kokay.
Da Redação/DC
Publicado originalmente em:
 
Acho que o blog tem alguns leitores anônimos. Soube depois que postei nossa carta reivindicações aqui, que realmente uma comissão de saúde mental passou pela cidade. Será que "o formato do modelo de custeio e as fontes de financiamento" da saúde mental ou a ausência dessa é que está causando a falta de remédios por aqui. Soube que alguns prefeitos no interior do Piauí abandonaram os CAPS. Se é verdade, não posso conferir, talvez alguns leitores anônimos possam nos dar a resposta. Não darão, apenas sentirão muito no fundo de seus corações, mas não moverão seus pés, mãos ou boca para denunciar estes gestores ao MP, pelo menos isto, que provocaria a busca de recursos, a atenção a saúde mental, que não é só abrir leitos em CAPS ou hospitais. Não vivemos eternamente em crise. Estabilizamos os sintomas e temos relativa funcionalidade quando nos é dada oportunidade.
 
Uma das moças do post anterior tem curso superior, cuida da mãe idosa e tem dificuldade de conseguir trabalho na sua área por conta do estigma e preconceito e a outra é estudante ainda. Não podem ficar sem medicação ou perdem funcionalidade.
A familiar me informa no fim da tarde ao retornar o CAPS Sudeste que terá que pegar a respiridona e o carbolítium no CAPS sul (perto da Evangelina Rosa) ou num CAPS que fica perto do Albertão, não sei qual é???? Mudam tanto de endereço, não criam território. Ela vai pagar um mototaxi para tentar buscar a medicação. A família mora no Renascença, depois do Dirceu. Pois é... famílias esforçadas que dão seu jeito de qualquer jeito, mas e tantos outros usuários que não tem este apoio, resta a recaída. Então a gente se assusta com o desvirtuamento da proposta psicossocial, CAPS que parece mini manicômios, já cronificando pacientes. Todas as vezes que vai ao CAPS lá está aquele paciente, que você percebeu há meses, do mesmo jeito. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

DENÚNCIA: FALTA DE MEDICAÇÃO NOS CAPS DE TERESINA

Familiar acaba de chegar a minha casa, vem do CAPS sudeste, super preocupada com a falta de medicação : dia 21 de maio esta não conseguiu o Clonazepan e hoje sua paciente esquizofrênica, já aparentando sinais de crise, há dois dias sem as medicações Respiridona e Carbolítiun, foi informada por um técnico que estão em falta em todos os CAPS.
O que fazer? A familiar está com uma garrafa de chá de erva cidreira. Será a solução? O que as Gerências de saúde mental do Estado e Municipio podem fazer em benefício destes usuários. Gente, por experiência própria com décadas de "manejo" da vivência com transtorno mental eu não consigo passar mais de cinco dias sem as medicações, sem que apareçam os sintomas. Temos doenças crônicas, as medicações são de uso contínuo. O SUS é uma politica pública, quem está lá é porque precisa. Não adianta psiquiatra passar receita para manipular. Paciente de CAPS, rede pública de saúde, não tem condições de comprar.
Outra paciente está vendendo chaveirinhos para comprar sua medicação, depois de muita resistência para aceitar sua patologia e necessidade de se medicar.
Cadê a Reforma Psiquiátrica neste Estado, construtora de novas vidas, inseridas na comunidade com acesso a direitos básicos? Morreu? Foi enterrada pelos atuais gestões, estadual e municipal? Promessa de campanha do Sr. Firmino Filho era de "implementar" os CAPS. Está sucateando? Queremos medicação, no mínimo.

AUMENTO DE DOENÇAS MENTAIS E OS CLÍNICOS GERAIS

Para minimizar o problema está sendo lançado um livro que vai ampliar o conhecimento e o acesso às informações sobre tratamento da depressão, ansiedade, insônia, pânico, transtornos, dependência de álcool e drogas, entre outros
 
O grupo de pesquisa do Departamento de Psiquiatria da Unifesp constatou que apenas 1/3 das pessoas são bem cuidadas – normalmente em grandes centros – quando apresentam algum transtorno mental. A estimativa, do mesmo grupo da Unifesp, é que 25% da população adulta precisarão de algum tipo de cuidado de saúde mental no período de um ano. 
 
Para o professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Jair de Jesus Mari, a saúde mental tem sido negligenciada e os problemas são mais comuns do que se imagina. “Depressão, ansiedade, insônia, transtorno do pânico, dependência de álcool e drogas, entre outros são responsáveis por 18% da sobrecarga global das doenças no país”, explica o especialista. Segundo ele, um problema gástrico ou cardiovascular também pode estar associado à uma doença de saúde mental, que jamais será investigada. “Casos mal encaminhados, sem diagnóstico, causam perdas familiar e econômica incalculáveis”, lembra. 
 
Entre 90 e 95% dos casos são atendidos por clínicos gerais que, com exceção das faculdades de excelência, não estão preparados para esse tipo de doença e para o atendimento inicial. “Existe um hiato entre a demanda e o tratamento psiquiátrico disponibilizado no nosso país. O médico precisa saber, na atividade clínica, sobre psiquiatria”, alerta o professor da Unifesp.
 
Para melhorar a capacitação e o envolvimento de profissionais não especialistas com a finalidade de oferecer diagnóstico e tratamento apropriados a todos os indivíduos afetados por transtornos mentais, foi elaborado o mais completo livro sobre o assunto no Brasil. A publicação, da editora Manole, será lançada durante o Congresso Cérebro, Comportamento e Emoções, no Centro de Convenções Frei Caneca, em junho em São Paulo. Psiquiatria na prática clínica é organizado por Jair de Jesus Mari e também por Christian Kieling, professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e conta com a participação dos principais nomes da psiquiatria no país.
 
A finalidade da obra é levar aos médicos clínicos gerais, cardiologistas, endocrinologistas, oncologistas, geriatras e pediatras a importância da saúde mental e dar o conhecimento adequado desde como fazer a entrevista, como e quando utilizar o medicamento até quando encaminhar o caso para um psiquiatra. “Com conhecimento, os médicos não apenas podem, mas devem medicar. Mas também devem saber quando e qual é o limite da ação”, conclui Jair Mari.
 
SOBRE OS EDITORES:
 
Jair de Jesus Mari é Professor Titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, Professor Honorário da Universidade de Londres e membro do Comitê Consultivo do Movement for Global Mental Health.
 
Christian Kieling é Professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da UFRGS e membro do Comitê Consultivo do Movement for Global Mental Health.
 
PSIQUIATRIA NA PRÁTICA CLÍNICA
 
ISBN 978 85 204 3312 6
 
Formato: 17 x 24 cm, 716 p., R$ 230,00
Editora Manole, 2013. www.manole.com.br
Publicado originalmente em:
 

sábado, 22 de junho de 2013

CRIANÇA OPOSITIVA E DESAFIADORA: PATOLOGIA MENTAL?

O que uma família pode fazer quando um dos filhos é opositivo e desafiador?

Hum... boa pergunta. Difícil resposta. Pode-se não fazer nada. Ou pode se tentar de tudo. Mas se você quiser investir na criança od (= opositiva e desafiadora) vá se preparando porque o caminho é árduo e íngreme. Essas pessoas são assim desde pequenas. Talvez seja um jeito de ser, talvez seja uma faceta de algumas crianças que têm o TDAH. Ou as duas coisas ou muito mais que isso. O fato é que as famílias ficam enlouquecidas e as mães ficam perdidas e sem chão, deprimem, adoecem e tudo o mais que você pensar é pouco. Os pais, uma grande parcela deles acaba saindo de casa ou se simplesmente se afastam do problema. Geralmente sobra para a mãe. Enquanto a criança é pequena, a família acaba dando um jeito, mas à medida que a criança vai crescendo, a situação fica realmente um sério problema. Nossa, fica uma gritaria, um tal de um culpar o outro, ninguém concorda com ninguém, ninguém obedece ninguém, é patético. Os pais ficam iguais à criança, eles fazem tudo o que eles mesmos pregam para que não seja feito. Mas nós também faríamos igual, poxa, ninguém é de ferro.
Quem aguenta um filho que não concorda com nada, que te ofende, te xinga, mete o dedo na tua cara, grita com você, desafia os professores, os colegas, mente, sempre tá certo e você sempre tá errado e você sempre é o culpado? Impossível: não há quem aguente mesmo... Remédio também não resolve muito não. A gente até prescreve, mas os resultados são poucos. Contudo, muito mais da metade das mães precisam tomar algum remédio, seja pra estresse ou depressão. Complicado... a verdade é que essas crianças od não funcionam que nem as crianças que não são od. Como assim? Bem, elas precisam de regras e limites muito mais do que as outras crianças. O problema é que elas não lidam nada bem com o não. O limiar de frustração das crianças od é baixíssimo. E parece que elas não se veem e que elas não percebem o que elas falam e como falam, elas se acham sempre certas e sempre injustiçadas. O mundo sempre é culpado bem como os pais, os professores, etc. Elas não têm essa crítica. E só sabem viver brigando. Qualquer coisa que o adulto fizer e ou falar eles vão retrucar. E aí? Uma vez a gente aguenta, mas o problema é que seja lá o que você falar ou fizer, você nunca vai dar uma à dentro, porque estará sempre errado.
Os pais de crianças od precisariam fazer um treinamento para entenderem o que ocorre com as crianças que têm esse problema. Porque até hoje eu só vi alguma melhora nessas crianças quando existe de fato uma mudança no sistema familiar. Não que ele esteja errado, não é isso. É que essas crianças não funcionam e não respondem ao modus operandi do sistema familiar padrão.
 O sistema familiar precisa mudar para um modelo tal que funcione como um espelho para essas crianças. De modo que elas vivam segundo essas novas regras e novo molde por um tempo suficiente para elas o internalizem e passem a usar este novo que elas sirvam de modelo para que as crianças od possam vivenciá-lo e copiá-lo no dia-a-dia, no relacionamento com a família e com o mundo de modo geral. Só que isso leva um tempo. Não se tem resultado de uma semana para a outra. Mas se formos pensar nos estragos que esse jeito od causa na vida das crianças e de suas famílias vale a pena o esforço. Sim, porque qualquer pessoa que não concorda nunca com os outros e que queira que tudo seja conforme ela quer, é claro que vai ficar sozinha e rejeitada e ela vai acabar ficando marginalizada e excluída. O que normalmente a gente vê é que a vida dessas crianças evolui mal em todos os setores. Na escola é comum que ocorram várias repetências, evasão escolar, distúrbios de comportamento, drogas e até morte precoce. Cerca de 10 a 20% das crianças od evoluem para este caminho cujo prognóstico é o pior possível. A família pode ajudar.
 Mas ela precisa mudar para ajudar. Daí ser tão difícil este processo. Porque mudar é difícil para qualquer um de nós. Envolve fazer um processo de luto. E normalmente é preciso agregar a família toda neste processo. É como se a família nuclear tivesse que aprender uma nova linguagem, para depois ensinar esta nova língua para a criança od. E nem sempre os pais têm tempo, dinheiro e disponibilidade interna para isso. Eu atendo muitas famílias que sofrem este tipo de problema. 
 E eu posso dizer que fica um clima de impotência e frustração. Tanto pela minha parte como por parte da família e da criança. É claro, você vai ao médico à procura de uma solução. E rápida, de preferência. Quando isso não ocorre, é chato, é claro. Ainda mais quando o médico diz aos pais que eles precisam mudar. Bem, de todo modo, eu me disponho a ajudar. Tenho pensado em criar um grupo de apoio para famílias que têm um filho opositivo e desafiador. E também para quem tem mãe ou pai opositivo e desafiador. Isso também acontece. Afinal, as crianças od crescem e também casam e têm filhos e certamente continuarão opositivos e desafiadores. E nestes casos, os filhos é que vão ter que saber como lidar com isso. Os grupos seriam quinzenais, fechados e no Rio de Janeiro, no bairro de Vila Isabel, sem custos e compreendendo oito encontros de duas horas cada. Em julho eu vou criar uma página sobre o tema e quem estiver interessado pode postar lá. Se tudo der certo, o grupo será iniciado em agosto ou setembro deste ano. Essa iniciativa foi gerada pelo fato de eu atender com muita frequência famílias com filhos opositivos e desafiadores. Espero que esses grupos possam ajudar essas famílias. Eu vou precisar de pessoas voluntárias também. Quem se interessar, como eu disse, em julho eu vou criar uma página sobre o assunto. Agora em junho, em função de eu ir a dois congressos, não terei tempo.
Evelyn Vinocur
Postado originalmente em Bipolares uma Reflexão.

As escolas estão cheias destas "personalidades", pais, mães, avós e escola não sabem o que fazer, de Conselho Tutelar ao consultório do psicólogo, tenta-se tudo no desespero de convivência e educação com os "ODs," No Brasil não há psiquiatria infantil, pelo menos ainda não chegou aqui nos rincões piauienses, um único CAPS i para todo o Estado, que não funciona atendendo a contento toda uma demanda reprimida.
Nós sociedade, precisamos aprender a "domá-los" com urgência ou teremos adultos detestáveis, nesse mundo que avança cada vez mais para a "anormalidade universal."

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.