sexta-feira, 14 de junho de 2013

LOUCO TAMBÉM VOTA!!! VOTO TÃO INÚTIL QUANTO OS DOS NORMAIS.

Comissão de parlamentares viriam ao Piauì gostariam de saber a quantas anda os serviços de saúde mental no Estado. Avisaram-me que falariam com usuários. Feito o Cacique Juruna, a quem muito admiro, resolvi registrar pedidos e denúncias. Elaborei o singelo documento abaixo, para entregar em mãos depois de todos aqueles argumentos que alguns mal formados psicólogos adoram chamar de ganho secundário.
Pois é, mas, a tal comissão vi na televisão esteve aqui por conta da violência contra mulher e se outros da saúde mental entraram em contato, pedi e peço que vos entregue nossa missiva e se houver maior interesse, nos deixm endereço para entregar anexos: fotos do nosso trabalho, dos cárceres privados, do CAPS i numa reforma de 60 dias intermináveis.
Fica o registro:

O Amigo no Ninho – Rede de Apoio e Suporte em Saúde Mental do Piauí vem através deste documento com anexos inclusos, informar e denunciar algumas precariedades pelas quais passam alguns usuários de saúde mental na rede SUS do Piauí ao mesmo tempo que pedimos a intervenção de vossas senhorias através de elaboração de projetos nacionais que virão nos auxiliar a todos que vivemos e convivemos com transtornos mentais.
1.     Procedimento Administrativo 160/2011 (MPE/CAODS), cumprimento de cláusula do TAC nº 347/2009: transferência do CAPS i para fora dos limites do HAA, até agora não aconteceu e fizeram um arremedo no MP, impuseram uma oferta, que tivemos que aceitar pensando na necessidade extrema da população psicótica escolar infantil. Construíram um muro separando o prédio do CAPS i, do restante do complexo hospitalar e até a hoje a reforma se arrasta com as crianças e adolescentes sendo atendidas na Terapia Ocupacional dos adultos, que segundo próprios técnicos que ali trabalham às vezes se misturam ao pacientes internados integralmente. A reforma duraria 60 dias, tem mais de ano.
Nossa luta é para que o Município de Teresina abra seu próprio serviço, CAPS i ou outro nome deste centro de atendimento a crianças TGDs ( Transtornos Globais do Desenvolvimento) mais parecidos com escolas que hospitais, numa intersetorialidade e integração comunitária reais, poderia até ser um Núcleo de Apoio a Educação (NAE), proposta garantida na IV Conferência Nacional de Saúde Mental Intersetorial em 2011, composto por psicopedagogos, assistentes sociais e psicólogos para garantir o acesso e permanência da pessoa em sofrimento psíquico na rede regular de ensino.

2.     Procedimento Administrativo: 91/2011 (MPE/CAODS) :  Existência de cárceres privados de pacientes psiquiátricos em vários municípios piauienses. Temos registros fotográficos, visão in loco de alguns casos, mas muitas são as denúncias que não temos condições estruturais para acompanhar ou onde denunciar com certeza que estes casos não ficarão sem a devida atenção pela saúde mental e básica dos municípios, tentamos fazer rede com o Conselho Estadual de Saúde junto às companheiras da Associação Piauiense de Prostitutas, conselheiras que são mais sensíveis a causa.
Gostaríamos de oficializar através deste um pedido de lançamento de uma campanha nacional contra o cárcere privado de pacientes com transtornos mentais  no Brasil, prevendo punição socioeducativa para família e ajuda do Estado para o cuidado deste paciente pela atenção básica ou contratação de técnicos de enfermagem, de referência, para casos de idosos presos e seus cuidadores também idosos, bastante comum nos casos encontrados no Piauí.
3.     Outro grave problema é o desvinculamento do paciente dos CAPS II, segundo a portaria nº 336/GM de 2002, que institui os CAPS, estes dispositivos estão destinados ao perfil de pacientes  com transtornos considerados severos e persistentes, saindo da crise aguda, muitos estabilizam os sintomas o suficiente para a integração total na comunidade, contudo precisam de tratamento contínuo ambulatorial, no município de Teresina os ambulatórios de bairros da periferia, território destes usuários tem carência de médicos psiquiatras e psicólogo. Gostaríamos que a comissão considerasse nossa sugestão de que na falta destes especialistas, o médico da atenção básica recebesse treinamento e na falta do psicólogo, as práticas integrativas e complementares já instituídas como politica de saúde pelo MS, fossem incorporadas na rede municipal. Práticas com que o Amigo do Ninho já trabalha com excelentes resultados com as usuárias atendidas: as terapias naturistas, práticas da medicina chinesa como a acupuntura e as grupais como Terapia Comunitária e Biodança. Além da flexibilidade de horário de marcação de consulta, já que usamos medicações que provocam sono intenso e desequilíbrios durante o dia se não dormirmos o suficiente. Paciente psiquiátrico necessita de consultas de manutenção sempre, mesmo que mensalmente, bimestralmente mas a dificuldade de obter o retorno deveria não deveria existir. Propomos um cartão especial que nos identifique no sistema.
4.     Outro ponto fundamental é quanto a inserção da pessoa com transtorno mental  no mercado de trabalho via concurso público. Cada vez mais crianças, adolescentes e jovens bem acompanhados medicamente chegam a universidade e concluem, mesmo enfrentando limitações suas graduações, novamente, pedimos vossa sensibilidade  máxima para este tema, queremos que o decreto nº 3.298 de dezembro de 1999 que regulamenta a lei nº 7.853/1989 que dispõe sobre a politica de integração da pessoa portadora de deficiência, consolida normas de proteção possa ser novamente ser alterado e o Transtorno Mental nas suas diversas patologias possam constar como deficiência permanente, insurgindo-se como a V classificação de deficiências para que possamos concorrer as cotas para deficientes em concurso público, com a ressalva que ainda precisamos de ambiente de trabalho protegido de assédio  moral laboral no período probatório, por conta da dificuldade de adaptações a novas rotinas que algumas patologias apresentam a seus portadores, com consequências de aparecimento de sintomas, tenhamos direito a atestado médico em número suficiente nesta fase.
Esperamos que vossas senhorias e assessorias possam dar forma a projetos na câmara a partir de nossas sugestões. Não esquecendo de lembrar que todos nós, usuários gozando de saúde mental, fora dos hospitais psiquiátricos votamos como quaisquer cidadão e seremos agradecidos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

DEPRESSÃO:UMA VISÃO TRANSPESSOAL

Os pensamentos criadores da saúde e da depressão

Notícia publicada na edição de 10/06/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

* Adriana Splendore

A Organização Mundial de Saúde, OMS, prevê que, em 2020, a depressão seja a doença mais comum da humanidade. Ela é um mal que pode atingir qualquer um, em qualquer idade.

Atualmente, a grande polêmica em torno da depressão é que o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), principal órgão financiador de pesquisas na área do País, rejeitou oficialmente o DSM-V (o novo Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais), há duas semanas do seu lançamento. Um dos motivos é justamente sobre a classificação do que é tristeza, uma emoção necessária, e do que é depressão, uma patologia que precisa de tratamento.

Tristeza é uma emoção que traz significados importantes - ela é necessária, no caso do luto, por exemplo, precisamos elaborar a perda, revermos nossas atitudes. Antigamente no luto, as pessoas vestiam preto por dois anos em sinal de respeito a esse período de perda e dor.

No DSM-V eles propõe que esse período de luto dure apenas duas semanas e, depois disso, já seria considerado uma patologia, a depressão, e que precisaria de medicamentos para ser tratada. Mas, apenas os medicamentos não vão mudar nossa maneira de pensar, eles aliviam alguns sintomas, mas o que promoverá mudanças no indivíduo sempre será a psicoterapia.

A depressão é uma doença que vai se instalando aos poucos e dando sinais de que algo não está bem em nossa vida. Não se trata apenas de passar o dia triste, mas sim, não ter energia para levantar da cama. Ela indica uma desarmonia interna e um ou mais níveis do nosso ser, seja no físico, emocional ou energético.

Ela altera a maneira como a pessoa vê o mundo, como entende as coisas, manifesta emoções e o prazer com a vida. Ela afeta tudo, como as pessoas se alimentam, dormem, como se sentem em relação a si próprio e como pensam sobre as coisas. A depressão não é simplesmente estar com um "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.

A falta de valores verdadeiros para dar sentido à vida, o vazio gerado pelo consumismo só de bens materiais e prazeres supérfluos, a ausência de princípios, a pouca ou nenhuma experiência espiritual, levam ao desenvolvimento da doença da alma, que desafia os conhecimentos atuais.

Quando a depressão se instala é porque a alma adoeceu. É a falta de alegria e ânimo. As queixas mais frequentes falam de um grande desânimo, um estado de espírito negativo, uma tristeza que invade a alma. São João da Cruz nos fala da "Noite escura da alma", onde perdemos a vontade de viver e nada mais tem graça.

A depressão pode estar ligada aos traumas, perda de um ente querido, separações, falta de perspectiva profissional, sentimento de culpa, desilusão amorosa, problemas financeiros, mágoas por traições ou injustiças, e muito mais.

Há problemas emocionais e psicológicos como, por exemplo, cobranças excessivas, preocupações exageradas, pensamentos obsessivos, medos, fobias que precisam de orientação, tudo isso pode ser somatizado no corpo de várias formas. As mensagens que o corpo traduz são muitas: insônia (onde os pensamentos repetitivos impedem o cérebro de reduzir sua frequência, e a pessoa não consegue desligar, exaurindo suas forças); dores de cabeça (pelo excesso de ruminação dos problemas); dores de estômago (os pensamentos não são digeridos e o órgão não consegue processar o que não existe e, assim, as ideias fixas prejudicam a digestão); intestino preguiçoso (onde os ressentimentos, os pensamentos que ficam voltando ao passado e a incapacidade de perdoar e, deste modo, os intestinos imitam esse comportamento).

A relação entre o cérebro e os intestinos, embora há muito conhecida pela medicina chinesa, vem sendo bastante estudada atualmente. O Dr Helion Póvoa mostra que as paredes dos intestinos, estimuladas pela fricção das fibras alimentares, secretam a serotonina. "A alegria e a inteligência emocional, de que tanto precisamos para viver bem, começam realmente a partir do intestino.", diz ele.

Vivemos a maior parte do tempo no piloto automático. Pierre Weiss nos fala da normose, estado inconsciente de pensamentos e atitudes automáticos, onde deixamos nossa mente solta sem controle. Desta maneira, devemos ser os construtores dos pensamentos e não escravos deles, a nossa saúde começa na mente. Pensamentos são como escadas que podem fazer você subir ou descer de nível de consciência.

Victor Frankl, um dos fundadores da psicologia transpessoal, nos fala da importância de buscarmos um sentido para a vida, uma busca pela transcendência do ser. Dificilmente você encontrará um depressivo que tenha essa busca por "algo a mais", e é a falta de objetivos transcendentes que leva ao descrédito de viver. Não ama, nem se sente amado, não alimenta seus sonhos, nada mais entusiasma. Normalmente vemos que a pessoa gastou energia demais, ou está apegado a uma energia que não é boa para ela.

Maslow narra, que precisamos ter consciência deste impulso à transcendência. Essa busca é inerente ao ser humano, o qual, quando reprimido, adoece. Sem o transcendente, ficamos doentes, violentos e niilistas, vazios de esperança e apáticos. Há doenças espirituais e que precisam ser reconhecidas e devidamente tratadas. A Dra. Caroline Myss, em seu livro Anatomia do Espírito discorre sobre que o campo energético reflete a energia de cada indivíduo. Ele nos cerca e leva conosco a energia emocional criada por nossas experiências internas e externas. Tanto as positivas quanto as negativas. Essa força emocional influencia o tecido físico dos nossos corpos e contribuem para a formação do nosso tecido celular. Experiências positivas e negativas são registradas como uma memória no tecido celular, assim como no campo energético.

Dra. Candance Pert provou no livro "A cura da mente", que os neuropeptídeos , substâncias químicas despertadas pelas emoções, são pensamentos convertidos em matéria. Ela afirma que a mente está em cada célula do seu corpo e a depressão é considerada uma desordem emocional e mental - em termos energéticos, a depressão é uma liberação de energia sem consciência. Se o dinheiro é como uma energia, a imagem da depressão é como você abrir sua carteira e anunciar que não se importa mais com quem pega seu dinheiro e com o modo como ele é gasto. Sem energia vital você não pode sustentar sua saúde.

Para criar as doenças, as emoções negativas precisam ser dominantes. E o que acelera o processo é saber que o pensamento negativo é tóxico, no entanto damos a ele a permissão para crescer em nossa consciência. Assim, somos responsáveis pela criação de nossa saúde e temos íntima responsabilidade também pela criação da doença.

* Adriana Splendore é terapeuta ortomolecular e psicoterapeuta transpessoal

http://www.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=478624 

sábado, 8 de junho de 2013

A LOUCURA FATIADA EM MUITOS PEDAÇOS

Mais doenças mentais

Edição 208 - Junho de 2013
© DANIEL BUENO
012-015_Tecnociencia_208-1
Sob protestos, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) lançou em maio a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM), usado mundialmente. Em um comunicado público, Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), criticou a falta de marcadores biológicos que possam validar o diagnóstico de doenças mentais, ainda feito apenas com base em sinais e sintomas, sem parâmetros laboratoriais objetivos. Em uma declaração conjunta, o NIMH e a APA reconheceram que o manual expressa o estado da arte do conhecimento nesse campo e que melhorias no diagnóstico são muito bem-vindas. Allen Frances, coordenador da edição anterior do DSM, alertou que o novo manual alargou a possibilidade de enquadrar como transtorno mental o que antes era visto como normalidade.
Comer em excesso 12 vezes em três meses, por exemplo, deixou de ser um sinal de gulodice e se tornou um indicativo de transtorno mental. Preocupado com o aparente exagero, Miguel Jorge, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), comentou que qualquer criança irritadiça poderia ser agora diagnosticada com distúrbio de humor. O conceito de depressão está também mais abrangente: uma pessoa de luto por pelo menos duas semanas pode receber esse diagnóstico. A desordem disfórica pré-menstrual, forma mais grave de tensão pré-menstrual, passou a ser classificada como um transtorno mental. Agora existe um só nome – transtorno do espectro do autismo – para designar as quatro formas dessa doença. 


Estatuto do Nascituro: Enfim a anormalidade universal existe!!!

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=591917947506451&set=a.396729613691953.99341.396630023701912&type=1&ref=nf


Diga não a essa aberração! Assine a petição:http://www.avaaz.org/po/petition/Diga_NAO_ao_Estatuto_do_Nascituro_PL_4782007/
Entrevista com Bernardo Campinho, professor do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ.

Viomundo – Pelo Estatuto do Nascituro o estuprador teria reconhecida a paternidade do fruto do seu crime?

Bernardo Campinho — Tanto o projeto original quanto o substitutivo, aprovado na Comissão de Seguridade Social, interpretam a paternidade como fato biológico absoluto, estabelecendo a obrigação do pai/genitor, ainda que perpetrador da violência sexual, de arcar com a manutenção econômica da criança. Ou seja, o estuprador, se localizado, aparecerá na certidão de nascimento como o pai.

Viomundo — Então além de a mulher ser obrigada a ter o filho resultante de estupro, ela será obrigada a ter contato com o estuprador?!

Bernardo Campinho – Exatamente. Aberração completa. O Estatuto do Nascituro legitima a violência contra a mulher assim como viola os direitos fundamentais à segurança e a integridade moral dessa mulher.

Ao sujeitar a mulher a desenvolver relações pessoais com o estuprador, em virtude do reconhecimento legalmente determinado de qualidade de pai do (a) filho(a), o projeto de lei 478/207 despreza o caráter social e afetivo da construção jurídica da paternidade e negligencia as escolhas da mulher. Mais ainda. Aquela que é casada e tenha sofrido violência sexual, o cônjuge dela passa a ser obrigado também a conviver com agressor, agora reconhecido como “pai/genitor”.

No cenário de aprovação do PL 478/2007, o agressor poderia inclusive, depois de resolvida a sua situação perante a Justiça Criminal, reivindicar direitos de visitação ou o exercício conjunto de tarefas de cuidado, criação e educação da criança. Bastaria alegar que o Estatuto do Nascituro estabelece obrigações materiais, o que lhe asseguraria, ainda que implicitamente, os direitos e as obrigações morais com relação à criança.

Leia a entrevista na íntegra: http://www.viomundo.com.br/denuncias/campinho-estuprador-tera-nome-na-certidao-de-nascimento-como-pai.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

DISLEXIA E TDAH NA ESCOLA: ACOMPANHAMENTO NA REDE DE SAÚDE DO SUS?

Educação aprova programa para acompanhar dislexia e TDAH em escolas

Arquivo/ Saulo Cruz
Mara Gabrilli
Mara Gabrilli modificou a proposta para que todos os transtornos de aprendizagem tenham acompanhamento.
A Comissão de Educação aprovou na última quarta-feira (5) proposta que obriga o Poder Público a manter programa de acompanhamento integral de dislexia, de transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou de qualquer outro transtorno de aprendizagem para estudantes do ensino básico da rede pública e privada. O texto aprovado é o substitutivo, com complementação de voto, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), ao Projeto de Lei 7081/10, do Senado.
De acordo com a proposta, o acompanhamento integral inclui a identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico e apoio educacional específico voltado para a sua dificuldade na rede de ensino, bem como apoio terapêutico especializado na rede de saúde. A escola também poderá recorrer à assistência social e outras políticas públicas existentes no território.
O projeto original previa programa de diagnóstico e tratamento para dislexia e TDAH. A relatora preferiu falar em programa de acompanhamento integral das doenças. Ela destaca que o atendimento educacional específico, nas escolas, voltado para as dificuldades do educando, não se confunde com intervenção terapêutica ou diagnóstico clínico.
Conforme o texto, caso seja verificada a necessidade de intervenção terapêutica, esta deverá ser estabelecida em um serviço de saúde que apresente a possibilidade de avaliação diagnóstica, com metas de acompanhamento por equipe multidisciplinar composta por profissionais necessários ao desempenho dessa abordagem.
O texto original previa programas de acompanhamentos apenas para dislexia e TDHA. Mara acrescentou outros transtornos de aprendizagem. “Nossos educandos merecem a oferta das técnicas, recursos e estratégias que garantirão seu pleno desenvolvimento acadêmico, e isso pressupõe sobretudo que desmistifiquemos todos os distúrbios de aprendizagem”, disse a deputada.
Formação de professores
Segundo a proposta, os sistemas de ensino devem garantir aos professores da educação básica amplo acesso à informação e à formação continuada objetivando capacitá-los para a identificação precoce dos sinais relacionados aos transtornos de aprendizagem ou do TDAH, bem como para o atendimento educacional escolar desses educandos.
Mara Gabrilli destacou que, para a construção do substitutivo, contou com a colaboração dos Ministérios da Educação (MEC) e da Saúde. “Há não apenas o entendimento conceitual da relevância da matéria no âmbito do MEC, como também não se encontrarão óbices orçamentários à implantação da política pretendida”, observou.
Doenças
A dislexia é um transtorno de aprendizagem de leitura crônico, de origem neurobiológica. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial, segundo a Associação Brasileira de Dislexia. Já o TDAH se caracteriza por sinais claros e repetitivos de desatenção, inquietude e impulsividade, mesmo quando o paciente tenta não mostrá-lo.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo e já foi aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família, ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fico encafifada com esta nomenclatura: transtornos de aprendizagem. Por que transtornos? A "desordem" do DMS americano? Já do número V? Dislexia e TDAH são explicitamente citados como impecilhos à   aprendizagem e  ... " qualquer outro transtorno de aprendizagem", parecido com "transtornos invasivos da infância sem outras especificações" ou "transtornos do desenvolvimento" entre parênteses "psicoses infantis".
Sem fontes de pesquisa. Invisíveis mais uma vez num texto da política da educação. Duas da manhã, vou dormir,minha filha surda tem fonoaudiólogo amanhã, sabado nove horas. Quem acha que conseguirei levantar no horário? E arrastá-la que é o  mais difícil. Boa noite, Vietnam!!! 

SERVIÇO SOCIAL E PSICOLOGIA NA ESCOLA




CONVITE

O Conselho Regional de Serviço Social 22ª Região, em parceria com Conselho Regional de Psicologia e Pastoral da Família convidam os(a) assistentes sociais, psicólogos (a) e demais interessados pela discussão sobre a inserção de Assistentes Sociais e Psicólogos na Educação a participar de Audiência Pública a ser realizada na Câmara Municipal de Vereadores de Teresina, no dia 13 de junho de 2013 (quinta-feira) às 09:00.

Fruto de um movimento nacional puxado pelos conselho federal e regionais para institucionalização do Serviço Social e Psicologia na educação básica pública, este momento piauiense da luta, deverá está mais amadurecido na perspectiva de que os argumentos para que se criem uma lei municipal,  que se crie o cargo de assistentes social no quadro da educação, se institucionalize tanto o Serviço Social quanto a Psicologia no espaço escolar, estejam , mais amadurecidos por uma prática destes profissionais nos IFES do Estado, estes já viram o quanto a escola é uma instituição já departamentalizada, suas limitações de intervenções junto ao educando e família, esta é a carência tão informada pela escola, a crença que a escola tem "na novidade, no rabo da sereia" que estes podem levar para escola e ajudar solucionar seus problemas de discentes indisciplinados, com transtornos mentais, deficiências várias e negligência de algumas familias.
Faz-se necessário irmos além do que já se produziu quanto as atribuição das assistentes sociais na escola, e estarmos melhorando a proposta de lei quanto as atribuições tanto do assistente social que precisa conhecer a dinâmica da escola básica municipal e do psicólogo quanto às demandas psicossociais que se apresentam, insisto que quando necessário este psicólogo, ultrapasse a ideia sagrada da clínica e o faça, senão cairemos no risco eterno do encaminhamento para serviços de psicologia do SUS, quase que inacessíveis a estes educandos.

sábado, 1 de junho de 2013

EXCLUSÃO NA ESCOLA É PRÁTICA MANICOMIAL


Em 18 de maio de 1987, na cidade de Bauru, SP, aconteceu o Congresso dos Trabalhadores de Saúde Mental, em cujo seio nasceu o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. Em Santos o assunto fervilhava, devido à existência da Casa de Saúde Anchieta, chamada de “Casa dos Horrores”, um hospital psiquiátrico à antiga (ou nem tanto), que usava choques elétricos e medicação abundante e mantinha internos por décadas.
Eu deveria ter ido a esse Congresso, mas minha mulher estava grávida de nove meses (minha filha nasceu uma semana depois), e fiquei roendo as unhas de vontade, acompanhando o movimento que se abria em Santos.
No dia 02 de maio de 1989 o deputado Paulo Delgado apresentou o Projeto de Lei 3657/89, que se baseava na legislação italiana e fechava todos os hospitais psiquiátricos. No dia seguinte, a prefeita de Santos, Telma de Souza, assinou um decreto que determinava a intervenção municipal no Anchieta. O Secretário da Saúde, Davi Capistrano, capitaneou o fechamento do Hospital e a remoção dos internos, que passaram a ser atendidos em hospitais-dia e a conviver com as famílias. Uma usina de reciclagem foi criada para o inicio da ressocialização dos loucos, que passaram a se chamar assim entre eles. O arte-terapeuta Di Renzo criou a Rádio Tam-Tam, operada apenas pelos ex-internos e cujo sucesso ultrapassou fronteiras, chegando a ser artigo do New York Times.
O projeto de lei do deputado Delgado levou dois anos para ser aprovado, virando lei 10261/2001 o substitutivo do senador Sebastião Rocha, que desvirtuava a luta antimanicomial e mantinha a possibilidade de internações. Choques elétricos viraram eletroconvulsoterapia e as altas dosagens de medicamentos são linhas-mestras de muitos Institutos de Psiquiatria. Em 1992 havia, no Brasil, 83 mil leitos psiquiátricos mantidos pelo SUS, a um custo de R$ 250 milhões. Em 2005, o número caiu para 42 mil, mas as despesas subiram para R$ 460 milhões, sendo que 80% desse montante foram destinados ao setor privado, na maioria para redes de hospitais psiquiátricos de empresas de cunho familiar.
Outro dado importante: das verbas da saúde para a área, 63% vão para os hospitais, enquanto apenas 36% são encaminhados para os chamados trabalhos substitutivos, isto é, os Centros ou Núcleos de Atendimento Psicossocial (CAPs e NAPs), atendimento ambulatorial e outras redes alternativas à internação. E mesmo nas localidades onde há quantidade razoável de CAPs ou NAPs, é cada vez menor o investimento em profissionais e estrutura física dos equipamentos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, qualidade de vida é definida como: "a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive e, em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações".
Quando nos reunimos com a Deputada Mara Gabrilli, para discutir o veto presidencial do parágrafo 2º do artigo 7º da Lei 12.764, de 27/12/2012 (é a lei que trata dos direitos às pessoas com autismo, e cujo artigo supra citado eximia o gestor escolar que recusasse a matrícula de penalidades), eu levei meu filho comigo. Foi um pedido dele: queria falar para a deputada que nem ele nem os amigos dele aceitam ter as matrículas negadas nas escolas onde estudam e mandados para escolas onde os amigos não podem ir, só porque são diferentes deles. Ele acha que as diferenças não impedem o convívio nem o aprendizado, e já tem noção de que são justamente essas diferenças que promovem o saber.
A Deputada Gabrilli prometeu a ele que não ia lutar por essa possibilidade e que, se dependesse dela, o veto permaneceria.
Desde esse episódio, não passa uma semana sem que meu filho me pergunte se “aquela mulher que só mexe do pescoço pra cima já desistiu de inventar escolas diferentes para crianças diferentes”. E nasceu uma angústia que ele não tinha: a de que eu morra e, sem a minha proteção, seja mandado para uma dessas escolas. É patente que o medo só existe porque existem essas escolas, e esse é o ponto. E eu, que jamais tive problema com a morte e a vejo como algo natural, também comecei a me preocupar com o tema: cada vez que penso no que meu filho me fala, traço planos para não morrer nos próximos dez anos, até que ele esteja adulto e possa decidir por si.
O Brasil assinou a Carta de Salamanca em 1994, comprometendo-se à inclusão total. Interesses múltiplos foram adiando seu cumprimento, e mantivemos um sistema híbrido. Não apareceu um gestor público com a coragem de Telma de Souza e Davi Capistrano, que não aceitaram os argumentos de que alguns loucos tinham que viver internados, e que libertasse nossas crianças das escolas “especiais”. Nós mesmos nos rendemos à argumentação, e alguns de nós defendem o sistema atual, acreditando que as escolas regulares não têm condições de receber essas crianças. Exatamente como falavam dos Caps, Naps e hospitais-dia em 1989 (alguns ainda falam hoje). Nenhuma calamidade aconteceu, em Santos, envolvendo loucos do Anchieta, nesses vinte e três anos, mas a qualidade de vida de todos eles deu um salto qualitativo.
Levei a história da luta antimanicomial, com artigos pró e contra, na reunião com a deputada, e deixei com a assessoria dela, para comparação. Não há grandes diferenças com a luta de Paulo Delgado, Telma de Souza e Davi Capistrano, e a luta da inclusão escolar atual.
No rastro da preparação para o decreto municipal que fechou o Anchieta, na condição de Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo de Santos, Cubatão e São Sebastião, discursei em alguns lugares. Reproduzo o miolo dos discursos: “Neste país, ninguém que não tenha sido condenado por um tribunal colegiado pode ter suprimido o direito de conviver em sociedade. Nossos impostos não podem servir para patrocinar entidades que segregam cidadãos de ficha limpa, aos quais é imputado o ‘crime’ da diferença de ser ou de pensar. A única instituição que restringe o direito do cidadão de viver em sociedade e que tem o direito de ser sustentada pelo fruto do nosso trabalho é a penitenciária. O Estado tem o dever de usar nossos impostos com saúde, educação, habitação, trabalho e lazer, mas não para encarcerar e segregar irmãos nossos que não foram condenados porque não praticaram crime algum. Queremos nossos impostos gastos de maneira correta, e queremos nossos loucos de volta ao nosso lar.”
O senador Rocha deu um jeitinho para que nem todos voltassem, e para que o imposto que eu pago ainda seja usado para manter inocentes em reclusão. Não há lógica, nem explicação suficiente, que mostre que na Baixada Santista foi possível libertar todos, sem traumas sociais, e em outros lugares não.
Gente graúda movimenta-se hoje, para repetir a história. Outros personagens, outras instituições, mesmos princípios: a reserva de mercado.

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.