sábado, 8 de junho de 2013

Estatuto do Nascituro: Enfim a anormalidade universal existe!!!

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=591917947506451&set=a.396729613691953.99341.396630023701912&type=1&ref=nf


Diga não a essa aberração! Assine a petição:http://www.avaaz.org/po/petition/Diga_NAO_ao_Estatuto_do_Nascituro_PL_4782007/
Entrevista com Bernardo Campinho, professor do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/RJ.

Viomundo – Pelo Estatuto do Nascituro o estuprador teria reconhecida a paternidade do fruto do seu crime?

Bernardo Campinho — Tanto o projeto original quanto o substitutivo, aprovado na Comissão de Seguridade Social, interpretam a paternidade como fato biológico absoluto, estabelecendo a obrigação do pai/genitor, ainda que perpetrador da violência sexual, de arcar com a manutenção econômica da criança. Ou seja, o estuprador, se localizado, aparecerá na certidão de nascimento como o pai.

Viomundo — Então além de a mulher ser obrigada a ter o filho resultante de estupro, ela será obrigada a ter contato com o estuprador?!

Bernardo Campinho – Exatamente. Aberração completa. O Estatuto do Nascituro legitima a violência contra a mulher assim como viola os direitos fundamentais à segurança e a integridade moral dessa mulher.

Ao sujeitar a mulher a desenvolver relações pessoais com o estuprador, em virtude do reconhecimento legalmente determinado de qualidade de pai do (a) filho(a), o projeto de lei 478/207 despreza o caráter social e afetivo da construção jurídica da paternidade e negligencia as escolhas da mulher. Mais ainda. Aquela que é casada e tenha sofrido violência sexual, o cônjuge dela passa a ser obrigado também a conviver com agressor, agora reconhecido como “pai/genitor”.

No cenário de aprovação do PL 478/2007, o agressor poderia inclusive, depois de resolvida a sua situação perante a Justiça Criminal, reivindicar direitos de visitação ou o exercício conjunto de tarefas de cuidado, criação e educação da criança. Bastaria alegar que o Estatuto do Nascituro estabelece obrigações materiais, o que lhe asseguraria, ainda que implicitamente, os direitos e as obrigações morais com relação à criança.

Leia a entrevista na íntegra: http://www.viomundo.com.br/denuncias/campinho-estuprador-tera-nome-na-certidao-de-nascimento-como-pai.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

DISLEXIA E TDAH NA ESCOLA: ACOMPANHAMENTO NA REDE DE SAÚDE DO SUS?

Educação aprova programa para acompanhar dislexia e TDAH em escolas

Arquivo/ Saulo Cruz
Mara Gabrilli
Mara Gabrilli modificou a proposta para que todos os transtornos de aprendizagem tenham acompanhamento.
A Comissão de Educação aprovou na última quarta-feira (5) proposta que obriga o Poder Público a manter programa de acompanhamento integral de dislexia, de transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou de qualquer outro transtorno de aprendizagem para estudantes do ensino básico da rede pública e privada. O texto aprovado é o substitutivo, com complementação de voto, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), ao Projeto de Lei 7081/10, do Senado.
De acordo com a proposta, o acompanhamento integral inclui a identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico e apoio educacional específico voltado para a sua dificuldade na rede de ensino, bem como apoio terapêutico especializado na rede de saúde. A escola também poderá recorrer à assistência social e outras políticas públicas existentes no território.
O projeto original previa programa de diagnóstico e tratamento para dislexia e TDAH. A relatora preferiu falar em programa de acompanhamento integral das doenças. Ela destaca que o atendimento educacional específico, nas escolas, voltado para as dificuldades do educando, não se confunde com intervenção terapêutica ou diagnóstico clínico.
Conforme o texto, caso seja verificada a necessidade de intervenção terapêutica, esta deverá ser estabelecida em um serviço de saúde que apresente a possibilidade de avaliação diagnóstica, com metas de acompanhamento por equipe multidisciplinar composta por profissionais necessários ao desempenho dessa abordagem.
O texto original previa programas de acompanhamentos apenas para dislexia e TDHA. Mara acrescentou outros transtornos de aprendizagem. “Nossos educandos merecem a oferta das técnicas, recursos e estratégias que garantirão seu pleno desenvolvimento acadêmico, e isso pressupõe sobretudo que desmistifiquemos todos os distúrbios de aprendizagem”, disse a deputada.
Formação de professores
Segundo a proposta, os sistemas de ensino devem garantir aos professores da educação básica amplo acesso à informação e à formação continuada objetivando capacitá-los para a identificação precoce dos sinais relacionados aos transtornos de aprendizagem ou do TDAH, bem como para o atendimento educacional escolar desses educandos.
Mara Gabrilli destacou que, para a construção do substitutivo, contou com a colaboração dos Ministérios da Educação (MEC) e da Saúde. “Há não apenas o entendimento conceitual da relevância da matéria no âmbito do MEC, como também não se encontrarão óbices orçamentários à implantação da política pretendida”, observou.
Doenças
A dislexia é um transtorno de aprendizagem de leitura crônico, de origem neurobiológica. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial, segundo a Associação Brasileira de Dislexia. Já o TDAH se caracteriza por sinais claros e repetitivos de desatenção, inquietude e impulsividade, mesmo quando o paciente tenta não mostrá-lo.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo e já foi aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família, ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fico encafifada com esta nomenclatura: transtornos de aprendizagem. Por que transtornos? A "desordem" do DMS americano? Já do número V? Dislexia e TDAH são explicitamente citados como impecilhos à   aprendizagem e  ... " qualquer outro transtorno de aprendizagem", parecido com "transtornos invasivos da infância sem outras especificações" ou "transtornos do desenvolvimento" entre parênteses "psicoses infantis".
Sem fontes de pesquisa. Invisíveis mais uma vez num texto da política da educação. Duas da manhã, vou dormir,minha filha surda tem fonoaudiólogo amanhã, sabado nove horas. Quem acha que conseguirei levantar no horário? E arrastá-la que é o  mais difícil. Boa noite, Vietnam!!! 

SERVIÇO SOCIAL E PSICOLOGIA NA ESCOLA




CONVITE

O Conselho Regional de Serviço Social 22ª Região, em parceria com Conselho Regional de Psicologia e Pastoral da Família convidam os(a) assistentes sociais, psicólogos (a) e demais interessados pela discussão sobre a inserção de Assistentes Sociais e Psicólogos na Educação a participar de Audiência Pública a ser realizada na Câmara Municipal de Vereadores de Teresina, no dia 13 de junho de 2013 (quinta-feira) às 09:00.

Fruto de um movimento nacional puxado pelos conselho federal e regionais para institucionalização do Serviço Social e Psicologia na educação básica pública, este momento piauiense da luta, deverá está mais amadurecido na perspectiva de que os argumentos para que se criem uma lei municipal,  que se crie o cargo de assistentes social no quadro da educação, se institucionalize tanto o Serviço Social quanto a Psicologia no espaço escolar, estejam , mais amadurecidos por uma prática destes profissionais nos IFES do Estado, estes já viram o quanto a escola é uma instituição já departamentalizada, suas limitações de intervenções junto ao educando e família, esta é a carência tão informada pela escola, a crença que a escola tem "na novidade, no rabo da sereia" que estes podem levar para escola e ajudar solucionar seus problemas de discentes indisciplinados, com transtornos mentais, deficiências várias e negligência de algumas familias.
Faz-se necessário irmos além do que já se produziu quanto as atribuição das assistentes sociais na escola, e estarmos melhorando a proposta de lei quanto as atribuições tanto do assistente social que precisa conhecer a dinâmica da escola básica municipal e do psicólogo quanto às demandas psicossociais que se apresentam, insisto que quando necessário este psicólogo, ultrapasse a ideia sagrada da clínica e o faça, senão cairemos no risco eterno do encaminhamento para serviços de psicologia do SUS, quase que inacessíveis a estes educandos.

sábado, 1 de junho de 2013

EXCLUSÃO NA ESCOLA É PRÁTICA MANICOMIAL


Em 18 de maio de 1987, na cidade de Bauru, SP, aconteceu o Congresso dos Trabalhadores de Saúde Mental, em cujo seio nasceu o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. Em Santos o assunto fervilhava, devido à existência da Casa de Saúde Anchieta, chamada de “Casa dos Horrores”, um hospital psiquiátrico à antiga (ou nem tanto), que usava choques elétricos e medicação abundante e mantinha internos por décadas.
Eu deveria ter ido a esse Congresso, mas minha mulher estava grávida de nove meses (minha filha nasceu uma semana depois), e fiquei roendo as unhas de vontade, acompanhando o movimento que se abria em Santos.
No dia 02 de maio de 1989 o deputado Paulo Delgado apresentou o Projeto de Lei 3657/89, que se baseava na legislação italiana e fechava todos os hospitais psiquiátricos. No dia seguinte, a prefeita de Santos, Telma de Souza, assinou um decreto que determinava a intervenção municipal no Anchieta. O Secretário da Saúde, Davi Capistrano, capitaneou o fechamento do Hospital e a remoção dos internos, que passaram a ser atendidos em hospitais-dia e a conviver com as famílias. Uma usina de reciclagem foi criada para o inicio da ressocialização dos loucos, que passaram a se chamar assim entre eles. O arte-terapeuta Di Renzo criou a Rádio Tam-Tam, operada apenas pelos ex-internos e cujo sucesso ultrapassou fronteiras, chegando a ser artigo do New York Times.
O projeto de lei do deputado Delgado levou dois anos para ser aprovado, virando lei 10261/2001 o substitutivo do senador Sebastião Rocha, que desvirtuava a luta antimanicomial e mantinha a possibilidade de internações. Choques elétricos viraram eletroconvulsoterapia e as altas dosagens de medicamentos são linhas-mestras de muitos Institutos de Psiquiatria. Em 1992 havia, no Brasil, 83 mil leitos psiquiátricos mantidos pelo SUS, a um custo de R$ 250 milhões. Em 2005, o número caiu para 42 mil, mas as despesas subiram para R$ 460 milhões, sendo que 80% desse montante foram destinados ao setor privado, na maioria para redes de hospitais psiquiátricos de empresas de cunho familiar.
Outro dado importante: das verbas da saúde para a área, 63% vão para os hospitais, enquanto apenas 36% são encaminhados para os chamados trabalhos substitutivos, isto é, os Centros ou Núcleos de Atendimento Psicossocial (CAPs e NAPs), atendimento ambulatorial e outras redes alternativas à internação. E mesmo nas localidades onde há quantidade razoável de CAPs ou NAPs, é cada vez menor o investimento em profissionais e estrutura física dos equipamentos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, qualidade de vida é definida como: "a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive e, em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações".
Quando nos reunimos com a Deputada Mara Gabrilli, para discutir o veto presidencial do parágrafo 2º do artigo 7º da Lei 12.764, de 27/12/2012 (é a lei que trata dos direitos às pessoas com autismo, e cujo artigo supra citado eximia o gestor escolar que recusasse a matrícula de penalidades), eu levei meu filho comigo. Foi um pedido dele: queria falar para a deputada que nem ele nem os amigos dele aceitam ter as matrículas negadas nas escolas onde estudam e mandados para escolas onde os amigos não podem ir, só porque são diferentes deles. Ele acha que as diferenças não impedem o convívio nem o aprendizado, e já tem noção de que são justamente essas diferenças que promovem o saber.
A Deputada Gabrilli prometeu a ele que não ia lutar por essa possibilidade e que, se dependesse dela, o veto permaneceria.
Desde esse episódio, não passa uma semana sem que meu filho me pergunte se “aquela mulher que só mexe do pescoço pra cima já desistiu de inventar escolas diferentes para crianças diferentes”. E nasceu uma angústia que ele não tinha: a de que eu morra e, sem a minha proteção, seja mandado para uma dessas escolas. É patente que o medo só existe porque existem essas escolas, e esse é o ponto. E eu, que jamais tive problema com a morte e a vejo como algo natural, também comecei a me preocupar com o tema: cada vez que penso no que meu filho me fala, traço planos para não morrer nos próximos dez anos, até que ele esteja adulto e possa decidir por si.
O Brasil assinou a Carta de Salamanca em 1994, comprometendo-se à inclusão total. Interesses múltiplos foram adiando seu cumprimento, e mantivemos um sistema híbrido. Não apareceu um gestor público com a coragem de Telma de Souza e Davi Capistrano, que não aceitaram os argumentos de que alguns loucos tinham que viver internados, e que libertasse nossas crianças das escolas “especiais”. Nós mesmos nos rendemos à argumentação, e alguns de nós defendem o sistema atual, acreditando que as escolas regulares não têm condições de receber essas crianças. Exatamente como falavam dos Caps, Naps e hospitais-dia em 1989 (alguns ainda falam hoje). Nenhuma calamidade aconteceu, em Santos, envolvendo loucos do Anchieta, nesses vinte e três anos, mas a qualidade de vida de todos eles deu um salto qualitativo.
Levei a história da luta antimanicomial, com artigos pró e contra, na reunião com a deputada, e deixei com a assessoria dela, para comparação. Não há grandes diferenças com a luta de Paulo Delgado, Telma de Souza e Davi Capistrano, e a luta da inclusão escolar atual.
No rastro da preparação para o decreto municipal que fechou o Anchieta, na condição de Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo de Santos, Cubatão e São Sebastião, discursei em alguns lugares. Reproduzo o miolo dos discursos: “Neste país, ninguém que não tenha sido condenado por um tribunal colegiado pode ter suprimido o direito de conviver em sociedade. Nossos impostos não podem servir para patrocinar entidades que segregam cidadãos de ficha limpa, aos quais é imputado o ‘crime’ da diferença de ser ou de pensar. A única instituição que restringe o direito do cidadão de viver em sociedade e que tem o direito de ser sustentada pelo fruto do nosso trabalho é a penitenciária. O Estado tem o dever de usar nossos impostos com saúde, educação, habitação, trabalho e lazer, mas não para encarcerar e segregar irmãos nossos que não foram condenados porque não praticaram crime algum. Queremos nossos impostos gastos de maneira correta, e queremos nossos loucos de volta ao nosso lar.”
O senador Rocha deu um jeitinho para que nem todos voltassem, e para que o imposto que eu pago ainda seja usado para manter inocentes em reclusão. Não há lógica, nem explicação suficiente, que mostre que na Baixada Santista foi possível libertar todos, sem traumas sociais, e em outros lugares não.
Gente graúda movimenta-se hoje, para repetir a história. Outros personagens, outras instituições, mesmos princípios: a reserva de mercado.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O OCASO DA RAZÃO NO ESTADO BRASILEIRO OU A LOUCURA RELIGIOSA?

Em nome de Deus, o Estado laico

Autor(es): Edmar Oliveira
Correio Braziliense - 28/05/2013

Não deveria ser surpresa a indicação e a permanência do pastor Marcos Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, mesmo que sob intensos e barulhentos protestos. A base governista tem alianças também no campo santo das lideranças religiosas, que formam um arco partidário fundamentalista cristão. E a comissão era "moeda de troca barata" para os governistas. O braço fundamentalista da Câmara ganhou um espaço interessante para a divulgação de suas ideias, confrontando um Estado que se diz laico.
Por seu lado, o próprio governo tem sua parte fundamentalista cristã em plena atividade. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, professa sua convicção com tal fúria que é a porta-voz governista para o projeto de lei (PL) do aliado Osmar Terra, aprovado na Câmara. O projeto, que seguiu para o Senado, institui penalização maior para os envolvidos com drogas — na contramão das propostas liberalizantes nas democracias modernas; regulamenta a internação compulsória do usuário de drogas, violência condenada até pela Organização Mundial de Saúde como ato de tortura; e institui o pagamento público das comunidades religiosas — travestidas de "terapêuticas" —, em claro desrespeito ao SUS.
O PL, apesar de criticado e combatido por estudiosos do assunto, segue firme para apreciação do Senado e mantém a confusão entre traficante e usuário presente na legislação anterior, que invariavelmente criminaliza os mais pobres. O aumento da pena para o tráfico de drogas é crescente na nossa legislação. Era de dois anos, no máximo, na lei sobre drogas de 1976, passando a cinco anos, no mínimo, na lei em vigor (2006).
Agora a penalidade é proposta entre oito e 15 anos. Com isso, as prisões ficarão mais abarrotadas do que já se encontram com pequenos traficantes. Há previsão de penas maiores do que algumas aplicadas para casos de homicídio, num absurdo que nos coloca na contramão das sociedades democráticas. Jovens infratores terão mais tempo de apreenderem a via criminosa como única possibilidade de vida, se saírem da prisão na qual sua força de trabalho de possível recuperação foi encarcerada e desperdiçada. Quando não morrem jovens durante as batalhas da guerra às drogas que, já foi dito, matam mais que o efeito delas.
A internação compulsória do usuário de drogas em instituições religiosas que pretendem curar pela "fé" disputa os minguados recursos de saúde para a rede pública. A rede comunitária (Caps) — consultório na rua e leitos hospitalares em hospitais gerais — está completamente sucateada e insuficiente, numa afronta a seus abnegados trabalhadores. Com a agravante de que a "terapia da fé" inevitavelmente pressupõe a penitência. E a penitência, se for involuntária, facilmente é transformada em tortura.
A sociedade não pode assistir a tamanhos absurdos. A ministra Gleisi tem interesses eleitorais nas comunidades religiosas do estado dela. Não pode levar esses compromissos para dentro do governo e apresentar proposta que viole o Estado laico. O Estado laico tem o papel de permitir que todas as crenças e credos possam ser professados sem o predomínio de qualquer deles, o que não acontece quando o Estado se permite a defender uma religião para obter para ela privilégios que as outras não têm.
Se isso é um comportamento de membros do governo, como então os aliados podem exigir que o pastor Marcos Feliciano não seja um fundamentalista religioso à frente da Comissão de Direitos Humanos? Em nome de Deus, esperaremos que o Estado volte a ser laico.
Porque, no momento, o governo capitaneia ações que afrontam o conceito secularista de laicismo. Nesse conceito, exige-se a ausência de conteúdos religiosos em assuntos governamentais, assim como a ausência do governo nos assuntos religiosos. Essa foi a melhor forma encontrada pela democracia para garantir o direito de todas as religiões. As religiões de Carimbão, Gleisi e Feliciano, ou de quem quer que seja aliado e membro do governo, não podem representar a sociedade em um Estado laico verdadeiro. Essas distorções devem ser combatidas por quem garante o próprio Estado: o governo da presidente Dilma.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/5/28/em-nome-de-deus-o-estado-laico 

NUNCA FUI A UM PSICÓLOGO E SOU BIPOLAR: ESTABILIZADOR DO HUMOR E ANSIÓLITICO ME MANTÉM LONGE DELES

Psiquiatras ficam acuados em batalha sobre a saúde mental

25/05/2013 15h00
JAMIE DOWARD
DO "OBSERVER"
Não há prova científica de que diagnósticos psiquiátricos como os de esquizofrenia e transtorno bipolar sejam válidos ou úteis, segundo uma importante entidade que representa os psicólogos clínicos da Grã-Bretanha.

Em uma atitude inédita, e que já atraiu uma forte reação dos psiquiatras, a divisão de psicologia clínica (DCP, na sigla em inglês) da Sociedade Britânica de Psicologia divulgou na segunda-feira (dia 13) uma nota declarando que, dada a falta de provas, é hora de uma "mudança de paradigma" na forma como as questões de saúde mental são entendidas. A declaração na prática põe em dúvida o modelo biomédico de perturbação mental predominante na psiquiatria - a ideia de que as pessoas estão sofrendo de doenças tratáveis por médicos usando remédios. O DCP disse que sua decisão de se manifestar "reflete preocupações fundamentais sobre o desenvolvimento, impacto pessoal e suposições centrais dos sistemas [de diagnóstico usados pela psiquiatria]".

Lucy Johnstone, consultora de psicologia clínica que participou da redação da nota do DCP, disse que não é útil encarar as questões de saúde mental como sendo doenças com causas biológicas.

"Pelo contrário, agora há provas contundentes de que as pessoas desmoronam como resultado de uma complexa mistura de circunstâncias sociais e psicológicas - luto e perda, pobreza e discriminação, trauma e abuso", disse Johnstone. A provocativa declaração do DCP foi programada para sair pouco antes do lançamento do DSM-5, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito pela Associação Americana de Psiquiatria.

O manual está sendo atacado por expandir a gama de problemas de saúde mental que são classificados como transtornos. Por exemplo, a quinta edição do livro, que passou duas décadas sem ser atualizado, classifica manifestações de tristeza, achaques nervosos e preocupações com a falta de saúde física como sendo as doenças mentais chamadas "transtorno depressivo grave", "desregulagem perturbadora do humor" e "transtorno do sintoma somático", respectivamente.

Algumas das omissões do manual são tão polêmicas quanto as suas inclusões. O termo "síndrome de Asperger" não aparece no novo manual, e em vez disso seus sintomas aparecem sob o recém-incluído "transtorno do espectro do autismo".

O DSM é usado em graus variados em diversos países. A Grã-Bretanha usa um manual alternativo, a Classificação Internacional de Doenças (CID), publicada pela Organização Mundial da Saúde. O DSM, no entanto, ainda é enormemente influente - e polêmico.

O escritor Oliver James, formado em psicologia clínica, elogiou a decisão do DCP de se manifestar contra os diagnósticos psiquiátricos, e salientou a necessidade de trocar o modelo biomédico de perturbação mental por um que examine fatores sociais e pessoais.

Em recente artigo no "Observer", James declara: "Precisamos de mudanças fundamentais na forma como a nossa sociedade se organiza, para dar aos pais a melhor chance possível de atender às necessidades da criança e evitar tanta adversidade adulta".

Já o professor Simon Wessely, membro do Real Colégio de Psiquiatras e chefe do departamento de medicina psicológica do King's College, em Londres, disse que é errado sugerir que a psiquiatria está focada apenas nas causas biológicas das perturbações mentais. E, em outro texto do jornal, ele defende a necessidade de criar sistemas de classificação para os transtornos mentais.

"Um sistema de classificação é como um mapa", explica Wessely. "E, assim como qualquer mapa é apenas provisório, pronto para ser alterado à medida que a paisagem muda, o mesmo vale para a classificação."

Tradução de RODRIGO LEITE. 

 folha ilustradíssima

Ou prato bom para recém -chegado a vida com transtorno mental, que não reconhece sintomas, não aceita medicação, fere-se ou fere os outros, no pico da crise tem ideação suicida. Que a sociedade  trabalhista, competitiva, impessoal, desarmonizadora precisa mudar por muitas razões , para sustentação do planeta e saúde integral para todos os indivíduos. É óbvio, que explique uma das causas da loucura, mas os psicólogos clínicos também não tem a última palavra e nem a solução, é até louvável o questionamento da "anormalidade universal" do DSM-V, mas não resolve dentro do sistema de saúde pública brasileira a minimização dos sintomas sem remédios, até porque psicólogos pelo SUS, são raridades nos ambulatórios, pelo menos da cidade de Teresina - Piauí.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

DEPRESSÃO: SOBREVIVENDO!!

"Antidepressivos naturais" ajudam a curar tristeza e depressão leve

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Por IARA BIDERMAN
colaboração para a Folha de S.Paulo
Tristeza, desânimo, depressão: quando as coisas começam a tornar-se sombrias ou fica mais difícil levar a vida, é preciso procurar ajuda. Normalmente, a melhor estratégia é combinar diferentes medidas -por exemplo, uso de remédios ou substâncias com princípios ativos, medidas de autocuidado (como alimentação adequada e prática de exercícios) e apoio psicoterápico. Em caso de depressão intensa, que, diferentemente da tristeza comum, é doença, o uso de medicamentos sintéticos pode ser indicado.
Mas, para depressão leve ou moderada, há opções de antidepressivos naturais que podem ter efeito. A Folha relacionou dez desses itens, que podem levantar o ânimo ou ajudar no tratamento da depressão. Oito deles têm algum grau de evidência -como critério, foram utilizadas meta-análises (revisões de vários estudos) da organização Cochrane, rede global dedicada à revisão de pesquisas na área de saúde. Dois são controversos e precisam de mais estudos sobre sua eficácia e segurança.
Exercícios
O exercício estimula a secreção de endorfinas, que causam sensação de bem-estar. "Além disso, melhora a circulação e a oxigenação do cérebro. E tem efeitos indiretos em sintomas ligados à depressão, como a qualidade do sono", diz Frederico Navas Demetrio, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Em geral, acredita-se que os exercícios de maior intensidade sejam mais eficazes. Mas, na revisão de 25 estudos feita pela organização Cochrane, que confirmou que a atividade física melhora os sintomas de depressão, os pesquisadores afirmaram que não há evidência sobre qual tipo de exercício é mais eficaz. O que costuma funcionar melhor é praticar uma atividade física que dê prazer.
5 HTP (hitroxi-triptofano)
O triptofano é um aminoácido essencial, encontrado especialmente em alimentos proteicos, como carnes e laticínios. Não é produzido pelo corpo e precisa ser adquirido via alimentação. Esse aminoácido leva à produção de serotonina, neurotransmissor relacionado ao prazer e ao bem-estar.
Por isso, a suplementação de 5 HTP pode ser usada em alguns casos de depressão e tristeza. "É mais indicado para quem tem a deficiência do nutriente, causada, por exemplo, por dietas vegetarianas pobres em proteínas. Uma alimentação equilibrada supre as necessidades de triptofano", diz Vânia Assaly, endocrinologista e nutróloga, membro da International Hormone Society.
Para ela, o suplemento age especialmente na melhora do sono, na redução da voracidade noturna e em transtornos leves de humor. Os suplementos dietéticos de 5 HTP são produzidos principalmente a partir de uma planta africana, a Griffonia simplicifolia.
Em uma meta-análise, pesquisadores da Cochrane encontraram evidências de que o 5 HTP é melhor do que placebo para aliviar sintomas da depressão. Notaram, porém, que a maioria dos estudos não atingiu todos os critérios de qualidade e que mais pesquisas devem ser feitas para verificar possíveis efeitos adversos.
Segundo Frederico Demetrio, do HC, os primeiros estudos com 5 HTP foram interrompidos porque seu uso provocou dores musculares, mas elas foram atribuídas a impurezas no produto utilizado. "Em tese, o 5 HTP de boa qualidade, purificado, pode funcionar."
Porém, o 5 HTP pode interagir com antidepressivos sintéticos, levando à concentração excessiva de serotonina. É contraindicado, ainda, para pacientes com tumores malignos ou doenças cardiovasculares.
Meditação
Estudos mostram que a meditação produz mudanças no cérebro, como a redução ou o aumento da atividade de certas regiões. "A hipótese é que reduza hormônios como o cortisol, diminuindo a ansiedade, e promova liberação de endorfinas, ligadas à sensação de prazer", diz José Roberto Leite, coordenador da unidade de medicina comportamental da Unifesp.
Em 15 pesquisas analisadas pela organização Cochrane, pessoas que meditaram apresentaram melhora da depressão em comparação com as que não fizeram nenhum tratamento. O estudo concluiu que a técnica tem potencial para ser o tratamento inicial do problema, especialmente para pessoas jovens, com o primeiro episódio de depressão ou com quadro considerado bem leve.
Para Leite, os maiores cuidados devem ser tomados com pessoas com tendências autodestrutivas, como pensamentos suicidas. "São casos em que é preciso muito acompanhamento, e a meditação não pode ser o tratamento principal."
Ele diz que, em geral, a meditação é uma técnica eficaz e de baixo custo para diminuir os sintomas e reduzir as reincidências do distúrbio. Para ter efeito, ele recomenda que seja praticada, no mínimo, quatro vezes por semana. "No início, a pessoa pode praticar por cinco a oito minutos. Em uma semana, ela já consegue meditar por dez minutos e vai aumentando gradativamente até chegar a 30 minutos, o que é suficiente para obter os efeitos", diz Leite.
Fototerapia
A exposição à fonte de luz artificial intensa é um tratamento comprovado para a depressão sazonal -que ocorre no inverno, quando o período de luz solar diminui. É frequente em países mais distantes do Equador, em que os dias se tornam muito curtos nos meses frios. No Brasil, é menos comum.
Na fototerapia, uma lâmpada fluorescente de pelo menos 2,5 mil lux (unidade de medida de luz) é colocada perto dos olhos da pessoa, sem que essa precise olhar diretamente para a lâmpada. As sessões duram cerca de 30 minutos por dia.
Segundo Rubens Pitliuk, neuropsiquiatra do hospital Albert Einstein, a fototerapia também pode ajudar em outros casos de depressão, se os sintomas pioram em dias cinzentos.
Uma revisão de 20 estudos concluiu que traz benefícios discretos, mas promissores, também para casos de depressão não sazonal, quando usada com outros tratamentos.
É possível adquirir aparelhos de fototerapia para uso em casa, mas deve haver orientação médica. Também é importante usar aparelho que não emita raios ultravioleta.
Suplementos de vitaminas B12 e B9 (ácido fólico)
As vitaminas B12 e B9 são essenciais para a fabricação de diversos neurotransmissores e atuam como modulares dos sistemas neurológico e hormonal. Em pessoas deprimidas, pode ser observada uma diminuição dos níveis desses nutrientes presentes no sangue.
A suplementação dessas vitaminas pode aliviar sintomas de depressão e potencializar efeitos de medicamentos antidepressivos. Costuma ser indicada para pacientes com sintomas de deficiência nutricional e alcoólatras (que normalmente apresentam deficiência de nutrientes e, em especial, falta de vitamina B 12).
Uma análise de estudos realizada pela Cochrane, envolvendo um total de 151 pessoas, indicou que o uso de vitamina B9 (ácido fólico) em conjunto com outros tratamentos diminui o grau de depressão dos pacientes. No entanto, os estudos não mostram se o efeito ocorre tanto em pessoas com deficiência do nutriente quanto nas com níveis normais de vitamina B9.
Em caso de desânimo ou tristeza não patológica sem causas aparentes, pode ser investigada a falta dessas vitaminas por meio de exame de sangue. Nessa circunstância, a suplementação pode ser suficiente.
Nos casos de depressão, é necessário corrigir a deficiência, se constatada, mas a suplementação é considerada um adjuvante do tratamento, e não o foco principal.
Em pacientes que não estão respondendo aos tratamentos, é recomendado checar os níveis dessas vitaminas encontrados no sangue e a suplementação pode auxiliar na obtenção de resultados.
Aparentemente, não há efeitos adversos e interações medicamentosas com o uso de suplementos de vitaminas B9 e B12. O excesso desses nutrientes no organismo é eliminado naturalmente pela urina.
Erva-de-são-joão
O extrato da erva-de-são-joão (Hypericum perforatum L) é um dos chamados antidepressivos naturais mais estudados. Porém, seu mecanismo de ação ainda não está totalmente esclarecido. "Aparentemente, seus princípios ativos têm ação semelhante à dos [medicamentos sintéticos] inibidores da recaptação de serotonina", diz Frederico Demetrio, do HC de São Paulo.
A serotonina é um neurotransmissor que modula o humor e provoca bem-estar. Baixos níveis da substância estão relacionados aos quadros de depressão. Os inibidores de recaptação aumentam a disponibilidade da serotonina no sistema nervoso central.
Uma meta-análise feita pela organização Cochrane concluiu que o extrato de erva-de-são-joão tem efeito superior ao do placebo e similar ao dos medicamentos sintéticos no tratamento de depressão leve a moderada. Foram analisados 29 estudos, que incluíam, no total, 5.489 pacientes.
Os autores ressaltam que, como há grande variedade de produtos à base de erva-de-são-joão no mercado, os resultados só são aplicáveis para as preparações testadas nos trabalhos incluídos na meta-análise. "É preciso usar extrato de qualidade com as concentrações adequadas dos princípios ativos da planta", diz Demetrio.
Segundo o psiquiatra, o uso e a dosagem devem ser indicados e supervisionados por médicos, e os efeitos começam a ser percebidos após duas semanas, aproximadamente.
O mais importante é saber que a erva-de-são-joão interage com outros medicamentos e não pode ser usada com alguns deles. "O uso associado a outros antidepressivos, por exemplo, pode levar à síndrome serotoninérgica [concentração excessiva de serotonina], que causa de mal-estar a alucinações", afirma Demetrio.
O mesmo pode ocorrer com alguns remédios usados para emagrecimento.
O extrato também diminui a absorção de remédios anticoagulantes e de algumas drogas quimioterápicas, prejudicando o tratamento.
Entre os efeitos adversos, a erva-de-são-joão pode aumentar a fotossensibilidade -causando manchas e eczemas na pele com a exposição à luz- e causar secura na boca e constipação intestinal.
Acupuntura
A acupuntura busca reequilibrar a chamada "energia vital" por meio da estimulação de pontos específicos do corpo. A depressão, dentro dessa perspectiva, é entendida como um desequilíbrio no fluxo energético entre os órgãos. Restaurar esse fluxo e a saúde geral do indivíduo é uma estratégia para lidar com estados de desânimo.
Martius Luz, do setor de medicina chinesa e acupuntura da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que, além da restauração de energia, acredita-se que a acupuntura gere respostas no sistema nervoso central que estimulam a produção de serotonina.
Embora não existam estudos suficientes para comprovar essa teoria, há pesquisas populacionais indicando que as pessoas propensas a usar técnicas de medicina complementar obtêm resultados no tratamento da depressão com acupuntura.
Uma revisão de sete estudos envolvendo 517 pessoas avaliou que não há evidência de que os medicamentos sintéticos sejam melhores do que a acupuntura para diminuir os sintomas de depressão. Por outro lado, os pesquisadores dizem não ter dados para concluir sobre a eficácia da acupuntura por si só.
Para Luz, a acupuntura pode ser usada isoladamente ou com outros tratamentos. O suporte emocional, como a psicoterapia, é importante para o sucesso do tratamento.
Os efeitos começam a surgir após cerca de cinco aplicações, mas podem demorar mais, dependendo da saúde geral e do grau de depressão do paciente. "Para alguns, são necessárias 15 aplicações", afirma Luz.
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