domingo, 5 de setembro de 2010

DIÁRIO AMOROSO DE LOUCA PELA VIDA ( acompanhe capítulos semanais)

1ª  Semana:
Frase: Gordinhos de uns 120 kg são tão bonitinhos. Dá vontade de apertar!!!!! Que homem grande e que bela alma. Pacto de sangue no Centro de Testagem e Aconselhamento ( CTA). Campanha: DESISTA DE MIM, RAPAZ!


2ª Semana:

Então, meu lindo homem gordo desmanchou-se em um semana. Era feito de açúcar, fumava bastante, tomava muito café preto e tinha dentes manchados. Enfeite bem pintado, irresistível. Levei para casa, pus em cima de mesa de centro, perto de um buda de jade. Desmanchou-se não sei se foi o calor ou todo redemoinho de minha loucura nestas tarde de agosto, já setembro.






sábado, 4 de setembro de 2010

RELENDO FRANCO BASAGLIA E COMPANHEIROS: INSTITUIÇÃO NEGADA

P. - O senhor está dizendo, então, que a situação aqui agora é diferente ...
ANDREA - Muito diferente. Antes, aqui, ficávamos presos atrás das grades, e ainda por cima trancados em grupos de oitenta; não se achava lugar pra sentar, e a gente tinha que dormir no chão. Nem latrina havia. Depois, comer às cinco da tarde e ligeirinho pra cama, até no verão, em pleno verão, quando ainda se dispunha de  três horas de sol. Mandavam a gente dormir assim que acabava de comer. Eu saia pra tomar um pouco de ar no pátio, mas logop aparecia alguém pra me botar pra dentro.
P. - Mas em que sentido as coisas mudaram?
ANDREA - Mudaram do dia pra noite. No começo, quando a gente criou as assembléias e eu fui presidente durante um mês, ninguém abria a boca, todo mundo parecia amedrontado, ninguém tinha coragem de falar. Eu, que era o presidente, dizia: " Se vocês têm alguma coisa pra dizer, digam, é pra isso que estamos aqui; se vocês têm queixas falem." Estavam todos intimidados, depois de ficarem tantos anos presos... Foi tudo coisa do diretor... Depois, primeiro foi o Dr. Slavich que chegou no setor C e disse: "Vamos, peguem dez ou quinze doentes e levem pra passear na colônia..."
página 17

NEGAÇÃO DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO TRADICIONAL
[...] Durante muitos anos o doente mental foi - e ainda é - aquele a quem se pode oprimir brutalmente: um cidadão privado de seus direitos. É aquele a quem se pode privar  da sua liberdade pessoal, de seus pertences, de suas relações humanas, durante um tempo indeterminado - e que se pergunta, desanimado: "Que é que eu fiz de mal?" É aquele que infringiu uma norma. Um "desviado". Durante anos e anos a psiquiatria descabelou-se para construir em volta dele um castelo de critérios e de rótulos, constituindo-se assim ela mesma, em relação a ele uma norma. (página 176)

Teresina recentemente tem várias especializações em Saúde Mental, cursos em Atenção Psicossocial, simpósios e outros na área da Psicologia envolvendo a Terapia cognitiva Comportamental e a Psicanálise. É louvável o interesse de profissionais da capacitação continuada na área, o que questiono é que com tantas capacitações ainda não há uma linguagem única dos serviços, uma resposta às demandas de manifestação da subjetividade do usuário e a ajuda necessária para que este exerça seus contratos sociais com relativa ou total autonomia. Leia-se autonomia, não é independência total, um psicótico exposto as dificuldades da vida produtiva, amorosa, familiar precisa de apoio- não sejamos utópicos. A atenção psicossocial precisa está relendo os "clássicos" e aplicando na prática o que for necessário, adaptando a nossa realidade, criando o novo, "ampliando a clínica". Bia obteve "alta" do CAPS após quatro meses, porque não frequentava as atividades terapêuticas. "Caiu na Rede", não sabe o que é um ambulatório. Mas aprendeu com o grupo de apoio, que a medicação cala as vozes. Diz que assim que pegar em dinheiro vai marcar consulta no Areolino de Abreu.






NO CANSAÇO DA LIDA ANTIMANICOMIAL? TENTE OUTRA VEZ

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba

Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não não

Tente

Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar,
não não não não
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira
Bailando no ar

Queira

Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente

E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

http://www.vagalume.com.br/raul-seixas/tente-outra-vez.html#ixzz0ycUHTE6e

NINHO: RODAS DO AMOR TERAPÊUTICO


Roda do Amor Terapêutico. Amigos voluntários pertencentes ao Ministério da Música da Igreja de São Benedito. Música, oração, louvor e muita gente se mexendo, se abraçando, se emocionando e saindo de alma mais leve. Julho de 2010. Pena que agosto foi tão sufocado com muita gente em crise, e outras atividades que a roda que  é mensal  não aconteceu.

ATIVIDADES DO NINHO 1

Audiência pública na câmara dos vereadores sobre a rede de saúde mental em Teresina. Uma vereadora disse que todos sabiam que louco não pensa. Ops!!!! Bia e Ailton deram a resposta certa.
Louco pensa sim. Louco é mãe, dono de casa, quer emprego, respeito a subjetividade, às várias identidades que assumimos, pai, mãe, trabalhador de saúde, trabalhador em saúde mental, estudante, jovem, idoso, todas as diferenças que temos direitos. Junho de 2010.

ATIVIDADES DO NINHO 2

Diretoria do Ninho reunida, crianças e avós. O grupo não tem sede, este é o terraço da casa de dona Roberta, minha mãe. Marcilia  minha sobrinha é primeira secretária e Dejanira, vive presidente fizeram a leitura do Estatuto, nesta ocasião de formalidade do Ninho. Não registramos ainda, precisamos de um advogado e uns 250,00 para pagar taxas de cartório. Esta foto é de junho de 2010.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

REFORÇOS

Convidamos alguns companheiros de luta para colaborar com o Ninho, postando suas opiniôes, seus trabalhos, denunciando suas angústias com os serviços de saúde mental ou nos mostrando experiências exitosas, expondo seus trabalhos culturais, científicos, etc. Sejam Bem-vindos: Nilo Neto, professora Lúcia Rosa, Cláudia Maria, Ailton Hemersson e Marcília Santana.

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.