segunda-feira, 13 de abril de 2009

POETA EQUIVOCADO I

Poema brasileiro - Ferreira Gullar
No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar 8 anos de idade No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar 8 anos de idade No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar 8 anos de idade antes de completar 8 anos de idade antes de completar 8 anos de idade antes de completar 8 anos de idade antes de completar 8 anos de idade
Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, MA, 10 de setembro de 1930) é um poeta, crítico de arte, biógrafo, memorialista e ensaísta brasileiro.

E agora assumido pai de pessoas que vivem com transtornos mentais. Hoje fui ao psiquiatra e este me falou com aqueles olhos que brilham quando me veêm, a excessão da regra, a paciente que deu certo e quando quer me provocar para uma boa discussão sobre saúde mental, ele defendendo o manicômio, claro. Me falou triunfante do excelente artigo escrito por Ferreira Gullar na Folha de São Paulo, eu ruim. Doida, doida. Quando você melhorar, dar uma olhada. Pois é... li e fiquei indignada. Já tinha uma cisma com Ferreira Gullar desde que li o Poema Brasileiro, sempre achei-o equivocado. Não sei a data do poema, talvez anterior ou década de 1980.Também não sei se já existia o Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), uma média de desenvolvimento baseada em parâmetros de riqueza de uma região, educação e esperança média de vida. Hoje o Maranhão tem um IDH menor que o do Piauí. Ué, porque ele não usou as misérias do Estado dele? Somos vizinhos, os Maranhenses podem ter riquezas naturais e um passado histórico inegável, que falta ao Piauí. Mas a miséria, pobreza por lá, é a olhos vistos. O Piauí como todo o nordeste tem pobreza e resto é esteriótipo e preconceito criado encima do nosso povo, por pessoas como esse poeta equivocado.
E na questão da política de saúde mental no Brasil é totalmente desinformado, a Reforma Psiquiátrica Brasileira foi um processo histórico desencadeado por todo um movimento social no final da década de 70, começando pelas denúncias dos próprios trabalhadores de hospitais psiquiátricos de maus tratos a pacientes, más condições de trabalho, etc. Processo histórico não se barra. Vide o sufrágio feminino, 70 anos de luta, abolição do trabalho escravo negro, o poder da diversidade gay, e tudo é político e ideológico. A ciência não é neutra e nunca foi. Apostar para ver pessoas com transtornos mentais ricas e pobres vivendo com mais qualidade de vida sem estarem trancafiadas.

FERREIRA GULLAR: Poeta equivocado II

Retirado do blog de Rogélio Casado, atualíssimo. Repassando.

Folha de São Paulo
São Paulo, domingo, 12 de abril de 2009
FERREIRA GULLAR
Uma lei errada
Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia
A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão "burguesa" para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.

SUJÔ!!!!!!!!

Pela segunda vez consecutiva, próximo à celebração do Dia Nacional de Luta Antimanicomial – 18 de Maio –, Ferreira Gullar, o (e)terno poeta do "Poema Sujo", escreve um artigo, na Folha de São Paulo, com argumentos rasos e preconceituosos sobre a lei Paulo Delgado e a Reforma Psiquiátrica brasileira.Ferreira Gullar, finalmente, revela que tem dois filhos em sofrimento psíquico grave. Relato de familiares que envolvem a vida e os afetos privados, tornados públicos sensibilizam do leigo aos trabalhadores de saúde que lidam com tais experiências. Em comum a impotência gerada pela falta de serviços acolhedores e resolutivos, cujos números expressivos ainda estão longe de realizar a cobertura desejada. As razões pelas quais convivemos com esse quadro devem ser objeto de uma corajosa análise, estado por estado, município por município, além da responsabilidade federal. Porém, revogar a lei Paulo Delgado é reduzir de modo simplista a solução requerida para o atual estágio da assistência à saúde mental no Brasil.Entre a dor de um pai que reclama por mais e melhores serviços de saúde mental no país – dos serviços substitutivos ao manicômio aos leitos psiquiátricos em hospitais gerais, ambos em quantidades deficitárias diante do número de leitos psiquiátricos fechados desde meados dos anos 1980 – e simplesmente revogar a lei que coroou a mais profunda reforma psiquiátrica existe um abismo político ideológico.Os argumentos do poeta Ferreira Gullar no caderno "Ilustrada" da Folha de São Paulo deste domingo, se deixam de lado o enfrentamento histórico com a psiquiatria conservadora para com argumentos rasos e preconceituosos pedir a revogação da lei Paulo Delgado que mudou o cenário trágico da assistência psiquiátrica brasileira, escancaram, por outro, a falta de investimentos para a efetiva consolidação de um modelo que se quer substitutivo. Sem estes, ficam comprometidas as iniciativas de criar um outro lugar para a loucura em nossa sociedade, lugar cuja construção não cessa.De nada adianta invocar que atual lógica da política de saúde mental se sustenta sob a prática do cuidado em liberdade, se a desinstitucionalização da loucura, em muitos lugares, vem se dando na sua vertente mais pobre: a desospitalização; se não há recursos sequer para promover um amplo processo de conversão dos recursos humanos existentes na rede pública de saúde ao novo modelo de atenção em saúde mental vigente no país, sem os quais a reforma patina.Neste cenário, não há porque lamentar as inúmeras tentativas de desmonte e do isolamento do movimento social por uma sociedade sem manicômios. Os conservadores o fazem abertamente; sabemos quem são e o que representam socialmente. Falta-nos a dimensão crítica da institucionalização da reforma psiquiátrica no curso do processo histórico. É preciso ir à luta. Que vem chumbo grosso por aí!
Comentário de Rogélio Casado
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

GERENCIANDO A FUNCIONALIDADE NUMA CRISE

Pensei em escrever um pequeno manual de dicas para momentos de crise em que você precisa continuar funcional. Para psicóticos que não se entregam ou seja para aqueles que impacientes, trêmulos, cérebro ardendo e com muita raiva de todo mundo não podem ficar fóbicos dentro de casa, porque tem trabalho, criança na escola, conta pra pagar, etc:
__ Se acordou mal ou nem dormiu, a cabeça pra estourar, paciência zero:
. Evite filas, até de caixa eletrônicos. Gaste um pouco mais de tempo para encontrar um local mais vago.
. Se não deu pra evitar a fila, bom ter um livro, revista ou fones de ouvido com boa música até chegar sua vez. Evite reclamar, nervosos, não percebemos, mas estamos sempre exaltados, prontos pra briga. Em filas todas as pessoas tem tendência a certo stress.
__ Enconomize paciência em quase tudo ou se exponha menos a situações banais de stress.
. Prefira serviços online no que for possível. Ao recarregar telefones por exemplo. Nada de ficar raspando números e digitando. Um cansaço a menos.
.Ao comprar sapatos prefira aqueles fáceis de calçar. Evita raiva e desespero na hora de sair apressada.
. No trânsito evite horas de pico, ou escolha outras vias menos congestionadas, nem que isso signifique mais combustível e tempo, sua saúde é mais importante.
. Melhor se organizar no máximo usando dois cartões de crédito, pra controlar melhor o número de faturas e em vez de comprar em carnês de lojas, use-os unicamente, ao pagar evita enfrentar mais filas, porque se pode pagar num número maior de lugares. Outra boa opção são cheques pré-datados.
Numa crise braba, você procurando meios para driblar a coisa:
__ entre o shopping e um espaço cheio de gente, mas com outras vibrações é bom escolher um zen. Se tiver paciência pra uma hora de missa, esperar sua vez no passe especial no centro espirita ou outro espaço que cuide do espirito é preferível ao templo do capitalismo.
__ nada de receber aquela amiga (o) folgada, que finge que não percebe sua crise. Pede café e usa seu computador. Dê uma desculpa qualquer. Esse tipo de companhia só tira mais sua paciência.
__sem encontros com namorados (as) problemáticos. Sua cabeça está em plena disfunção neuroquímica, tudo que você não precisa é de problemas emocionais. Necessariamente não se precisa "enlouquecer" desse tipo de amor.

Há vida após uma crise psicótica. Está aberto a surpresas, receptivo a novas experiências, assumir o transtorno mental como parte da sua vida que precisa ser gerenciada. Que é possível se emocionar com um bom filme, educar filhos, fazer uma universidade, viver um grande amor com todas as dores e delícias enfrentados por por qualquer um. Mas se "parar" vítima da doença, e não aproveitar o que resta de saúde no seu organismo, investir numa reinvenção permanente da vida, serás mais um número do quarto de pessoas que sofrerá ou sofre de transtorno mental no mundo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"DIA DE FESTA": Liberdade para Dons Quixotes


Quem não luta está morto... o slogan era algo assim, ouvi num documentário sobre a luta organizada dos Trabalhadores Sem Tetos em São Paulo. Dia de Festa é dia de invasão de prédio abandonado. Caramba, gente sofredora, franjas pendentes da sociedade capitalista selvagem sem Estado do bem-estar-social (seja lá o que diabos seja isso na linguagem sociologuês e do Serviço Social), como os milhares de loucos, condenados, como diz meu leitor assíduo Carlos Saraiva. Somos crônicos, tutelados, sem razão...


"O mais frágil deles um dia

rouba-nos a voz da garganta"


Desde que postei algumas fotos do Sanatório Meduna, apenas da enfermaria que se encontra um parente meu, tenho tido dificuldades de acessar o bloguer. Haquearam a louca? E só tive a idéia de fotografar porque na recepção tem um cartaz proibindo a entrada de câmeras fotográficas e celulares com câmeras. Por quê? Tenho insônia. 301 mg de medicação. Mas as fotos não são delírio.

sábado, 4 de abril de 2009

SOFRIMENTO DE SANCHO PANÇA !!!!








Teresina é conhecida como um polo de saúde no nordeste. É destacada a qualidade da medicina. Com todas as dificuldades da saúde pública, a cidade atende uma demanda de todo o interior do Estado e de estados como Maranhão, Pará, etc. Os arredores do HGV criou-se intenso comércio, formal e informal. O próspero negócio das pensões que oferecem da estadia a consultas e exames agilizados para os hóspedes. Imagino que se organize em pacotes, incluindo também a locomoção pela cidade-hospital.




O HGV já passou por várias reformas nos últimos anos, a antiga Casa Mater, hoje uma mega empresa com vários associados, tem seus espaços completamente reformados, inigualável ao hospital de vinte anos atrás. As clínicas de otorrinos e respiratórias são verdadeiros lazer, do telão para televisão a computadores com internet, espaços infantis com brinquedos variados e atrativos.




E os espaços para tratamento psiquiátrico? O CAPS Leste se localiza na área nobre da cidade, a FMS alugou uma bela casa de rico, com uma área arborizada e atende quinze bairros da periferia. É quase que impossível chegar lá de ônibus. Quem vem do grande Dirceu ou da Piçarreira, da parada de ônibus até lá é uma caminhada boa, como se diz por aqui. Imagina, caminhar impregnado? Cadê a idéia de território? Somos tão bons em outras áreas e na área da saúde mental? Poderíamos aprender alguma coisa com Estado do Ceará. Parece que alguns já tentaram mais não vinga.




Então não nos resta outra opção. Até porque quem está na clínica da atenção psicossocial por aqui ainda não acredita que o CAPS também é para atender a crise aguda. Fomos lá visitar o parente no Meduna. Nos sentimos "formiguinha" esmagada... muito paciente, muita gente jovem, "fazendo carreira" (Goffman), terceira, quinta internações. Que os hospitais sobrevivam bem, enquanto forem necessários... mas com internações mais breves com possibilidades reais de tratamento aberto na comunidade. A reabilitação psicossocial, a reinvenção da roda, segundo Stone, no livro Cura da Mente (história da psiquiatria da antiguidade até o presente), livro este que não fala um parágrafo sobre Franco Basaglia e seu grupo na Itália, donos das idéias e práticas que influenciaram o modelo da Reforma Psiquiátrica brasileira.

PSIQUIATRIA SEM HOSPÍCIO

POR UMA CLÍNICA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA: COM SUBJETIVIDADE, MEDICAÇÃO COM MENOS EFEITOS COLATERAIS E MAIOR PODER DE RESOLUTIVIDADE ASSOCIADA A PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES.